Um espaço de aprendizagem

Pan

Bandeira pansexual, muitas vezes utilizada como bandeira pan

Bandeira pansexual, muitas vezes utilizada como bandeira pan

Uma pessoa pan sente atração por pessoas de qualquer identidade de gênero, ou sente atração que não é determinada por gênero.

A diferença entre estas duas definições é que, na primeira, o gênero é um fator importante para a atração, e, na segunda, gênero é irrelevante, a atração não muda com desconhecimento ou conhecimento do gênero de cada pessoa. Por isso, algumas pessoas pan possuem preferência por certa(s) identidade(s) que influencia a atração, enquanto outras não veem como isso pode ser possível.

Mesmo que uma pessoa pan seja atraída por pessoas sem que gênero seja um fator, ela pode ter o tipo de preferência que não realmente influencia na atração, só na escolha; como uma mulher que não quer ter relacionamentos com homens por ter tido más experiências no passado, ou como uma pessoa sem gênero não querendo ter relacionamentos com pessoas com gêneros por medo de invalidação.

Também com relação à conotação de atração que não é determinada por gênero, é comum haverem pessoas assexuais que inicialmente pensaram ser pansexuais, e vice-versa.

Ocasionalmente, esta orientação (ou parte dela) é definida como “atração independentemente do gênero”, mas esta definição é considerada ofensiva por algumas pessoas, que veem ela como uma afirmação de que a pessoa pan é incapaz de reconhecer o gênero alheio ou de se importar com a identidade de gênero de outras pessoas. Atualmente, esta parte da definição é muitas vezes substituída por alguma variação de “gênero não ser fator determinante na atração”.

Símbolo pan com cores da bandeira pansexual

Símbolo pan com cores da bandeira pansexual

A identidade pansexual surgiu na década de 80 ou 90, mas definitivamente começou a ficar mais popular no final dos anos 90 e início dos anos 2000, como uma alternativa mais inclusiva do que bissexual.

Isso porque foi nesta época que a comunidade queer dos Estados Unidos passou a interagir por correio, com o enfraquecimento das comunidades físicas locais. Assim, várias pessoas com experiências completamente diferentes em relação à comunidades LGBTQIAP+ começaram a interagir.

Nestas interações, obviamente houve choque cultural: algumas pessoas nem sabiam sobre a existência de pessoas trans ou genderqueer, enquanto outras já estavam acostumadas com incluí-las em relação a orientações.

E assim, algumas pessoas bissexuais cis insistiam que sentiam atração apenas por mulheres e homens “de verdade” – isto é, cisgênero – e, como a sociedade no geral também geralmente possui essa visão, ela começou a ficar cada vez mais comum e popular dentro da comunidade bi.

Antes, bi era mais um rótulo para quem “gosta de quem quiser” ou para quem “não é nem gay, nem hétero”. Agora, bi era um rótulo que dava a ideia de exclusão de pessoas não-cis, mesmo aquelas que se identificavam como bi faziam anos.

Então, a parte inclusiva da comunidade bi tomou dois caminhos: um sendo a redefinição da identidade bi como inclusiva para pessoas trans, e o outro sendo o corte de laços com a comunidade bi e a criação de uma identidade/comunidade mais claramente inclusiva.

E é assim que várias pessoas começam a se identificar como pan, que virou um símbolo de aceitação trans.

Hoje em dia, é mais fácil de pessoas entenderem que bi não é só atração por homens e mulheres, e muito menos atração por pessoas cis, mas a identidade pan ainda é importante como algo distinto de bi.

Bandeira panromântica

Bandeira panromântica

Isso não significa que a comunidade pan seja perfeita: a expressão utilizada para descrever pessoas pan “corações, não partes” deixa implícito que pensam em gêneros como “partes” (genitália) e/ou que pessoas que não são pan só veem partes do corpo como motivo de atração. A ocasional proclamação de “não ver gênero” pode ser cissexista. A outra ocasional proclamação de que pessoas pan “não discriminam entre gênero ou sexualidade” diz que pessoas que não são atraídas independentemente de gênero “discriminam” contra pessoas de certas identidades, e que pessoas que não são pan obrigatoriamente ligam para a orientação alheia.

Porém, as críticas em relação à comunidade pan por “definirem atração por pessoas trans de forma diferente de pessoas cis”, “deixar implícito que pessoas de outras orientações não podem sentir atração por pessoas trans/por todos os gêneros” ou outras similares são ou baseadas em usos específicos de pan por pessoas mal informadas/intencionadas ou baseadas na vontade de ~problematizar~ pessoas pan só por quererem usar pan ao invés de outro rótulo.

A bandeira pansexual foi criada por Jasper (justjasper no Tumblr) em 2010, pelo blog Pansexual Flag. Composta por três faixas horizontais de mesmo tamanho, sendo uma rosa, uma amarela, e outra ciano, sua beleza foi um fator fundamental para que outras alternativas ficassem para trás.

O significado da faixa rosa é mulheres, o significado da faixa amarela é pessoas não-binárias, e o significado da faixa azul é homens. A pessoa que criou a bandeira confirmou que ainda que seja legal a interpretação de magenta, amarelo e ciano formarem todas as outras cores, não foi algo que foi pensado quando a bandeira foi criada.

Símbolo panromântico

Símbolo panromântico

Existe também um símbolo pan, um P estilizado cuja ponta termina em uma cruz e uma seta (como os símbolos de masculino e feminino).

E temos uma bandeira panromântica, composta por quatro faixas horizontais de igual tamanho, nas cores azul, verde, laranja, e rosa. As cores representam pessoas de gênero masculino, de gênero neutro ou sem gênero, com gêneros fora do binário ou entre masculino e feminino e de gênero feminino, respectivamente. A bandeira foi postada no blog Pride Flags For Us em 24 de maio de 2015, e foi enviada por nepkrisprite no Tumblr.

É importante notar, porém, que a bandeira panromântica não é muito conhecida; o uso da bandeira pansexual como uma bandeira pan geral é bem mais comum.

Pan é o mesmo prefixo em inglês (pansexual, panromantic, panalterous, etc).


Links adicionais: