Um espaço de aprendizagem

Posts by Aster

Queerspectivas 4: Experiências de fluidez de gênero  0

Queerspectivas: Experiências de fluidez de gênero

Queerspectivas é uma série de transmissões ao vivo (que depois são gravadas e postadas) feitas com o objetivo de pessoas com certas identidades poderem falar sobre suas próprias experiências sem terem que depender de painéis conduzidos por pessoas que não fazem parte do grupo, ou que são voltados a grupos completamente alheios às questões tratadas na transmissão.

Link para assistir no YouTube

Link para assistir no Nextcloud (ou baixar)
Errr… o Nextcloud tá apontando um tamanho de arquivo diferente do meu computador, então avisem se esta versão der problema, ok?

Licença: CC BY-NC-SA 4.0

Outros links:

Não temos ninguém para transcrever Queerspectivas no momento, mas entre em contato caso você queira fazer isso ou tenha feito uma legenda ou transcrição!

Também é possível se oferecer para participar ou sugerir assuntos neste tópico.

Queerspectivas 3: Não-binaridade e narrativas trans  0

Queerspectivas é uma série de transmissões ao vivo (que depois são gravadas e postadas) feitas com o objetivo de pessoas com certas identidades poderem falar sobre suas próprias experiências sem terem que depender de painéis conduzidos por pessoas que não fazem parte do grupo, ou que são voltados a grupos completamente alheios às questões tratadas na transmissão.

Link para assistir no YouTube

Link para assistir no Nextcloud (ou baixar)

Licença: CC BY-NC-SA 4.0

Outros links:

Não temos ninguém para transcrever Queerspectivas no momento, mas entre em contato caso você queira fazer isso ou tenha feito uma legenda ou transcrição!

Queerspectivas 2: Experiências aroespectrais  0

Link para assistir no Youtube

Link para assistir no Nextcloud (ou baixar)

Licença: CC BY-NC-SA 4.0

Não temos ninguém para transcrever Queerspectivas no momento, mas entre em contato caso você queira fazer isso ou tenha feito uma legenda ou transcrição!

“E se eu for intersexo?”  0

Bandeira Intersexo

Imagem: Uma bandeira intersexo composta de 5 faixas verticais do mesmo tamanho, nas cores roxa, amarela, branca, amarela e roxa, com três formas parecidas com corações uma por cima da outra no centro da bandeira, sendo a mais de trás (que está mais para cima) azul, a do meio roxa e a da frente/de baixo rosa.

 

Esta é uma pergunta que eu já tive, e uma pergunta que já vi muitas outras pessoas tendo. Como não existem muitos recursos direcionados a isso, eu gostaria de dar minhes opiniões e palpites.

Aviso de conteúdo: Este é um texto direcionado a pessoas que estão questionando ser intersexo, e portanto falo sobre formas que pessoas já descobriram ser intersexo. Isso inclui “tratamentos corretivos” na infância e descrições de características sexuais.

 

 

Por que você quer saber que é intersexo?

Embora isso não faça diferença em relação a alguém ser ou não intersexo, descobrir a própria intersexualidade pode custar dinheiro e tempo, além de poder ser estressante. Procurar ser intersexo por validação externa pode acabar não valendo a pena, especialmente se o fim dessa jornada pode acabar resultando em indeterminação ou em determinação de uma corporalidade perissexo.

Ninguém precisa ser intersexo para:

  • Interagir/conviver com pessoas intersexo;
  • Justificar uma desconexão com o gênero designado ao nascimento;
  • Ser uma pessoa trans;
  • Ser uma pessoa não-binária;
  • Ir a eventos intersexo abertos a públicos gerais;
  • Ajudar coletivos, organizações e outros grupos intersexo.

Sei que muitas pessoas buscam ser intersexo para conseguirem justificar serem trans e/ou não-binárias, então vou reforçar aqui: corporalidade não justifica gênero. Ser intersexo não prova que alguém é não-binárie. Existem pessoas que são do gênero designado ao nascimento, que são de algum gênero binário que não foram designadas ao nascimento e pessoas não-binárias tanto entre pessoas intersexo quanto entre pessoas perissexo. Você não precisa justificar sua identidade de gênero com intersexualidade, e é até provável que isso não funcione.

A maioria das variações intersexo não são vistas como tal pela comunidade médica, já que intersexo é um rótulo social. Tentativas de justificar alguma identidade cisdissidente com corporalidade intersexo vão ser furadas por “não, você é [gênero designado], só tem um probleminha que pode ser resolvido”. É até possível que pensem que ser intersexo faz parte de sua “confusão acerca da identidade de gênero”.

Além do mais, experiências intersexo são variadas (tanto pelas diferentes variações intersexo quanto pelas diferentes situações que alguém pode ter passado dentro de certa variação) e não garantem sabedoria automática em relação a questões intersexo. Fazer um teste de cromossomos aos 30 anos e se descobrir intersexo por ser XYY não dá a alguém a experiência de uma pessoa que passou por cirurgias e/ou terapia hormonal por conta de sua intersexualidade.

Ser intersexo geralmente não significa ter crescido em um ambiente onde a maioria das pessoas em volta possuem a mesma marginalização (da mesma forma que, por exemplo, ser pobre), ou que a pessoa precisou questionar ao menos algumas normas sociais para conseguir entender o que é (da mesma forma que, por exemplo, ser não-binárie). Então pode ser comum achar pessoas que sabem que possuem tal variação intersexo, mas que só se veem como doentes porque é isso o que disseram a elas pela vida inteira, e que acham absurdo serem classificadas como fora de “seu sexo biológico” ou como LGBTQIAPN+ por conta de tal “doença”.

Por conta disso, por mais que variações intersexo sejam comuns, nem toda pessoa intersexo vai ser uma aliada na luta contra o diadismo, ou na luta contra cissexismo e heterossexismo. E nem toda pessoa intersexo vai se reconhecer como tal. Novamente, ser intersexo não garante entendimento nenhum sobre questões intersexo ou LGBTQIAPN+, e querer se dizer intersexo só para poder entrar em mais discussões acerca do assunto pode não ser uma boa ideia.

 

 

As várias jornadas possíveis

Existem dezenas de variações intersexo, então obviamente elas podem acabar sendo descobertas de formas diferentes.

Algumas pessoas decidem pesquisar sobre alguma medicação estranha que tomaram na adolescência e descobrem que era terapia hormonal. Outras pessoas descobrem em seu histórico médico que passaram por várias cirurgias sem ter idade suficiente para ter memórias disso, e, perguntando para responsáveis e/ou hospitais, descobrem que a cirurgia foi para remover gônadas consideradas inadequadas e/ou para “corrigir” a genitália.

Algumas pessoas fazem exames hormonais por qualquer motivo e descobrem que seus níveis hormonais são diferentes dos esperados. Ou fazem exames de cromossomos que retornam resultados diferentes dos esperados. Ou tentam fazer exames de útero e descobrem que sua genitália é atípica, que suas gônadas funcionam de forma diferente ou que na verdade não possuem útero.

Algumas pessoas passam por mudanças inesperadas na adolescência, como algum crescimento de seios ainda que a pessoa tenha sido designada homem ao nascer, ou como crescimento de barba ainda que a pessoa tenha sido designada mulher ao nascer. Também pode acontecer que a pessoa não passe por nenhum tipo de mudança esperada, por não produzir ou ser afetada por estrogênio e/ou testosterona.

Algumas pessoas acabam se deparando com a informação de que seus falos são maiores do que o esperado (clitoromegalia), ou menores do que o esperado (micropênis, afalia).

Com mais informação sendo difundida sobre questões intersexo, agora é possível que pessoas pesquisem sobre o assunto mesmo que não hajam sinais “óbvios” de ser intersexo. Embora eu ache que este seja um questionamento saudável – afinal, parte do diadismo é a questão de pessoas não questionarem que mais de dois sexos serem possíveis – não é sempre uma questão fácil de responder.

 

 

Se você não tem certeza, pergunte-se…

  • Você já sentiu que seu corpo teve um desenvolvimento de características sexuais diferentes das esperadas, ainda que ele não possa ser justificado por conta de acidentes, cirurgias ou terapia hormonal (incluindo bloqueadores de hormônios)?
  • Você passa, passou ou tem motivo para achar que passa/passou por terapia hormonal ou cirurgias relacionadas com características sexuais sem o seu consentimento?
  • Você passa ou passou por algum problema que poderia ser justificado pelos seus níveis de hormônios sexuais serem atípicos naturalmente (incluindo: quantidade/grossura de pelos no corpo, ciclos menstruais irregulares, problemas onde uma consulta médica resultou em medicação que afeta hormônios sexuais)?

Se você acha que a resposta é sim, você pode sair procurando por variações intersexo que possam justificar isso. Ou não; é possível que nenhuma pareça se encaixar ainda que suas experiências sejam reconhecidas como intersexo pela maioria. Você pode querer fazer exames para ter certeza se possui uma variação intersexo específica, como síndrome do ovário policístico ou hipogonadismo, mesmo que os resultados só digam essas coisas sem conter a palavra intersexo. Ou, se o caso é que você suspeita de modificações corporais, você pode ir atrás de seu histórico médico.

É possível que as suspeitas não confirmem nada. Afinal, sempre vai existir um limite entre onde ser perissexo termina e onde ser intersexo começa; será que é um micropênis ou um pênis? Quantos pelos grossos precisam aparecer pra contarem como ter barba? Nestes casos, acho bom se perguntar: faz sentido chamar as experiências relacionadas a isso de experiências intersexo? Este é um rótulo útil para elas?

Se nada disso parecer familiar, ainda é possível que você seja intersexo. Afinal, você só tem a própria experiência e pode não vê-la como diferente das demais, ou você pode ter uma variação intersexo que passou despercebida (como alguma que é puramente relacionada a cromossomos). Porém, também é possível que você não seja intersexo.

Você pode fazer exames para conferir níveis hormonais e cromossomos, mas, a não ser que haja um desejo muito grande de ter certeza, eu não vejo muitos motivos pra fazer isso. Exames são caros e demorados; qual a vantagem em querer tanto provar ser intersexo, sem nem ter tal certeza?

Observação: É em inglês, mas o site da ISNA tem várias informações sobre variações intersexo aqui. O máximo que chega perto disso em português, até onde sei, são páginas da Wikipédia sobre o assunto. Vale lembrar que nenhuma destas páginas contém uma lista completa de variações intersexo.

 

 

Umas últimas informações

Independentemente de você ser intersexo, tente ler sobre questões intersexo. Tem a página do Facebook da ABRAI, umas postagens sobre intersexualidade em Transadvocate Brazil e diversos blogs, vlogs e perfis de pessoas intersexo por aí.

A comunidade intersexo é muitas vezes dividida em uma série de questões: se tal variação conta ou não conta como intersexo, se tal bandeira representa bem a comunidade ou é ofensiva, se pessoas que não são intersexo devem ser chamadas de perissexo, endossexo ou diádicas, se a palavra intersexual é ofensiva ou não. Recomendo prestar atenção nas divergências e não tentar corrigir pessoas intersexo que discordam de você ou de sue blogueire intersexo preferide, especialmente se a pessoa não parecer aberta a mudar de ideia.

Mesmo assim, a maior parte da comunidade – ao menos de suas partes mais alinhadas com ativismo intersexo – concorda que cirurgias em bebês e crianças pequenas precisam acabar, assim como terapia hormonal sem consentimento. A maioria entre essas pessoas também vai ser contra a designação de gênero/sexo ao nascimento de qualquer pessoa, mas especialmente contra a designação coerciva de pessoas intersexo.

Se você for (ou se descobrir) intersexo e quiser se envolver mais na comunidade, fale com pessoas intersexo que você conhece, contate a ABRAI (que possui Instagram também) ou tente postar sobre isso em nosso fórum em alguma área apropriada.

Alonorma tóxica: Recorte racial dentro da assexualidade  0

Bandeira assexual feita por InspectorCaracal. É um retângulo dividido em três faixas diagonais que vão do canto superior direito até o canto inferior esquerdo, nas cores preta, roxa e cinza clara.

 

Esta postagem foi escrita por Sara Hanna, do Coletivo Abrace.


Alornorma (e sexonorma) é o que impõe que só se é adulte saudável quando sente atração e pratica relações sexuais.

Um exemplo clássico para entender como alonorma (fazendo combo com heteronorma e amatonorma) é desejável e imposta desde que somos crianças é que muitas pessoas foram constrangidas quando pequenas a darem beijo, segurar mão ou qualquer contato físico em algume coleguinha (sendo de outro gênero) contra sua vontade, em rodas onde adultos comentavam que eram namoradinhes. Algo bem traumático e abusivo, na verdade, mas que é extremamente naturalizado como “apenas brincadeira”.

Existe uma série de problemas que surgem desta premissa (sugiro que veja a postagem anterior sobre alonorma para ter mais informações), mas aqui gostaríamos de fazer o recorte racial para deixarmos explícitas algumas questões específicas que fazem com que a alonorma seja ainda mais tóxica para corpos racializados.

Racismo nas atrações românticas e/ou sexuais é algo geralmente visto como a repulsa a pessoas que fogem do estereótipo de aparência eurocentrado como padrão de beleza, e sim, isso também é racista. No entanto, o racismo tem inúmeros braços e não à toa permeia todas as esferas da sociedade, então ele pode também se apresentar de uma forma muito cruel, pois se veste de “herói” quando apresentado: o racismo objetificador.

Digo cruel pois é fantasiado de elogios sobre a aparência, principalmente sobre os corpos, de pessoas racializadas. Aliás, estes corpos são vistos apenas como corpos, algo desligado de sua personalidade, cultura, histórico ou o que faça da pessoa indivíduo (isso é a objetificacão, algo que torna alguém um adorno ou passível apenas de desejo de consumo, admiração ou posse, retirando no imaginário sua essência, discernimento e capacidade de consentir).

Por muito tempo a naturalização da objetificação de corpos negros, principalmente, como foco de desejo sexual ilustrou bem isso. E para todos os grupos considerados grupos étnicos diferentes dos padrões europeus, existe essa objetificação.

Existe uma forte fetichização de mulheres do leste da Ásia; erotização de corpos de pessoas árabes desde a infância, onde meninas são vistas como dançarinas do ventre e meninos viris; expectativa sobre tamanhos de órgãos genitais de homens ou pessoas lidas homens negras e árabes, enfim, são inúmeros exemplos de como a alonorma e a sexonorma são, além de machistas, gordemísicas, capacitistas, muito racistas.

Pessoalmente, como uma pessoa lida mulher e descendente de árabes ouvia desde criança de homens adultos que iam me trocar por camelos, ou que eu devia rebolar bem, pois árabes dançavam dança do ventre, piadas sexuais sobre “meu povo” ter sangue quente ou me pedirem em casamento, porque “na minha terra” as meninas podiam casar com 9 anos de idade (Embora eu seja brasileira, sempre deixavam muito claro que em algum outro lugar eu tinha um “meu povo”, “minha gente”, “minha terra”, e eu não entendia o que isso queria dizer). Já ouvi mulheres negras dizendo que ouviam coisas semelhantes na infância, também coisas muito além disso, e que igualmente deviam saber rebolar e sambar. Homens negros, inclusive gays, vivem recebendo insinuações sobre tamanho de pênis. Mulheres do leste da Ásia ou descendentes, que são vistas como bonecas humanas, que se pode fazer tudo sem consentimento, e os homens leste-asiáticos têm constantemente seus corpos sendo motivos de chacota, desde a estatura ao tamanho de seus pênis … Enfim, inúmeros casos podem ser citados, mas o que se critica aqui é a estrutura disso, é a norma social que naturaliza que corpos sejam vistos como sexuais sem consentimento, menosprezados, ou que para alguns corpos só restem interações sexuais, pois estes corpos não são vistos como parte de alguém com consciência, gostos, um conjunto de vivências e particularidades como outros, e principalmente, com direito a dizer “não”.

Se uma pessoa tem seu corpo objetificado a vida toda sem consentimento isso pode afetar todas suas interações, algumas vezes de forma permanente. Se além disso não for branca e for assexual, pode passar por experiências específicas, por isso o recorte se fez necessário.

Você pode se perguntar ‘por quê isso tem a ver com alonorma e sexonorma e não só com racismo?’, porém basta se perguntar de onde vem a ideia de que é preciso sempre ter uma opinião sobre a aparência das pessoas? Dizer se acha ou não alguém atraente? Onde é formada a noção de “atração física” ser algo relevante para todas as interações humanas entre adultes (até profissionalmente as pessoas são analisadas e classificadas como atraentes ou não) e se você não sente essa atração é infantil ou moralista? Onde se cria a ideia de que só quem é saudável é quem sente atração sexual e quem não sente é doente? E que corpos são mais rejeitados? E quais são mais objetificados? De várias formas somos ensinades a erotizar, sexualizar, desejar, paquerar, como regra social, e sendo a sociedade racista, evidente que dentro dessas interações existam peculiaridades reservadas aos grupos que não estão nesse padrão racista.

A alonorma e sexonorma são tóxicas e naturalizam isso quando a sociedade acha normal que estereótipos raciais ainda sejam veiculados em comerciais, livros, filmes, jornais, revistas, novelas, e não se faz barulho contra isso, não se para de consumir, de assistir, de apoiar de qualquer forma… E sei que há quem argumente que existem atrizes cis, hétero e brancas que também são sexualizadas, por exemplo, mas aí a crítica seria ao machismo estrutural que impõe que corpos lidos femininos sejam sempre representados de forma erotizada, não cabendo por muito tempo às mulheres muitas alternativas para serem respeitadas senão imitando alguns comportamentos da masculinidade vigente. Porém aqui o recorte é só racial. Futuramente faremos o recorte de gênero, pois infelizmente a alonormatividade é tóxica em várias esferas.


Para acompanhar publicações futuras do Coletivo Abrace, visite seu Instagram e Facebook.

Algumas cunhagens de 2020  0

Na imagem acima, podem ser vistas bandeiras leux, exparmasculina, queegênero, de quem sente atração fixual, urbanox, excentrigênero, forte, coexta, feminec e pluruna.

Esta é uma compilação de alguns dos vários termos relacionados a ser LGBTQIAPN+ cunhados no ano de 2020.

Como vários termos estão sempre sendo cunhados, não há como acompanhar tudo em nossas listas e outras páginas informativas; e esta nem é nem nunca foi nossa prioridade. Alguns dos termos daqui já foram colocados em outras páginas, outros talvez sejam no futuro, e outros podem acabar não recebendo nenhum destaque além desta postagem.

 


 

Um retângulo composto por 17 faixas verticais em várias cores, sendo a do meio mais grossa do que as outras, e sendo que as cores das faixas da direita e da esquerda são espelhadas.

Bandeira forte

Forte- é uma orientação para pessoas cuja atração é baseada nas chances de ter um relacionamento com alguém. Enquanto pessoas procul só sentem atração por pessoas distantes ou personagens, pessoas forte sentem atração por pessoas que seriam capazes de ter um relacionamento com elas.

Isso não significa que, por exemplo, uma pessoa forterromântica precise saber que outra pessoa sinta atração por ela para começar a sentir atração. Basta saber que a pessoa é compatível em relação à proximidade, à orientação e/ou ao que a pessoa busca em um relacionamento.

Forte é uma orientação a-espectral. Foi cunhada em 27 de outubro por Dödstöld Package. Quem sabe alguém que se sinta desta forma cunhe um nome mais adequado para usar na língua portuguesa?


Um retângulo composto por 7 faixas horizontais do mesmo tamanho, sendo as três primeiras turquesas de um tom mais escuro até o mais claro, a faixa central branca e as três últimas faixas vinho, de um tom mais claro até um mais escuro.

Bandeira hélix

Hélix- é uma orientação para quem não consegue distinguir tipos de atração entre si por conta de neurodivergência.

Por exemplo, uma pessoa helixsexual pode não conseguir distinguir atração sexual de sensorial ou de outras atrações físicas por ser autista. Como outro exemplo, uma pessoa helixromântica pode não conseguir entender se o que sente é atração romântica, sexual, alternativa ou de outro tipo por sua neurodivergência.

Hélix é uma neuro-orientação, ou seja, uma orientação restrita a pessoas neurodivergentes por só funcionar para pessoas neurodivergentes. Também é uma orientação mais abrangente do que nébula, que tem um conceito parecido.

A cunhagem de hélix foi feita em 31 de julho por Ekene/Lexis.


Um quadrado composto por cinco faixas horizontais na proporção 6:4:5:4:6, nas cores verde, verde clara, cinza clara, roxa clara e roxa.

Bandeira ironetiana

Ironetiane é uma orientação para mulheres e pessoas não-binárias confortáveis com isso que sentem atração por pessoas que se encaixam em tal descrição, de forma que exclui completamente homens e pessoas não-binárias alinhadas com o gênero homem.

Foi um termo cunhado principalmente para pessoas que se viam/veem como lésbicas, mas que, por tal rótulo ser usado por lésbiques multi que sentem atração por homens (resgatando a ideia de usar lésbique do mesmo jeito que se usa sáfique), ou por lésbiques não-bináries que são parcialmente homens, preferem ter um rótulo separado que não possa incluir homens ou atração por homens por definição.

Ironetiane é uma orientação inclusiva de pessoas não-binárias (inclusive, as duas pessoas que cunharam o termo são não-binárias), ao mesmo grau que o termo lésbique não-binárie é; ou seja, nem todas as pessoas não-binárias vão se sentir confortáveis com o termo, nem as que também são trixen ou feminamóricas. Também inclui lésbiques que são inconformistas/não-conformistas de gênero e/ou linguagem, mulheres trans, pessoas transfemininas não-binárias e/ou pessoas transmasculinas (porque ser transmasculine não significa necessariamente ter a ver com ser homem).

Não foi um termo feito por pessoas que odeiam homens, quem sente atração por homens ou quem sente atração por múltiplos gêneros, e sim uma tentativa de cunhar um rótulo confortável para quem não quer associar a própria identidade com ser possivelmente homem ou atraíde por homens. Também não foi um rótulo feito para atacar lésbiques de qualquer tipo.

O termo ironetiane foi cunhado 3 de julho por Orchid e Naib.


Leux- é uma orientação vaga ou neblinosa que “foge” da pessoa que a tem quando ela tenta entendê-la. Esta orientação está sempre mudando, e não é possível que uma pessoa leux especifique por quem se atrai sem que sua orientação mude.

É uma orientação fluida, como abro ou merc, mas também tem uma ênfase extra na indefinição, como sans ou até mesmo cáligo.

Esta orientação foi cunhada em 20 de fevereiro por Dexter.


Um retângulo composto por 5 faixas horizontais, sendo que a primeira e a última são mais altas do que as outras. Suas cores são roxa, azul clara, cinza clara, azul clara e verde.

Bandeira pluruna

Pluruna- é uma orientação que descreve membres de sistemas que só sentem atração por quem está em seu próprio sistema ou em outro sistema específico, sem sentir atração fora de tais sistemas.

Para entender o que é multiplicidade (o que é fundamental para saber ao que esta orientação se refere), tem um artigo na Wikipédia (mal traduzido no momento) sobre isso, assim como recursos melhores em inglês sobre o assunto.

A orientação pluruna foi cunhada 15 de junho pelo sistema CS&G.


Atração fixual é um tipo de orientação definido por ter uma hiperfixação, um interesse especial ou outra conexão profunda baseada em neurodivergência direcionada ao alvo da atração.

Esta não é uma orientação equivalente a pan ou demi, e sim um tipo de atração, como atração sexual, romântica ou estética. Alguém pode ser, por exemplo, assexual, arromântique, aplatônique e torenfixual.

Este tipo de atração também pode ser usado por pessoas que não têm certeza sobre que tipo de atração estão sentindo por conta de sua hiperfixação ou similar. O equivalente a “crush” (queda) de atração fixual é fush.

O termo foi cunhado em 1 de setembro por Luigra.

Retângulo composto por 7 faixas horizontais na proporção 2:1:1:4:1:1:2. Suas cores são rosa, rosa clara, branca, roxa, branca, rosa clara e rosa.

Bandeira exparfeminina


Exparfeminine se refere a alguém intersexo que se sente conectade a experiências transfemininas mesmo que tenha sido designade mulher ao nascimento, por conta de ser intersexo.

Exparmasculine se refere a alguém intersexo que se sente conectade a experiências transmasculinas mesmo que tenha sido designade homem ao nascimento, por conta de ser intersexo.

Como são termos equivalentes a transfeminine e transmasculine, podem ser usados como identidades de gênero, modalidades de gênero ou rótulos à parte destas categorias.

Por exemplo, uma pessoa pode dizer que exparmasculine (ou exparmasculine não-binárie) é seu gênero (assim como termos como transmasculine e transneutre podem ser usados como gêneros); outra pessoa pode categorizar sua identidade de gênero somente como agênero e usar exparmasculine como algo que informa sua expressão de gênero; outra pessoa pode usar algo como homem não-binárie exparmasculine no lugar do que outras pessoas preencheriam como pessoa trans não-binária ou homem ipsogênero.

Os termos em questão foram cunhados por Doc em 28 de novembro.


Um retângulo de 7 faixas horizontais do mesmo tamanho nas cores amarela, amarela clara, branca, azul, cinza escura e preta.

Bandeira advenagênero para pessoas designadas homens ao nascimento

Advenagênero é outro termo para pessoas intersexo; desta vez para pessoas que se identificariam com ou como os gêneros que lhes foram designados ao nascimento – ainda que não necessariamente de forma cis ou binária – mas que não conseguem fazer isso por conta de como diadismo as alienou desses gêneros e de pessoas perissexo que se identificam de forma parecida.

Advenagênero pode ser uma forma de ressignificar tal gênero designado independentemente do que pessoas perissexo pensam sobre quem se encaixa nele. Desta forma, pessoas podem se dizer advenamulheres, advenamasculinas, advenafemininas ou afins (é a própria pessoa intersexo que escolhe qual dos termos é apropriado com base no que ela tem em comum com seu gênero designado).

Este termo foi cunhado por uma mulher não-binária que se vê como advenavir (vir é latim para homem), mas que não se vê como alguém com experiência transmasculina. 🦋 se chama Georgia e cunhou advenagênero em 18 de agosto.


Um retângulo composto por três faixas verticais do mesmo tamanho, nas cores cinza clara, cinza escura e amarela clara.

Bandeira coexta

Coexta descreve alguém cujo relacionamento com gênero é vago e/ou inconsistente. É alguém que às vezes sente que gênero não se aplica a si, mas que outras vezes sente que pode ter um gênero, ainda que não entenda qual é o gênero que está experienciando.

O gênero de alguém coexta nunca parece masculino, feminino ou fortemente relacionado a algo, e por conta disso é difícil ou impossível de descrevê-lo de forma precisa.

Coexta difere de termos como demigênero e poliagênero porque a flutuação tem a ver com a ideia de gênero em si só, não necessariamente com não ter gênero. Desta forma, talvez uma comparação mais próxima seja apofluxo, mas a postagem da cunhagem compara coexta com gênero-cinza, gênero-vago e quoigênero.

Coexta é um adjetivo (se diz uma pessoa coexta e não ume coexta). Este termo foi cunhado por Oz em 28 de fevereiro.


Excentrigênero (termo original: eccentrigender) é um gênero baseado em exagero, codificação queer, melodrama e outros atributos associados com vilanes/antagonistas. Também é associado com androginia, mas não é necessário ser andrógine ou se identificar de forma andrógina para se identificar com este gênero.

Este termo foi cunhado por alguém anônime em uma postagem que foi publicada 18 de outubro.


Expressão de gênero é uma forma de rotular a maneira que alguém se veste, se parece e age. Assim como identidade de gênero, é possível alguém rotular a própria expressão de gênero, e isso importa mais do que outras pessoas vendo de fora consideram que é a expressão de gênero da pessoa. Alguns exemplos de expressões de gênero podem ser encontrados neste tópico.

Inconformidade de gênero, não-conformidade de gênero e outros termos similares significam que alguém tem uma expressão de gênero diferente da esperada. Por exemplo, um homem que gosta de usar vestidos e maquiagem no dia-a-dia pode querer se dizer inconformista de gênero.

Inconformidade de gênero não é um conceito novo; muitas pessoas com experiências trans e não-binárias historicamente só sabiam que eram inconformistas de gênero, especialmente quando a ideia de ser trans era ser uma pessoa binária hétero rica que tinha acesso a cirurgias para “virar seu gênero de verdade”. Além disso, muitas pessoas heterodissidentes se sentem mais em casa quebrando padrões de gênero, e isso inclui pessoas binárias independentemente de suas modalidades de gênero.

Um retângulo composto por 7 faixas horizontais do mesmo tamanho. Suas cores são turquesa, turquesa escura, roxa escura, roxa, rosa escura, rosa e rosa clara.

Bandeira feminec

Enfim, feminec é um gênero homem que está profundamente ligado à inconformidade de gênero feminina da pessoa. Alguém que é feminec vê sua inconformidade de gênero feminina como parte de seu gênero, e não apenas de sua expressão de gênero.

Este termo foi cunhado por Dexter a pedido de uma pessoa anônima em 13 de março. A postagem com sua bandeira e definição se encontra aqui.

Feminec também inspirou uma série de outros termos:

  • Neutranec, um gênero homem ligado profundamente a uma inconformidade de gênero neutra;
  • Formarenec, um gênero homem ligado profundamente a uma inconformidade de gênero;
  • Formarenec-fluxo, um gênero homem flutuante (ver: gênero-fluxo, quivergênero) ligado profundamente a uma inconformidade de gênero, sendo que esta pode mudar de tempos em tempos (entre feminina e neutra, por exemplo), e é possível que a pessoa mude entre ser inconformista e conformista de gênero de tempos em tempos;
  • Mascugen, um gênero mulher ligado profundamente a uma inconformidade de gênero masculina;
  • Neutragen, um gênero mulher ligado profundamente a uma inconformidade de gênero neutra;
  • Formaregen, um gênero mulher ligado profundamente a uma inconformidade de gênero;
  • Um retângulo composto por 7 faixas horizontais do mesmo tamanho, nas cores rosa clara, rosa, rosa escura, roxa escura, turquesa, verde e amarela clara.

    Bandeira formaregen-fluxo

    Formaregen-fluxo, um gênero mulher flutuante ligado profundamente a uma inconformidade de gênero, sendo que esta pode mudar de tempos em tempos, e é possível que a pessoa mude entre ser inconformista e conformista de gênero de tempos em tempos;

  • Femigec, um gênero neutro ligado profundamente a uma inconformidade de gênero feminina;
  • Mascugec, um gênero neutro ligado profundamente a uma inconformidade de gênero masculina;
  • Formaregec, um gênero neutro ligado profundamente a uma inconformidade de gênero;
  • Formaregec-fluxo, um gênero neutro flutuante ligado profundamente a uma inconformidade de gênero, sendo que esta pode mudar de tempos em tempos, e é possível que a pessoa mude entre ser inconformista e conformista de gênero de tempos em tempos;
  • Mascunec, um gênero homem ligado profundamente a uma inconformidade de gênero masculina. Embora ter inconformidade de gênero masculina sendo homem pareça sem sentido, masculinidade queer pode subverter as expectativas sociais direcionadas a homens.
  • Femigen, um gênero mulher ligado profundamente a uma inconformidade de gênero feminina. Embora ter inconformidade de gênero feminina sendo mulher pareça sem sentido, feminilidade queer pode subverter as expectativas sociais direcionadas a mulheres.
  • Femipraes, alguém cuja expressão de gênero feminina é uma parte importante de seu gênero mesmo que seu gênero não seja nada feminino;
  • Mascupraes, alguém cuja expressão de gênero masculina é uma parte importante de seu gênero mesmo que seu gênero não seja nada masculino;
  • Neutrapraes, alguém cuja expressão de gênero neutra é uma parte importante de seu gênero mesmo que seu gênero não seja nada neutro.

Estes três últimos termos foram cunhados em 12 de dezembro.


Retângulo composto por 7 faixas horizontais do mesmo tamanho. Suas cores são verde água, turquesa, turquesa escura, branca, vermelha escura, vermelha e vermelha clara.

Bandeira gênero-geodo

Gênero-geodo é um gênero composto por uma concha base que contém subtipos de/identidades parecidas com tal gênero.

Então, por exemplo, ume mulher gênero-geodo ou mulher-geodo pode ter gêneros como mulher, juxera, mulher-vague, ginx, neulier e libramulher.

Esta é uma identidade poligênero, mas também pode ser tratada como um gênero só, como gênero-poção. Independentemente de tratar esta identidade como um gênero ou como um conjunto de gêneros, é possível usá-la como um subgrupo de gêneros dentro da identidade de gênero de alguém que tem mais gêneros; por exemplo, alguém pode dizer que é gênero-fluido entre aueegênero-geodo, neutrois e zenino.

O termo gênero-geodo foi cunhado em 7 de fevereiro por gendergeode no Tumblr.


Um retângulo composto por 6 faixas verticais, nas cores roxa escura, roxa, bege, roxa e roxa escura. Proporção 1:1:2:1:1, aproximadamente. No centro da bandeira, ocupando todo o seu espaço vertical, encontra-se uma silhueta estilizada preta de poste de luz, que é simétrica e bem fina.

Bandeira urbanox

Urbanox é um xenogênero e estetigênero definido por sua conexão com luzes noturnas em uma cidade. Tem a ver com o efeito combinado de luzes de janelas de prédios, postes de luz, luzes de carros e luzes refletidas pela água no pavimento.

Este gênero pode ser calmo, fresco (no sentido de vento fresco) e relacionado aos sons de uma cidade, como sirenes, carros dirigindo e vento. Em algumas noites, inclui raios gentis de luz da lua iluminando o vapor que sobe dos esgotos e se dissipa no céu noturno.

Urbanox pode ser um gênero nostálgico e solitário, mas também confortável. Não é inerentemente gênero-fluido ou gênero-fluxo, mas pode ser. Pode ter quaisquer atributos ligados a gênero, mas a pessoa que cunhou urbanox experiencia neutralidade neste gênero.

Leaf cunhou urbanox em 4 de setembro.


O conceito de ambiguidade de gênero não é realmente algo novo, mas a cunhagem de AmEE (ambígue em essência) para abrigar identidades e experiências com esta característica é.

Ambiguidade de gênero é uma característica que significa que o gênero está aberto a várias interpretações, ou que não se conforma com nenhuma interpretação. Alguns exemplos de identidades de gênero ambíguas são nímise, livre de gênero e ambiguine.

A postagem explicando este conceito desta forma foi feita em 12 de maio por variant-archive no Tumblr.


Sete faixas horizontais, sendo que a faixa central possui o dobro do tamanho das outras, nas cores verde clara, amarela, amarela clara, branca, salmão, marrom clara e vermelha.

Bandeira aueegênero ou auingênero

AuEE (autônome em essência) é também uma cunhagem que inclui identidades que já existiam antes, como egogênero e maverique.

Autonomia de gênero descreve uma qualidade definida por autodeterminação e independência de outros conceitos de gênero. Uma pessoa com um gênero autônomo pode dizer que seu gênero é definido em seus próprios termos, emancipado ou livre de outros gêneros, de seus papéis, de suas categorizações e/ou de suas expressões.

Ter uma identidade caracterizada por autonomia de gênero significa ter uma identidade pessoal e íntima, o que significa que identidades assim podem ser expressadas e sentidas de formas diferentes por pessoas diferentes. Pessoas podem ver sua autonomia de gênero como o resultado de agir livremente em relação à sua identidade e expressão, e podem ver seus gêneros como algo que “simplesmente é”, que poderiam ser descritos como características pessoais que fazem dessas pessoas únicas.

A cunhagem deste conceito como uma categoria para gêneros se origina na cunhagem de cunêusique/kunneusik, um gênero com elementos autônomos e neutros que são ambos fracos e/ou indefinidos cunhado em 17 de fevereiro, que foi baseado em verneu/verrneu, um termo cunhado em 26 de dezembro de 2017.

Um retângulo composto por 4 faixas horizontais, nas cores verde escura, branca, amarela e verde.

Bandeira neutrique

Isso fez com que, mais pra frente, ume anônime tenha enviado uma pergunta para forgotten-mogai no Tumblr sobre querer algo como cunêusique sem o elemento de indefinição, o que fez com que Gent do Tumblr gender-resource respondesse com a cunhagem de Neutrique, um gênero autônomo e neutro em 28 de abril.

No dia 30 de abril, Gent postou uma lista de gêneros autônomos cunhados juntamente com Kaut (arco-pluris no Tumblr). Uma resposta explicando melhor o que é autonomia de gênero foi feita em 3 de maio, e a postagem sobre aueegênero foi feita em 12 de maio.

Definições traduzidas de alguns aueegêneros podem ser encontradas aqui.


Em 17 de maio, variant-archive fez uma postagem sobre Q(U)IN (queer in nature/por natureza), ou seja, QuEE (queer em essência). Esta seria outra característica relacionada a gênero, desta vez baseada em queer e genderqueer.

Uma bandeira de 7 faixas, nas cores roxa escura, roxa, roxa clara, branca, verde clara, verde e verde escura. A faixa branca é maior do que as outras.

Bandeira queegênero, quingênero ou qingênero.

É uma categoria relativamente aberta. A pessoa que cunhou diz que é similar a aporinidade e xeninidade, ao menos em relação ao seu próprio gênero que é queer, mas acredito que qualquer identidade de gênero que envolva algum tipo de queeridade ou inconformismo em relação à di/cis/heteronorma possa dizer que seu gênero é queer em essência. Gent faz apontamentos similares aqui.

 


 

Esta foi uma amostra dos termos cunhados neste ano! Eu adoraria fazer uma retrospectiva assim todos os anos, mas elas levam tempo e organização. Veremos se eu conseguirei fazer uma no ano que vem.

O processo de criação de novas páginas do Orientando  0

Uma captura de tela parcial da lista de identidades não-binárias.

Caso alguém tenha interesse, é este o processo que uso para fazer qualquer página específica que descreve algum termo, como neurálique ou não-binárie. Cada identidade pode ter as próprias particularidades, então nem sempre suas páginas são escritas desta forma, mas a maioria das páginas segue o esquema.

Ao final do texto, caso hajam dúvidas sobre como páginas são formatadas em alguma questão não mencionada, sugiro recorrer a estudar as páginas existentes, especialmente as mais recentes.

 

A identidade já está na lista?

Para que a página possa ser linkada em sua respectiva lista, a identidade já precisa estar lá.

Identidades são adicionadas às listas por serem:

  • Bem definidas (ou seja, possíveis de explicar);
  • Separadas o suficiente para terem o próprio lugar na lista;
  • Relevantes o suficiente para que elas sejam colocadas na lista ao invés de outras (mais identidades são cunhadas a cada semana e não faço questão de incluir as que são extremamente específicas e não utilizadas por ninguém);
  • Livres de racismo, cissexismo, diadismo, xenomisia, misoginia, capacitismo, gordemisia e afins. É possível que identidades sejam acusadas de justificarem ou perpetuarem tais opressões, desde que hajam defesas coerentes que apontem que isso não seja verdade.

Também evito colocar identidades que compartilham nomes com identidades já existentes, até porque é comum que nomes alternativos apareçam eventualmente.

Além disso, prefiro adicionar identidades em grupos de 4, pra manter a tabela certa no tamanho máximo da tela.

 

A página

Antes de começar, é necessário ler tudo ou bastante coisa sobre a identidade. Por exemplo:

  • Como arquivos de identidades definem o termo?
  • Como comunidades e blogs voltades para a identidade definem o termo?
  • Qual era a intenção de quem cunhou ao cunhar o termo?
  • Qual a etimologia do termo?
  • Em que situações pessoas usam o termo?
  • Que críticas e/ou concepções errôneas são ou foram feitas em relação ao termo, e o que faz delas erradas, ou o que aconteceu quando elas foram levadas em questão?
  • Há uma bandeira? Quais são seus significados? Quem fez a bandeira? Há motivos para não usar a bandeira?
  • Há mais de uma bandeira? Há alguma que é mais usada, ou que é mais acessível?

Depois de absorver estas informações, é hora de começar a escrever.

 

Introdução

As páginas devem começar com uma definição resumida do termo. Talvez menos resumida do que na página da lista de termos, mas o objetivo é que quem só queira ler como o termo é definido só precise ler uma frase ou um parágrafo (ou uma pequena lista, no caso de termos com mais de uma definição). Por exemplo:

 

Pessoas mir ou myr experienciam atração que pode ser descrita com mais de uma orientação do espectro assexual/arromântico/aplatônico/etc.

 

Maverique é um gênero completamente independente de gêneros binários e neutros. É caracterizado pela convicção interna e firme de que seu gênero está lá, mas que tal gênero não é homem, mulher, gênero neutro, ou qualquer combinação entre estes.

 

Depois disso, se adicionam explicações, exemplos ou informações extras. Alguém pode não entender como a identidade funciona só lendo a definição, e precisar de algo mais mastigado que ajude a compreender o termo. É preferível que os exemplos não sejam muito complexos, já que a ideia é fazer com que quem esteja lendo consiga entender como a identidade funciona. Ou seja, ao falar de uma identidade que flui entre um número indeterminado de gêneros, é melhor só usar dois ou três gêneros como exemplo, e não quinze ou dez.

Existem termos que já são cunhados acompanhados de detalhes ou explicações, ou que foram melhor explicados após a cunhagem, e isso é algo que deve aparecer nesta seção.

Aqui está um exemplo de uma explicação vinda da pessoa que cunhou o termo:

 

Ilyagênero foi um termo feito para ser mais específico do que aporagênero ou maverique, em relação a ser explicitamente definido como algo que não pode ser relacionado com gênero neutro. Também foi definido de forma que não é para ser uma posição política ou rejeição consciente de gênero, apenas descrevendo um gênero que existe mas que não é relacionado com o binário ou com neutralidade.

 

E aqui está um exemplo de detalhes/exemplos escritos com base em experiências que li de pessoas abro:

 

Algumas pessoas abro podem identificar as mudanças pelas quais passam: podem, por exemplo, se sentir gays em alguns momentos, toren em outros, e pan em outros. Outras pessoas abro podem não conseguir identificar suas mudanças, porque elas ocorrem de forma rápida ou confusa demais. Outras passam por estes dois estados, às vezes podendo identificar suas mudanças e às vezes não.

 

Controvérsias podem ser colocadas nesta seção, depois das explicações. Etimologia e nome do termo original também podem aparecer aqui.

 

Origem

Ocasionalmente, quem cunhou o termo é mencionade na introdução (na parte da explicação), mas, em geral, é só aqui que tal indivíduo ou grupo começa a ser mencionado.

Esta seção geralmente tem os seguintes dados:

  • Quando, por quem e onde o termo foi cunhado?
  • Houveram mudanças no significado do termo? (Se não, não há a necessidade de mencionar isso.)
  • Quando, por quem e onde a bandeira foi feita?

Às vezes, as controvérsias são mencionadas após falar da origem do termo e/ou da bandeira. A etimologia e o nome do termo original também podem aparecer aqui, embora isso seja raro. Tudo varia de caso em caso. Sempre priorizo ter um texto fácil de acompanhar do que seções bem definidas (tanto é que não separamos os textos em seções nas páginas em si).

 

Bandeira (e/ou símbolo, quando existente)

Após as informações básicas sobre a postagem da bandeira, geralmente são colocados os significados da bandeira. Caso a imagem em si não tenha descrição, uma descrição da bandeira é feita aqui, que inclui cores, divisões e proporções.

Se houver mais de uma bandeira, a origem é acompanhada dos significados da bandeira antes dos parágrafos sobre a bandeira seguinte. Isso conta pra símbolos também.

É possível que não haja espaço para mostrar todas as bandeiras/todos os símbolos na página (as bandeiras sempre são colocadas em 230×138 e outras imagens são redimensionadas para ocupar espaços similares, mas mantendo suas proporções). Afinal, todas as imagens são colocadas uma à direita e outra à esquerda na página inteira, de forma que duas imagens não fiquem na mesma linha, e que de preferência hajam linhas de texto sem imagem alguma na linha entre linhas com imagens.

Em tal caso, geralmente algumes bandeiras e símbolos não são mencionades, e são apenas linkades no final. Porém, se parecer importante, é possível descrever tais bandeiras/símbolos sem mostrar as imagens.

 

Informações finais

Caso tais informações não tenham aparecido ainda, a etimologia do termo pode ser mencionado, assim como os termos originais caso o termo seja uma tradução. No caso de orientações, recomendo mencionar mais de um tipo de orientação. Por exemplo:

 

Pan é o mesmo prefixo em inglês (pansexual, panromantic, panalterous, etc).

 

Geralmente coloco os links nesta ordem:

  • Blogs, grupos e organizações direcionades a pessoas que usam o termo;
  • Definições do termo;
  • Informações do/identificações com o termo;
  • Bandeiras, símbolos e informações sobre elus.

Não coloco links que sejam apenas sobre discriminação, ou que sejam de ódio contra o termo (no máximo posso colocar alguém rebatendo quem estiver criticando a identidade).

Priorizo que os links sejam de lugares inclusivos. Não vou colocar links para experiências que defendem ser cissexista (ou que perpetuam outra discriminação), ou para grupos que engajam em apagamento de outras comunidades ou experiências.

Acho importante ter vários links, porque mesmo que possam parecer repetitivos, eles indicam que a identidade foi divulgada/definida em vários lugares, e também são úteis para quando alguns dos links saírem do ar.

 

Linkbacks

Após a página ser feita, eu coloco links:

  • Na bandeira na página da lista;
  • No nome da identidade na página da lista;
  • Na página inicial, com anúncio de página nova.

Pra mudar qualquer coisa nas listas, o modo texto precisa ser selecionado antes de entrar na página de editar a lista em questão, já que sequer entrar no modo visual da edição das listas quebra a pesquisa. Caso a pesquisa seja quebrada, seu código deve ser copiado de outra lista.

A página inicial é mais complicada. Ao invés de editar páginas, deve-se criar ou usar uma postagem de blog existente, uma das que não aparecem nas páginas do blog, e que só possuem a categoria Destaque quando estão aparecendo ou Uncategorized quando não estão. A postagem de blog deve estar configurada para linkar para a página nova, ter o nome “Página nova: [nome da página]” ou similar, e uma imagem destacada de uma ou mais bandeiras da identidade em questão, em um tamanho de 530 x 318 até 1500 x 900 com a proporção 5:3.

Bandeiras em 5000×3000 não devem ser utilizadas por serem relativamente pesadas, e demorarem para carregar. Bandeiras em proporções diferentes de 5:3 vão fazer com que os destaques mudem de tamanho para cada “slide”, o que não é ideal, esteticamente.

 

Finalizando…

O motivo de tantos detalhes aqui é que eu quero que o Orientando continue mesmo se eu não puder mais fazer isso. Quero prevenir que o site passe por problemas por conta de detalhes técnicos.

Mesmo assim, qualquer pessoa pode, se quiser, enviar conteúdo para o Orientando. Quanto mais detalhes, melhor vai ser pra eu conseguir postar, e também posso dar cargos de edição caso hajam pessoas confiáveis dispostas a ajudar com o trabalho de forma regular.

Como sempre, quem se interessar pode entrar em contato, de alguma forma melhor do que pelos comentários daqui. No entanto, se você quer apenas sugerir termos para listas ou novas bandeiras, você pode utilizar este tópico.

Identidades de gênero que poderiam ser mais populares  0

Uma combinação das bandeiras gênero-dissidente, gênero-cor e paragênero.

Existem centenas de termos relacionados a gênero, e por conta de uma série de fatores – como idade, popularidade de quem fez ou espalhou tais termos e originalidade em relação a outros termos existentes – alguns vão ser mais populares e conhecidos do que todos os outros.

Nesta postagem, eu gostaria de destacar termos que vejo que poderiam se encaixar a muitas situações que presenciei, mas que são conhecidos e/ou utilizados por pouquíssimas pessoas.


Uma bandeira composta por cinco faixas horizontais, nas cores vermelha, laranja, amarela, verde e azul. Todas as cores possuem tons relativamente claros. A proporção das faixas é 2:3:8:3:2.

Bandeira centrigênero

Centrigênero se refere a qualquer gênero entre ou no meio de um ou mais gêneros. Isso significa que identidades como andrógine, neutrangi, androx e aporagine podem ser consideradas centrigêneros.

Mas além de poder agir como guarda-chuva, centrigênero dá a liberdade de alguém falar que seu gênero está entre outros sem ter que depender de cunhar uma palavra própria para isso. Alguém pode dizer que é centrigênero maverique/caelgênero, ou centrigênero nímise/femigênero/ceteroneutre/homem, por exemplo.

Também existe gênero-poção, mas o uso de centrigênero ou de gênero-poção vai depender do quanto a pessoa sente que seu gênero é apenas um ponto entre identidades diferentes em um diagrama ou uma mistura/mescla de outras identidades.


Ceterogênero é um gênero não-binário relacionado com masculinidade, neutralidade ou feminilidade. É uma identidade relativamente antiga, mas foi possivelmente ignorada por existirem outras formas de comunicar essas características, como femigênero, mascugênero e neutrois.

O que acho interessante em ceterogênero é que pode ser uma forma de dizer que a pessoa não é mulher, homem ou gênero neutro, ainda que tenha um gênero não-binário associado com características associadas com estes gêneros.

Por exemplo, identidades como mulher não-binárie/zenina e transfeminine podem informar feminilidade, mas também podem informar mulheridade, ou até mesmo uma separação de gêneros binários em sua identidade de gênero mas uma conexão com mulheridade ou feminilidade por conta de outros aspectos, como expressão de gênero, pautas políticas ou aspectos da transição. Pessoa não-binária feminina também pode acabar tendo tal abrangência. Esses são termos muito populares, e que por isso acabam sendo bastante abrangentes. Nonpuella/nonera é um gênero fortemente feminino completamente nada a ver com ser mulher, mas esta não é necessariamente a experiência da pessoa. Fingênero e femigênero informam que a pessoa possui um gênero feminino de forma mais maleável, mas colocam feminilidade como a característica primária da identidade. Por isso, ceterofeminine pode funcionar como uma identidade separada destas, sendo mais específica em alguns pontos e mais abrangente em outras.

Cinco faixas horizontais do mesmo tamanho: Roxa, rosa, cinza, azul e verde.

Bandeira ceterofluida

Além disso, é possível interpretar ceterogênero como uma espécie de identidade próxima/relacionada a femigênero, mascugênero ou gênero neutro, mas sem ser exatamente tais identidades. Juxtaneu existe (sendo que ainda é recente em comparação com ceteroneutre), mas os gêneros juxera e proxvir são mais relacionados com gêneros binários do que com feminilidade ou masculinidade por si só.

Também existe a identidade ceterofluida, que pode ser útil para quem só muda entre gêneros não-binários que podem ser classificados como ceterogêneros. Ceterofluide é um termo mais curto do que gênero-fluido entre femigênero, mascugênero e juxtaneu, por exemplo.


Empilhadore de gêneros ou hordidem é uma identidade poligênero caracterizada por alguém ir achando identidades de gênero que se encaixam e as colocando em uma “pilha”, de forma que a pessoa tem todas aquelas identidades de uma vez só (e possivelmente mais outras que não foram cunhadas ainda, que a pessoa não achou ou que nem sabe como descrever ainda).

Esta identidade é bem mais recente do que colecionadore de gêneros, um termo cunhado lá por 2015 e que é citado ou usado por bastante gente, onde a única diferença é a questão de colecionadore de gêneros ser apenas para pessoas cuja identidade de gênero muda de tempos em tempos.

Acredito que hordidem seja um termo útil por eu já ter visto muitas pessoas com dezenas de gêneros (e gêneros parciais, identidades que denotam ausência de gênero, etc.) que não se veem como pangênero por também não serem de vários gêneros e nem como colecionadoras de gênero por suas identidades não mudarem de tempos em tempos. Muitas vezes, são até pessoas que frequentemente vão atrás de termos novos para adicionar às suas pilhas, e/ou que cunharam várias identidades para poderem descrever mais aspectos da sua.


Seis faixas horizontais do mesmo tamanho, começando com três tons de rosa e seguidas por três tons de azul. As faixas vão formando um degradê, de forma que as faixas centrais são mais claras e as faixas das pontas são mais escuras.

Bandeira femacha

Femache é alguém que é homem e mulher ao mesmo tempo. Não há especificação em relação a se este é um gênero como ambonec (que pode ser visto como um gênero ou como mais de um), ou se é referente especificamente a ter os gêneros homem e mulher (como alguém bigênero desses gêneros ou poligênero que inclui esses gêneros) ou a ser algo como gênero-poção ou andrógine/centrigênero de tais gêneros.

As únicas especificações são que ume femache não é especificamente 50% homem e 50% mulher, e que femaches não precisam só ser femaches (podem ter outros gêneros também).

Esta identidade me parece útil porque são várias as pessoas bigênero homem/mulher ou com outras experiências “mulher + homem” que podem não necessariamente se encaixar em andrógine ou ambonec. Além de ser uma identidade abrangente em relação a como alguém é mulher e homem, também é mais específica do que bigênero para quem tem estes dois gêneros, já que pessoas bigênero podem ter dois gêneros quaisquer.


Gênero-cinza é alguém que é parcialmente de um gênero não-binário ou sem gênero, mas que possui uma ambivalência natural em relação ao seu gênero e/ou à sua expressão de gênero. Pessoas gênero-cinza sentem possuir gênero, e inclinação ou desejo de expressá-lo, mas tal inclinação é fraca ou indefinível/indeterminada de certa forma, ou não é sentida pela maior parte do tempo, ou a pessoa gênero-cinza não se importa muito com sua inclinação.

Embora pareça ser algo meio específico ou complexo, o termo gênero-cinza foi feito para cobrir pessoas que não são totalmente agênero/sem gênero mas que ainda se encontram num espectro similar, da mesma forma que o termo gris/gray-a foi feito para abarcar pessoas a-espectrais que sentem alguma atração.

É relativamente comum ter pessoas com um gênero fraco, ou que se consideram basicamente sem gênero mas que possuem alguma conexão com gênero. A conexão parcial com ausência de gênero e não-binaridade está na definição para que não se confunda alguém gênero-cinza com alguém cis que não liga pra gênero (uma acusação que acredito que seja mais direcionada a pessoas casgênero hoje em dia), mas acredito que a definição possa ser resumida a ser alguém com um gênero fraco ou com uma experiência similar.

Desta forma, pessoas demigênero ou nanogênero que possuem um gênero parcial por ele ser fraco (e não por serem menores/parciais em relação a outros gêneros) ou pessoas gênero-Libra que sentem que sua conexão com algum gênero está mais para uma versão fraca de um gênero podem se dizer gênero-cinza, caso queiram.


Gênero-cor é algo que acaba sendo estigmatizado apenas por ser um xenogênero, mas é um termo bastante útil. Um gênero-cor é definido por remeter a uma cor ou a coisas que a pessoa relaciona com alguma cor.

Um fundo índigo com uma roda de cores em seu centro. A cor índigo cria um espaço na roda de cores.

Bandeira gênero-índigo

A questão é que isso pode ser usado para qualquer coisa. Pode ser usado como uma associação xenina, como algo sinestésico, como algo relacionado com outras identidades de gênero existentes, etc. Por exemplo, o termo gênero-índigo pode ser usado para descrever:

  • Um gênero definido por um tipo de masculinidade relativamente formal e adulta;
  • Um gênero similar a homem, mas que contém ao menos parcialmente algum elemento de androginia nele;
  • Um gênero que remete a frutas que são doces mas que não são necessariamente muito doces, como mirtilos, uvas, ameixas e amoras;
  • Um gênero definido por libertação e criatividade em relação às concepções tradicionais de gênero;
  • Um gênero não-binário fraco que remete a um céu vazio;
  • Um gênero que remete ao frio de uma noite de inverno pelo quanto é forte e difícil de ignorar.

Isso tudo vai depender de associações pessoais com a cor, mas também de como uma pessoa pode usar uma cor para descrever uma identidade de gênero. Ainda assim, acho que deu pra perceber como a identidade é versátil!


Gênero-dissidente ou gênero-inconformista é um gênero propositalmente similar a maverique, mas que também é definido por subversão intencional das expectativas de gênero da sociedade. Sua definição completa (ainda que resumida) é:

Uma experiência de gênero não tradicional (e não-binária) caracterizada pelo senso de desconexão e independência em relação a gêneros binários, e também pela intenção de subverter as expectativas de gênero da sociedade.

O motivo que vejo esta identidade como uma que poderia ser mais popular é que maverique é um gênero popular, e muitas pessoas não-binárias falam que querem intencionalmente confundir pessoas quanto ao seu gênero ou quebrar barreiras sobre o que é gênero ou coisas assim. Caso isso faça parte de sua experiência de gênero, gênero-dissidente expressa essas duas coisas em uma identidade só.


Gênero-estrela é outra identidade que pessoas rolam os olhos só de ver o nome, por conta do estigma contra xenogêneros, especialmente gêneros com adjetivos ou substantivos no nome. Enfim, gênero-estrela pode se referir a uma destas descrições:

  • O gênero de uma estrela;
  • Um gênero que não parece ser humano ou terrestre, por estar além da compreensão;
  • Uma identidade para quem acha que, não importa quantos rótulos para gênero inventarem, nenhum deles vai encaixar.
Um fundo azul escuro com uma estrela branca em seu canto inferior direito de onde saem três faixas curvas nas cores branca, azul clara e azul em direção à esquerda. No resto da bandeira, alguns brilhos brancos podem ser vistos.

Bandeira gênero-estrela

É comum ver essa primeira definição e pensar “ah não, que ridículo, a pessoa pensa que é ou quer ser literalmente uma bola de gás” sem ver qual a lógica ou o contexto desta definição. (Aliás, existem indivíduos que são kin com estrelas, mas isso não é o que gênero-estrela descreve. Ser de um gênero comparável a algo não significa ser kin com aquela coisa, embora pessoas possam ser os dois.)

A questão é que esta identidade foi cunhada quando havia pouquíssimo vocabulário para descrever gêneros fora da tríade homem/mulher/neutre, e mesmo vocabulário já existente como aporagênero e maverique era possivelmente pouco circulado. Assim, a pessoa que cunhou gênero-estrela estava tentando descrever um gênero distante dos binários a ponto de ser “alienígena”, e que era possivelmente grande e complexo.

Mesmo assim, as divagações de quem cunhou o termo e as definições que foram espalhadas por aí abrem portas para que gênero-estrela possa ser uma identidade que esteja descrevendo:

  • Alguém cujo gênero é difícil de entender por estar além de gêneros mais conhecidos;
  • Alguém cujo gênero é relacionado com o espaço;
  • Alguém cujo gênero parece ser extraterrestre;
  • Alguém que vê seu gênero como o gênero de uma estrela;
  • Alguém cujo gênero é potencialmente neutro, mas que também inclui ao menos feminilidade e masculinidade, ao mesmo tempo;
  • Alguém cujo gênero é grande de forma que parece um pequeno universo;
  • Alguém cujo gênero não se encaixa em nenhum termo mais específico.

Isso tudo geralmente é compactado como “um gênero relacionado a espaço que é distante de gêneros binários e que é possivelmente além da compreensão humana”, mas todas estas definições podem ser motivos válidos para se dizer gênero-estrela. Aliás, não é à toa que esta deve ser uma das identidades mais populares que pode ser considerada um xenogênero.


Paragênero é uma identidade de gênero para pessoas que se sentem próximas a certo gênero, sem serem exatamente de tal gênero. Gênero- (ou gênero-menos) é alguém cuja identidade pode ser descrita como algo próximo de certo termo, mas que não se encaixa completamente nele. Um termo ou outro pode ser escolhido por preferência pessoal ou pelas particularidades da identidade de gênero de alguém, mas estes são ambos termos para identidades próximas mas que divergem de certa identidade.

Acredito que tal proximidade possa ser interpretada de várias maneiras; alguém que é para-homem ou homem- poderia ter um gênero como proxvir, mas talvez esteja mais para magi-homem, quiver-homem, melle, hxmem, androx ou neuvir, por exemplo.

Desta forma, estes termos são úteis para quem acha algum termo que quase se aplica a si, sem se ver completamente como tal termo. Tem um gênero não-binário feminino, mas que não é exatamente só feminino? Dá pra dizer que é parafemigênero ou parafeminine (ou paraceterofeminine, parafingênero, etc). Tem um gênero meio ambíguo ou indefinido, mas que ao mesmo tempo não parece ser completamente bem descrito por isso? Dá pra dizer que é nímise-. Tem uma experiência de gênero que parece alienígena, grande e complexa, mas não quer usar o termo gênero-estrela por parecer descrever bem mais do que isso? Dá pra se dizer estrela-menos.

Muitas pessoas usam o termo demigênero para isso, por ser mais conhecido, mas quem quer evitar a conotação de seu gênero ser parcialmente algo ao invés de ser completamente algo, só que algo diferente/adjacente pode usar paragênero e/ou gênero-.


4 faixas horizontais na proporção 22:13:11:10. Suas cores são amarela clara, laranja, vermelha e marrom avermelhada.

Bandeira vanabrela; fogo/calor

O sistema vanabrela (ou vanabrella, vanarela ou vanarella) foi cunhado como uma forma de falar sobre algum xenogênero que é de alguma forma relacionado a algo, de forma abrangente ou específica.

Isso significa que, se uma pessoa só quer descrever que seu gênero é relacionado ou comparável a algo como, por exemplo, fogo, chuva, arrepios, pétalas caindo ou o que for, sem especificar além disso, a pessoa só precisa dizer que seu gênero é vanarela (fogo), vanabrella; chuva, vanarella – arrepios, vanabrela [pétalas caindo], etc.

Embora ainda termos mais específicos ainda sejam úteis em vários casos, o sistema vanabrela ajuda quem só quer descrever seu gênero como alguma palavra ou expressão curta. Assim, qualquer pessoa que saiba o que é vanabrela vai entender do que o gênero se trata, quando teria que pesquisar ou perguntar caso um termo mais específico fosse usado.

Uma pessoa que usa esse sistema pode ser chamada de vanabrélica.


Espero que esta lista tenha ajudado mais pessoas a considerarem usar ou espalhar informações sobre estas identidades de gênero. Todos estes termos estão em nossa lista de identidades não-binárias, embora vários destes não tenham páginas específicas.

Fontes: