Um espaço de aprendizagem

Alonorma tóxica: Recorte racial dentro da assexualidade  0

Bandeira assexual feita por InspectorCaracal. É um retângulo dividido em três faixas diagonais que vão do canto superior direito até o canto inferior esquerdo, nas cores preta, roxa e cinza clara.

 

Esta postagem foi escrita por Sara Hanna, do Coletivo Abrace.


Alornorma (e sexonorma) é o que impõe que só se é adulte saudável quando sente atração e pratica relações sexuais.

Um exemplo clássico para entender como alonorma (fazendo combo com heteronorma e amatonorma) é desejável e imposta desde que somos crianças é que muitas pessoas foram constrangidas quando pequenas a darem beijo, segurar mão ou qualquer contato físico em algume coleguinha (sendo de outro gênero) contra sua vontade, em rodas onde adultos comentavam que eram namoradinhes. Algo bem traumático e abusivo, na verdade, mas que é extremamente naturalizado como “apenas brincadeira”.

Existe uma série de problemas que surgem desta premissa (sugiro que veja a postagem anterior sobre alonorma para ter mais informações), mas aqui gostaríamos de fazer o recorte racial para deixarmos explícitas algumas questões específicas que fazem com que a alonorma seja ainda mais tóxica para corpos racializados.

Racismo nas atrações românticas e/ou sexuais é algo geralmente visto como a repulsa a pessoas que fogem do estereótipo de aparência eurocentrado como padrão de beleza, e sim, isso também é racista. No entanto, o racismo tem inúmeros braços e não à toa permeia todas as esferas da sociedade, então ele pode também se apresentar de uma forma muito cruel, pois se veste de “herói” quando apresentado: o racismo objetificador.

Digo cruel pois é fantasiado de elogios sobre a aparência, principalmente sobre os corpos, de pessoas racializadas. Aliás, estes corpos são vistos apenas como corpos, algo desligado de sua personalidade, cultura, histórico ou o que faça da pessoa indivíduo (isso é a objetificacão, algo que torna alguém um adorno ou passível apenas de desejo de consumo, admiração ou posse, retirando no imaginário sua essência, discernimento e capacidade de consentir).

Por muito tempo a naturalização da objetificação de corpos negros, principalmente, como foco de desejo sexual ilustrou bem isso. E para todos os grupos considerados grupos étnicos diferentes dos padrões europeus, existe essa objetificação.

Existe uma forte fetichização de mulheres do leste da Ásia; erotização de corpos de pessoas árabes desde a infância, onde meninas são vistas como dançarinas do ventre e meninos viris; expectativa sobre tamanhos de órgãos genitais de homens ou pessoas lidas homens negras e árabes, enfim, são inúmeros exemplos de como a alonorma e a sexonorma são, além de machistas, gordemísicas, capacitistas, muito racistas.

Pessoalmente, como uma pessoa lida mulher e descendente de árabes ouvia desde criança de homens adultos que iam me trocar por camelos, ou que eu devia rebolar bem, pois árabes dançavam dança do ventre, piadas sexuais sobre “meu povo” ter sangue quente ou me pedirem em casamento, porque “na minha terra” as meninas podiam casar com 9 anos de idade (Embora eu seja brasileira, sempre deixavam muito claro que em algum outro lugar eu tinha um “meu povo”, “minha gente”, “minha terra”, e eu não entendia o que isso queria dizer). Já ouvi mulheres negras dizendo que ouviam coisas semelhantes na infância, também coisas muito além disso, e que igualmente deviam saber rebolar e sambar. Homens negros, inclusive gays, vivem recebendo insinuações sobre tamanho de pênis. Mulheres do leste da Ásia ou descendentes, que são vistas como bonecas humanas, que se pode fazer tudo sem consentimento, e os homens leste-asiáticos têm constantemente seus corpos sendo motivos de chacota, desde a estatura ao tamanho de seus pênis … Enfim, inúmeros casos podem ser citados, mas o que se critica aqui é a estrutura disso, é a norma social que naturaliza que corpos sejam vistos como sexuais sem consentimento, menosprezados, ou que para alguns corpos só restem interações sexuais, pois estes corpos não são vistos como parte de alguém com consciência, gostos, um conjunto de vivências e particularidades como outros, e principalmente, com direito a dizer “não”.

Se uma pessoa tem seu corpo objetificado a vida toda sem consentimento isso pode afetar todas suas interações, algumas vezes de forma permanente. Se além disso não for branca e for assexual, pode passar por experiências específicas, por isso o recorte se fez necessário.

Você pode se perguntar ‘por quê isso tem a ver com alonorma e sexonorma e não só com racismo?’, porém basta se perguntar de onde vem a ideia de que é preciso sempre ter uma opinião sobre a aparência das pessoas? Dizer se acha ou não alguém atraente? Onde é formada a noção de “atração física” ser algo relevante para todas as interações humanas entre adultes (até profissionalmente as pessoas são analisadas e classificadas como atraentes ou não) e se você não sente essa atração é infantil ou moralista? Onde se cria a ideia de que só quem é saudável é quem sente atração sexual e quem não sente é doente? E que corpos são mais rejeitados? E quais são mais objetificados? De várias formas somos ensinades a erotizar, sexualizar, desejar, paquerar, como regra social, e sendo a sociedade racista, evidente que dentro dessas interações existam peculiaridades reservadas aos grupos que não estão nesse padrão racista.

A alonorma e sexonorma são tóxicas e naturalizam isso quando a sociedade acha normal que estereótipos raciais ainda sejam veiculados em comerciais, livros, filmes, jornais, revistas, novelas, e não se faz barulho contra isso, não se para de consumir, de assistir, de apoiar de qualquer forma… E sei que há quem argumente que existem atrizes cis, hétero e brancas que também são sexualizadas, por exemplo, mas aí a crítica seria ao machismo estrutural que impõe que corpos lidos femininos sejam sempre representados de forma erotizada, não cabendo por muito tempo às mulheres muitas alternativas para serem respeitadas senão imitando alguns comportamentos da masculinidade vigente. Porém aqui o recorte é só racial. Futuramente faremos o recorte de gênero, pois infelizmente a alonormatividade é tóxica em várias esferas.


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Algumas cunhagens de 2020  0

Na imagem acima, podem ser vistas bandeiras leux, exparmasculina, queegênero, de quem sente atração fixual, urbanox, excentrigênero, forte, coexta, feminec e pluruna.

Esta é uma compilação de alguns dos vários termos relacionados a ser LGBTQIAPN+ cunhados no ano de 2020.

Como vários termos estão sempre sendo cunhados, não há como acompanhar tudo em nossas listas e outras páginas informativas; e esta nem é nem nunca foi nossa prioridade. Alguns dos termos daqui já foram colocados em outras páginas, outros talvez sejam no futuro, e outros podem acabar não recebendo nenhum destaque além desta postagem.

 


 

Um retângulo composto por 17 faixas verticais em várias cores, sendo a do meio mais grossa do que as outras, e sendo que as cores das faixas da direita e da esquerda são espelhadas.

Bandeira forte

Forte- é uma orientação para pessoas cuja atração é baseada nas chances de ter um relacionamento com alguém. Enquanto pessoas procul só sentem atração por pessoas distantes ou personagens, pessoas forte sentem atração por pessoas que seriam capazes de ter um relacionamento com elas.

Isso não significa que, por exemplo, uma pessoa forterromântica precise saber que outra pessoa sinta atração por ela para começar a sentir atração. Basta saber que a pessoa é compatível em relação à proximidade, à orientação e/ou ao que a pessoa busca em um relacionamento.

Forte é uma orientação a-espectral. Foi cunhada em 27 de outubro por Dödstöld Package. Quem sabe alguém que se sinta desta forma cunhe um nome mais adequado para usar na língua portuguesa?


Um retângulo composto por 7 faixas horizontais do mesmo tamanho, sendo as três primeiras turquesas de um tom mais escuro até o mais claro, a faixa central branca e as três últimas faixas vinho, de um tom mais claro até um mais escuro.

Bandeira hélix

Hélix- é uma orientação para quem não consegue distinguir tipos de atração entre si por conta de neurodivergência.

Por exemplo, uma pessoa helixsexual pode não conseguir distinguir atração sexual de sensorial ou de outras atrações físicas por ser autista. Como outro exemplo, uma pessoa helixromântica pode não conseguir entender se o que sente é atração romântica, sexual, alternativa ou de outro tipo por sua neurodivergência.

Hélix é uma neuro-orientação, ou seja, uma orientação restrita a pessoas neurodivergentes por só funcionar para pessoas neurodivergentes. Também é uma orientação mais abrangente do que nébula, que tem um conceito parecido.

A cunhagem de hélix foi feita em 31 de julho por Ekene/Lexis.


Um quadrado composto por cinco faixas horizontais na proporção 6:4:5:4:6, nas cores verde, verde clara, cinza clara, roxa clara e roxa.

Bandeira ironetiana

Ironetiane é uma orientação para mulheres e pessoas não-binárias confortáveis com isso que sentem atração por pessoas que se encaixam em tal descrição, de forma que exclui completamente homens e pessoas não-binárias alinhadas com o gênero homem.

Foi um termo cunhado principalmente para pessoas que se viam/veem como lésbicas, mas que, por tal rótulo ser usado por lésbiques multi que sentem atração por homens (resgatando a ideia de usar lésbique do mesmo jeito que se usa sáfique), ou por lésbiques não-bináries que são parcialmente homens, preferem ter um rótulo separado que não possa incluir homens ou atração por homens por definição.

Ironetiane é uma orientação inclusiva de pessoas não-binárias (inclusive, as duas pessoas que cunharam o termo são não-binárias), ao mesmo grau que o termo lésbique não-binárie é; ou seja, nem todas as pessoas não-binárias vão se sentir confortáveis com o termo, nem as que também são trixen ou feminamóricas. Também inclui lésbiques que são inconformistas/não-conformistas de gênero e/ou linguagem, mulheres trans, pessoas transfemininas não-binárias e/ou pessoas transmasculinas (porque ser transmasculine não significa necessariamente ter a ver com ser homem).

Não foi um termo feito por pessoas que odeiam homens, quem sente atração por homens ou quem sente atração por múltiplos gêneros, e sim uma tentativa de cunhar um rótulo confortável para quem não quer associar a própria identidade com ser possivelmente homem ou atraíde por homens. Também não foi um rótulo feito para atacar lésbiques de qualquer tipo.

O termo ironetiane foi cunhado 3 de julho por Orchid e Naib.


Leux- é uma orientação vaga ou neblinosa que “foge” da pessoa que a tem quando ela tenta entendê-la. Esta orientação está sempre mudando, e não é possível que uma pessoa leux especifique por quem se atrai sem que sua orientação mude.

É uma orientação fluida, como abro ou merc, mas também tem uma ênfase extra na indefinição, como sans ou até mesmo cáligo.

Esta orientação foi cunhada em 20 de fevereiro por Dexter.


Um retângulo composto por 5 faixas horizontais, sendo que a primeira e a última são mais altas do que as outras. Suas cores são roxa, azul clara, cinza clara, azul clara e verde.

Bandeira pluruna

Pluruna- é uma orientação que descreve membres de sistemas que só sentem atração por quem está em seu próprio sistema ou em outro sistema específico, sem sentir atração fora de tais sistemas.

Para entender o que é multiplicidade (o que é fundamental para saber ao que esta orientação se refere), tem um artigo na Wikipédia (mal traduzido no momento) sobre isso, assim como recursos melhores em inglês sobre o assunto.

A orientação pluruna foi cunhada 15 de junho pelo sistema CS&G.


Atração fixual é um tipo de orientação definido por ter uma hiperfixação, um interesse especial ou outra conexão profunda baseada em neurodivergência direcionada ao alvo da atração.

Esta não é uma orientação equivalente a pan ou demi, e sim um tipo de atração, como atração sexual, romântica ou estética. Alguém pode ser, por exemplo, assexual, arromântique, aplatônique e torenfixual.

Este tipo de atração também pode ser usado por pessoas que não têm certeza sobre que tipo de atração estão sentindo por conta de sua hiperfixação ou similar. O equivalente a “crush” (queda) de atração fixual é fush.

O termo foi cunhado em 1 de setembro por Luigra.

Retângulo composto por 7 faixas horizontais na proporção 2:1:1:4:1:1:2. Suas cores são rosa, rosa clara, branca, roxa, branca, rosa clara e rosa.

Bandeira exparfeminina


Exparfeminine se refere a alguém intersexo que se sente conectade a experiências transfemininas mesmo que tenha sido designade mulher ao nascimento, por conta de ser intersexo.

Exparmasculine se refere a alguém intersexo que se sente conectade a experiências transmasculinas mesmo que tenha sido designade homem ao nascimento, por conta de ser intersexo.

Como são termos equivalentes a transfeminine e transmasculine, podem ser usados como identidades de gênero, modalidades de gênero ou rótulos à parte destas categorias.

Por exemplo, uma pessoa pode dizer que exparmasculine (ou exparmasculine não-binárie) é seu gênero (assim como termos como transmasculine e transneutre podem ser usados como gêneros); outra pessoa pode categorizar sua identidade de gênero somente como agênero e usar exparmasculine como algo que informa sua expressão de gênero; outra pessoa pode usar algo como homem não-binárie exparmasculine no lugar do que outras pessoas preencheriam como pessoa trans não-binária ou homem ipsogênero.

Os termos em questão foram cunhados por Doc em 28 de novembro.


Um retângulo de 7 faixas horizontais do mesmo tamanho nas cores amarela, amarela clara, branca, azul, cinza escura e preta.

Bandeira advenagênero para pessoas designadas homens ao nascimento

Advenagênero é outro termo para pessoas intersexo; desta vez para pessoas que se identificariam com ou como os gêneros que lhes foram designados ao nascimento – ainda que não necessariamente de forma cis ou binária – mas que não conseguem fazer isso por conta de como diadismo as alienou desses gêneros e de pessoas perissexo que se identificam de forma parecida.

Advenagênero pode ser uma forma de ressignificar tal gênero designado independentemente do que pessoas perissexo pensam sobre quem se encaixa nele. Desta forma, pessoas podem se dizer advenamulheres, advenamasculinas, advenafemininas ou afins (é a própria pessoa intersexo que escolhe qual dos termos é apropriado com base no que ela tem em comum com seu gênero designado).

Este termo foi cunhado por uma mulher não-binária que se vê como advenavir (vir é latim para homem), mas que não se vê como alguém com experiência transmasculina. 🦋 se chama Georgia e cunhou advenagênero em 18 de agosto.


Um retângulo composto por três faixas verticais do mesmo tamanho, nas cores cinza clara, cinza escura e amarela clara.

Bandeira coexta

Coexta descreve alguém cujo relacionamento com gênero é vago e/ou inconsistente. É alguém que às vezes sente que gênero não se aplica a si, mas que outras vezes sente que pode ter um gênero, ainda que não entenda qual é o gênero que está experienciando.

O gênero de alguém coexta nunca parece masculino, feminino ou fortemente relacionado a algo, e por conta disso é difícil ou impossível de descrevê-lo de forma precisa.

Coexta difere de termos como demigênero e poliagênero porque a flutuação tem a ver com a ideia de gênero em si só, não necessariamente com não ter gênero. Desta forma, talvez uma comparação mais próxima seja apofluxo, mas a postagem da cunhagem compara coexta com gênero-cinza, gênero-vago e quoigênero.

Coexta é um adjetivo (se diz uma pessoa coexta e não ume coexta). Este termo foi cunhado por Oz em 28 de fevereiro.


Excentrigênero (termo original: eccentrigender) é um gênero baseado em exagero, codificação queer, melodrama e outros atributos associados com vilanes/antagonistas. Também é associado com androginia, mas não é necessário ser andrógine ou se identificar de forma andrógina para se identificar com este gênero.

Este termo foi cunhado por alguém anônime em uma postagem que foi publicada 18 de outubro.


Expressão de gênero é uma forma de rotular a maneira que alguém se veste, se parece e age. Assim como identidade de gênero, é possível alguém rotular a própria expressão de gênero, e isso importa mais do que outras pessoas vendo de fora consideram que é a expressão de gênero da pessoa. Alguns exemplos de expressões de gênero podem ser encontrados neste tópico.

Inconformidade de gênero, não-conformidade de gênero e outros termos similares significam que alguém tem uma expressão de gênero diferente da esperada. Por exemplo, um homem que gosta de usar vestidos e maquiagem no dia-a-dia pode querer se dizer inconformista de gênero.

Inconformidade de gênero não é um conceito novo; muitas pessoas com experiências trans e não-binárias historicamente só sabiam que eram inconformistas de gênero, especialmente quando a ideia de ser trans era ser uma pessoa binária hétero rica que tinha acesso a cirurgias para “virar seu gênero de verdade”. Além disso, muitas pessoas heterodissidentes se sentem mais em casa quebrando padrões de gênero, e isso inclui pessoas binárias independentemente de suas modalidades de gênero.

Um retângulo composto por 7 faixas horizontais do mesmo tamanho. Suas cores são turquesa, turquesa escura, roxa escura, roxa, rosa escura, rosa e rosa clara.

Bandeira feminec

Enfim, feminec é um gênero homem que está profundamente ligado à inconformidade de gênero feminina da pessoa. Alguém que é feminec vê sua inconformidade de gênero feminina como parte de seu gênero, e não apenas de sua expressão de gênero.

Este termo foi cunhado por Dexter a pedido de uma pessoa anônima em 13 de março. A postagem com sua bandeira e definição se encontra aqui.

Feminec também inspirou uma série de outros termos:

  • Neutranec, um gênero homem ligado profundamente a uma inconformidade de gênero neutra;
  • Formarenec, um gênero homem ligado profundamente a uma inconformidade de gênero;
  • Formarenec-fluxo, um gênero homem flutuante (ver: gênero-fluxo, quivergênero) ligado profundamente a uma inconformidade de gênero, sendo que esta pode mudar de tempos em tempos (entre feminina e neutra, por exemplo), e é possível que a pessoa mude entre ser inconformista e conformista de gênero de tempos em tempos;
  • Mascugen, um gênero mulher ligado profundamente a uma inconformidade de gênero masculina;
  • Neutragen, um gênero mulher ligado profundamente a uma inconformidade de gênero neutra;
  • Formaregen, um gênero mulher ligado profundamente a uma inconformidade de gênero;
  • Um retângulo composto por 7 faixas horizontais do mesmo tamanho, nas cores rosa clara, rosa, rosa escura, roxa escura, turquesa, verde e amarela clara.

    Bandeira formaregen-fluxo

    Formaregen-fluxo, um gênero mulher flutuante ligado profundamente a uma inconformidade de gênero, sendo que esta pode mudar de tempos em tempos, e é possível que a pessoa mude entre ser inconformista e conformista de gênero de tempos em tempos;

  • Femigec, um gênero neutro ligado profundamente a uma inconformidade de gênero feminina;
  • Mascugec, um gênero neutro ligado profundamente a uma inconformidade de gênero masculina;
  • Formaregec, um gênero neutro ligado profundamente a uma inconformidade de gênero;
  • Formaregec-fluxo, um gênero neutro flutuante ligado profundamente a uma inconformidade de gênero, sendo que esta pode mudar de tempos em tempos, e é possível que a pessoa mude entre ser inconformista e conformista de gênero de tempos em tempos;
  • Mascunec, um gênero homem ligado profundamente a uma inconformidade de gênero masculina. Embora ter inconformidade de gênero masculina sendo homem pareça sem sentido, masculinidade queer pode subverter as expectativas sociais direcionadas a homens.
  • Femigen, um gênero mulher ligado profundamente a uma inconformidade de gênero feminina. Embora ter inconformidade de gênero feminina sendo mulher pareça sem sentido, feminilidade queer pode subverter as expectativas sociais direcionadas a mulheres.
  • Femipraes, alguém cuja expressão de gênero feminina é uma parte importante de seu gênero mesmo que seu gênero não seja nada feminino;
  • Mascupraes, alguém cuja expressão de gênero masculina é uma parte importante de seu gênero mesmo que seu gênero não seja nada masculino;
  • Neutrapraes, alguém cuja expressão de gênero neutra é uma parte importante de seu gênero mesmo que seu gênero não seja nada neutro.

Estes três últimos termos foram cunhados em 12 de dezembro.


Retângulo composto por 7 faixas horizontais do mesmo tamanho. Suas cores são verde água, turquesa, turquesa escura, branca, vermelha escura, vermelha e vermelha clara.

Bandeira gênero-geodo

Gênero-geodo é um gênero composto por uma concha base que contém subtipos de/identidades parecidas com tal gênero.

Então, por exemplo, ume mulher gênero-geodo ou mulher-geodo pode ter gêneros como mulher, juxera, mulher-vague, ginx, neulier e libramulher.

Esta é uma identidade poligênero, mas também pode ser tratada como um gênero só, como gênero-poção. Independentemente de tratar esta identidade como um gênero ou como um conjunto de gêneros, é possível usá-la como um subgrupo de gêneros dentro da identidade de gênero de alguém que tem mais gêneros; por exemplo, alguém pode dizer que é gênero-fluido entre aueegênero-geodo, neutrois e zenino.

O termo gênero-geodo foi cunhado em 7 de fevereiro por gendergeode no Tumblr.


Um retângulo composto por 6 faixas verticais, nas cores roxa escura, roxa, bege, roxa e roxa escura. Proporção 1:1:2:1:1, aproximadamente. No centro da bandeira, ocupando todo o seu espaço vertical, encontra-se uma silhueta estilizada preta de poste de luz, que é simétrica e bem fina.

Bandeira urbanox

Urbanox é um xenogênero e estetigênero definido por sua conexão com luzes noturnas em uma cidade. Tem a ver com o efeito combinado de luzes de janelas de prédios, postes de luz, luzes de carros e luzes refletidas pela água no pavimento.

Este gênero pode ser calmo, fresco (no sentido de vento fresco) e relacionado aos sons de uma cidade, como sirenes, carros dirigindo e vento. Em algumas noites, inclui raios gentis de luz da lua iluminando o vapor que sobe dos esgotos e se dissipa no céu noturno.

Urbanox pode ser um gênero nostálgico e solitário, mas também confortável. Não é inerentemente gênero-fluido ou gênero-fluxo, mas pode ser. Pode ter quaisquer atributos ligados a gênero, mas a pessoa que cunhou urbanox experiencia neutralidade neste gênero.

Leaf cunhou urbanox em 4 de setembro.


O conceito de ambiguidade de gênero não é realmente algo novo, mas a cunhagem de AmEE (ambígue em essência) para abrigar identidades e experiências com esta característica é.

Ambiguidade de gênero é uma característica que significa que o gênero está aberto a várias interpretações, ou que não se conforma com nenhuma interpretação. Alguns exemplos de identidades de gênero ambíguas são nímise, livre de gênero e ambiguine.

A postagem explicando este conceito desta forma foi feita em 12 de maio por variant-archive no Tumblr.


Sete faixas horizontais, sendo que a faixa central possui o dobro do tamanho das outras, nas cores verde clara, amarela, amarela clara, branca, salmão, marrom clara e vermelha.

Bandeira aueegênero ou auingênero

AuEE (autônome em essência) é também uma cunhagem que inclui identidades que já existiam antes, como egogênero e maverique.

Autonomia de gênero descreve uma qualidade definida por autodeterminação e independência de outros conceitos de gênero. Uma pessoa com um gênero autônomo pode dizer que seu gênero é definido em seus próprios termos, emancipado ou livre de outros gêneros, de seus papéis, de suas categorizações e/ou de suas expressões.

Ter uma identidade caracterizada por autonomia de gênero significa ter uma identidade pessoal e íntima, o que significa que identidades assim podem ser expressadas e sentidas de formas diferentes por pessoas diferentes. Pessoas podem ver sua autonomia de gênero como o resultado de agir livremente em relação à sua identidade e expressão, e podem ver seus gêneros como algo que “simplesmente é”, que poderiam ser descritos como características pessoais que fazem dessas pessoas únicas.

A cunhagem deste conceito como uma categoria para gêneros se origina na cunhagem de cunêusique/kunneusik, um gênero com elementos autônomos e neutros que são ambos fracos e/ou indefinidos cunhado em 17 de fevereiro, que foi baseado em verneu/verrneu, um termo cunhado em 26 de dezembro de 2017.

Um retângulo composto por 4 faixas horizontais, nas cores verde escura, branca, amarela e verde.

Bandeira neutrique

Isso fez com que, mais pra frente, ume anônime tenha enviado uma pergunta para forgotten-mogai no Tumblr sobre querer algo como cunêusique sem o elemento de indefinição, o que fez com que Gent do Tumblr gender-resource respondesse com a cunhagem de Neutrique, um gênero autônomo e neutro em 28 de abril.

No dia 30 de abril, Gent postou uma lista de gêneros autônomos cunhados juntamente com Kaut (arco-pluris no Tumblr). Uma resposta explicando melhor o que é autonomia de gênero foi feita em 3 de maio, e a postagem sobre aueegênero foi feita em 12 de maio.

Definições traduzidas de alguns aueegêneros podem ser encontradas aqui.


Em 17 de maio, variant-archive fez uma postagem sobre Q(U)IN (queer in nature/por natureza), ou seja, QuEE (queer em essência). Esta seria outra característica relacionada a gênero, desta vez baseada em queer e genderqueer.

Uma bandeira de 7 faixas, nas cores roxa escura, roxa, roxa clara, branca, verde clara, verde e verde escura. A faixa branca é maior do que as outras.

Bandeira queegênero, quingênero ou qingênero.

É uma categoria relativamente aberta. A pessoa que cunhou diz que é similar a aporinidade e xeninidade, ao menos em relação ao seu próprio gênero que é queer, mas acredito que qualquer identidade de gênero que envolva algum tipo de queeridade ou inconformismo em relação à di/cis/heteronorma possa dizer que seu gênero é queer em essência. Gent faz apontamentos similares aqui.

 


 

Esta foi uma amostra dos termos cunhados neste ano! Eu adoraria fazer uma retrospectiva assim todos os anos, mas elas levam tempo e organização. Veremos se eu conseguirei fazer uma no ano que vem.

O processo de criação de novas páginas do Orientando  0

Uma captura de tela parcial da lista de identidades não-binárias.

Caso alguém tenha interesse, é este o processo que uso para fazer qualquer página específica que descreve algum termo, como neurálique ou não-binárie. Cada identidade pode ter as próprias particularidades, então nem sempre suas páginas são escritas desta forma, mas a maioria das páginas segue o esquema.

Ao final do texto, caso hajam dúvidas sobre como páginas são formatadas em alguma questão não mencionada, sugiro recorrer a estudar as páginas existentes, especialmente as mais recentes.

 

A identidade já está na lista?

Para que a página possa ser linkada em sua respectiva lista, a identidade já precisa estar lá.

Identidades são adicionadas às listas por serem:

  • Bem definidas (ou seja, possíveis de explicar);
  • Separadas o suficiente para terem o próprio lugar na lista;
  • Relevantes o suficiente para que elas sejam colocadas na lista ao invés de outras (mais identidades são cunhadas a cada semana e não faço questão de incluir as que são extremamente específicas e não utilizadas por ninguém);
  • Livres de racismo, cissexismo, diadismo, xenomisia, misoginia, capacitismo, gordemisia e afins. É possível que identidades sejam acusadas de justificarem ou perpetuarem tais opressões, desde que hajam defesas coerentes que apontem que isso não seja verdade.

Também evito colocar identidades que compartilham nomes com identidades já existentes, até porque é comum que nomes alternativos apareçam eventualmente.

Além disso, prefiro adicionar identidades em grupos de 4, pra manter a tabela certa no tamanho máximo da tela.

 

A página

Antes de começar, é necessário ler tudo ou bastante coisa sobre a identidade. Por exemplo:

  • Como arquivos de identidades definem o termo?
  • Como comunidades e blogs voltades para a identidade definem o termo?
  • Qual era a intenção de quem cunhou ao cunhar o termo?
  • Qual a etimologia do termo?
  • Em que situações pessoas usam o termo?
  • Que críticas e/ou concepções errôneas são ou foram feitas em relação ao termo, e o que faz delas erradas, ou o que aconteceu quando elas foram levadas em questão?
  • Há uma bandeira? Quais são seus significados? Quem fez a bandeira? Há motivos para não usar a bandeira?
  • Há mais de uma bandeira? Há alguma que é mais usada, ou que é mais acessível?

Depois de absorver estas informações, é hora de começar a escrever.

 

Introdução

As páginas devem começar com uma definição resumida do termo. Talvez menos resumida do que na página da lista de termos, mas o objetivo é que quem só queira ler como o termo é definido só precise ler uma frase ou um parágrafo (ou uma pequena lista, no caso de termos com mais de uma definição). Por exemplo:

 

Pessoas mir ou myr experienciam atração que pode ser descrita com mais de uma orientação do espectro assexual/arromântico/aplatônico/etc.

 

Maverique é um gênero completamente independente de gêneros binários e neutros. É caracterizado pela convicção interna e firme de que seu gênero está lá, mas que tal gênero não é homem, mulher, gênero neutro, ou qualquer combinação entre estes.

 

Depois disso, se adicionam explicações, exemplos ou informações extras. Alguém pode não entender como a identidade funciona só lendo a definição, e precisar de algo mais mastigado que ajude a compreender o termo. É preferível que os exemplos não sejam muito complexos, já que a ideia é fazer com que quem esteja lendo consiga entender como a identidade funciona. Ou seja, ao falar de uma identidade que flui entre um número indeterminado de gêneros, é melhor só usar dois ou três gêneros como exemplo, e não quinze ou dez.

Existem termos que já são cunhados acompanhados de detalhes ou explicações, ou que foram melhor explicados após a cunhagem, e isso é algo que deve aparecer nesta seção.

Aqui está um exemplo de uma explicação vinda da pessoa que cunhou o termo:

 

Ilyagênero foi um termo feito para ser mais específico do que aporagênero ou maverique, em relação a ser explicitamente definido como algo que não pode ser relacionado com gênero neutro. Também foi definido de forma que não é para ser uma posição política ou rejeição consciente de gênero, apenas descrevendo um gênero que existe mas que não é relacionado com o binário ou com neutralidade.

 

E aqui está um exemplo de detalhes/exemplos escritos com base em experiências que li de pessoas abro:

 

Algumas pessoas abro podem identificar as mudanças pelas quais passam: podem, por exemplo, se sentir gays em alguns momentos, toren em outros, e pan em outros. Outras pessoas abro podem não conseguir identificar suas mudanças, porque elas ocorrem de forma rápida ou confusa demais. Outras passam por estes dois estados, às vezes podendo identificar suas mudanças e às vezes não.

 

Controvérsias podem ser colocadas nesta seção, depois das explicações. Etimologia e nome do termo original também podem aparecer aqui.

 

Origem

Ocasionalmente, quem cunhou o termo é mencionade na introdução (na parte da explicação), mas, em geral, é só aqui que tal indivíduo ou grupo começa a ser mencionado.

Esta seção geralmente tem os seguintes dados:

  • Quando, por quem e onde o termo foi cunhado?
  • Houveram mudanças no significado do termo? (Se não, não há a necessidade de mencionar isso.)
  • Quando, por quem e onde a bandeira foi feita?

Às vezes, as controvérsias são mencionadas após falar da origem do termo e/ou da bandeira. A etimologia e o nome do termo original também podem aparecer aqui, embora isso seja raro. Tudo varia de caso em caso. Sempre priorizo ter um texto fácil de acompanhar do que seções bem definidas (tanto é que não separamos os textos em seções nas páginas em si).

 

Bandeira (e/ou símbolo, quando existente)

Após as informações básicas sobre a postagem da bandeira, geralmente são colocados os significados da bandeira. Caso a imagem em si não tenha descrição, uma descrição da bandeira é feita aqui, que inclui cores, divisões e proporções.

Se houver mais de uma bandeira, a origem é acompanhada dos significados da bandeira antes dos parágrafos sobre a bandeira seguinte. Isso conta pra símbolos também.

É possível que não haja espaço para mostrar todas as bandeiras/todos os símbolos na página (as bandeiras sempre são colocadas em 230×138 e outras imagens são redimensionadas para ocupar espaços similares, mas mantendo suas proporções). Afinal, todas as imagens são colocadas uma à direita e outra à esquerda na página inteira, de forma que duas imagens não fiquem na mesma linha, e que de preferência hajam linhas de texto sem imagem alguma na linha entre linhas com imagens.

Em tal caso, geralmente algumes bandeiras e símbolos não são mencionades, e são apenas linkades no final. Porém, se parecer importante, é possível descrever tais bandeiras/símbolos sem mostrar as imagens.

 

Informações finais

Caso tais informações não tenham aparecido ainda, a etimologia do termo pode ser mencionado, assim como os termos originais caso o termo seja uma tradução. No caso de orientações, recomendo mencionar mais de um tipo de orientação. Por exemplo:

 

Pan é o mesmo prefixo em inglês (pansexual, panromantic, panalterous, etc).

 

Geralmente coloco os links nesta ordem:

  • Blogs, grupos e organizações direcionades a pessoas que usam o termo;
  • Definições do termo;
  • Informações do/identificações com o termo;
  • Bandeiras, símbolos e informações sobre elus.

Não coloco links que sejam apenas sobre discriminação, ou que sejam de ódio contra o termo (no máximo posso colocar alguém rebatendo quem estiver criticando a identidade).

Priorizo que os links sejam de lugares inclusivos. Não vou colocar links para experiências que defendem ser cissexista (ou que perpetuam outra discriminação), ou para grupos que engajam em apagamento de outras comunidades ou experiências.

Acho importante ter vários links, porque mesmo que possam parecer repetitivos, eles indicam que a identidade foi divulgada/definida em vários lugares, e também são úteis para quando alguns dos links saírem do ar.

 

Linkbacks

Após a página ser feita, eu coloco links:

  • Na bandeira na página da lista;
  • No nome da identidade na página da lista;
  • Na página inicial, com anúncio de página nova.

Pra mudar qualquer coisa nas listas, o modo texto precisa ser selecionado antes de entrar na página de editar a lista em questão, já que sequer entrar no modo visual da edição das listas quebra a pesquisa. Caso a pesquisa seja quebrada, seu código deve ser copiado de outra lista.

A página inicial é mais complicada. Ao invés de editar páginas, deve-se criar ou usar uma postagem de blog existente, uma das que não aparecem nas páginas do blog, e que só possuem a categoria Destaque quando estão aparecendo ou Uncategorized quando não estão. A postagem de blog deve estar configurada para linkar para a página nova, ter o nome “Página nova: [nome da página]” ou similar, e uma imagem destacada de uma ou mais bandeiras da identidade em questão, em um tamanho de 530 x 318 até 1500 x 900 com a proporção 5:3.

Bandeiras em 5000×3000 não devem ser utilizadas por serem relativamente pesadas, e demorarem para carregar. Bandeiras em proporções diferentes de 5:3 vão fazer com que os destaques mudem de tamanho para cada “slide”, o que não é ideal, esteticamente.

 

Finalizando…

O motivo de tantos detalhes aqui é que eu quero que o Orientando continue mesmo se eu não puder mais fazer isso. Quero prevenir que o site passe por problemas por conta de detalhes técnicos.

Mesmo assim, qualquer pessoa pode, se quiser, enviar conteúdo para o Orientando. Quanto mais detalhes, melhor vai ser pra eu conseguir postar, e também posso dar cargos de edição caso hajam pessoas confiáveis dispostas a ajudar com o trabalho de forma regular.

Como sempre, quem se interessar pode entrar em contato, de alguma forma melhor do que pelos comentários daqui. No entanto, se você quer apenas sugerir termos para listas ou novas bandeiras, você pode utilizar este tópico.

Identidades de gênero que poderiam ser mais populares  0

Uma combinação das bandeiras gênero-dissidente, gênero-cor e paragênero.

Existem centenas de termos relacionados a gênero, e por conta de uma série de fatores – como idade, popularidade de quem fez ou espalhou tais termos e originalidade em relação a outros termos existentes – alguns vão ser mais populares e conhecidos do que todos os outros.

Nesta postagem, eu gostaria de destacar termos que vejo que poderiam se encaixar a muitas situações que presenciei, mas que são conhecidos e/ou utilizados por pouquíssimas pessoas.


Uma bandeira composta por cinco faixas horizontais, nas cores vermelha, laranja, amarela, verde e azul. Todas as cores possuem tons relativamente claros. A proporção das faixas é 2:3:8:3:2.

Bandeira centrigênero

Centrigênero se refere a qualquer gênero entre ou no meio de um ou mais gêneros. Isso significa que identidades como andrógine, neutrangi, androx e aporagine podem ser consideradas centrigêneros.

Mas além de poder agir como guarda-chuva, centrigênero dá a liberdade de alguém falar que seu gênero está entre outros sem ter que depender de cunhar uma palavra própria para isso. Alguém pode dizer que é centrigênero maverique/caelgênero, ou centrigênero nímise/femigênero/ceteroneutre/homem, por exemplo.

Também existe gênero-poção, mas o uso de centrigênero ou de gênero-poção vai depender do quanto a pessoa sente que seu gênero é apenas um ponto entre identidades diferentes em um diagrama ou uma mistura/mescla de outras identidades.


Ceterogênero é um gênero não-binário relacionado com masculinidade, neutralidade ou feminilidade. É uma identidade relativamente antiga, mas foi possivelmente ignorada por existirem outras formas de comunicar essas características, como femigênero, mascugênero e neutrois.

O que acho interessante em ceterogênero é que pode ser uma forma de dizer que a pessoa não é mulher, homem ou gênero neutro, ainda que tenha um gênero não-binário associado com características associadas com estes gêneros.

Por exemplo, identidades como mulher não-binárie/zenina e transfeminine podem informar feminilidade, mas também podem informar mulheridade, ou até mesmo uma separação de gêneros binários em sua identidade de gênero mas uma conexão com mulheridade ou feminilidade por conta de outros aspectos, como expressão de gênero, pautas políticas ou aspectos da transição. Pessoa não-binária feminina também pode acabar tendo tal abrangência. Esses são termos muito populares, e que por isso acabam sendo bastante abrangentes. Nonpuella/nonera é um gênero fortemente feminino completamente nada a ver com ser mulher, mas esta não é necessariamente a experiência da pessoa. Fingênero e femigênero informam que a pessoa possui um gênero feminino de forma mais maleável, mas colocam feminilidade como a característica primária da identidade. Por isso, ceterofeminine pode funcionar como uma identidade separada destas, sendo mais específica em alguns pontos e mais abrangente em outras.

Cinco faixas horizontais do mesmo tamanho: Roxa, rosa, cinza, azul e verde.

Bandeira ceterofluida

Além disso, é possível interpretar ceterogênero como uma espécie de identidade próxima/relacionada a femigênero, mascugênero ou gênero neutro, mas sem ser exatamente tais identidades. Juxtaneu existe (sendo que ainda é recente em comparação com ceteroneutre), mas os gêneros juxera e proxvir são mais relacionados com gêneros binários do que com feminilidade ou masculinidade por si só.

Também existe a identidade ceterofluida, que pode ser útil para quem só muda entre gêneros não-binários que podem ser classificados como ceterogêneros. Ceterofluide é um termo mais curto do que gênero-fluido entre femigênero, mascugênero e juxtaneu, por exemplo.


Empilhadore de gêneros ou hordidem é uma identidade poligênero caracterizada por alguém ir achando identidades de gênero que se encaixam e as colocando em uma “pilha”, de forma que a pessoa tem todas aquelas identidades de uma vez só (e possivelmente mais outras que não foram cunhadas ainda, que a pessoa não achou ou que nem sabe como descrever ainda).

Esta identidade é bem mais recente do que colecionadore de gêneros, um termo cunhado lá por 2015 e que é citado ou usado por bastante gente, onde a única diferença é a questão de colecionadore de gêneros ser apenas para pessoas cuja identidade de gênero muda de tempos em tempos.

Acredito que hordidem seja um termo útil por eu já ter visto muitas pessoas com dezenas de gêneros (e gêneros parciais, identidades que denotam ausência de gênero, etc.) que não se veem como pangênero por também não serem de vários gêneros e nem como colecionadoras de gênero por suas identidades não mudarem de tempos em tempos. Muitas vezes, são até pessoas que frequentemente vão atrás de termos novos para adicionar às suas pilhas, e/ou que cunharam várias identidades para poderem descrever mais aspectos da sua.


Seis faixas horizontais do mesmo tamanho, começando com três tons de rosa e seguidas por três tons de azul. As faixas vão formando um degradê, de forma que as faixas centrais são mais claras e as faixas das pontas são mais escuras.

Bandeira femacha

Femache é alguém que é homem e mulher ao mesmo tempo. Não há especificação em relação a se este é um gênero como ambonec (que pode ser visto como um gênero ou como mais de um), ou se é referente especificamente a ter os gêneros homem e mulher (como alguém bigênero desses gêneros ou poligênero que inclui esses gêneros) ou a ser algo como gênero-poção ou andrógine/centrigênero de tais gêneros.

As únicas especificações são que ume femache não é especificamente 50% homem e 50% mulher, e que femaches não precisam só ser femaches (podem ter outros gêneros também).

Esta identidade me parece útil porque são várias as pessoas bigênero homem/mulher ou com outras experiências “mulher + homem” que podem não necessariamente se encaixar em andrógine ou ambonec. Além de ser uma identidade abrangente em relação a como alguém é mulher e homem, também é mais específica do que bigênero para quem tem estes dois gêneros, já que pessoas bigênero podem ter dois gêneros quaisquer.


Gênero-cinza é alguém que é parcialmente de um gênero não-binário ou sem gênero, mas que possui uma ambivalência natural em relação ao seu gênero e/ou à sua expressão de gênero. Pessoas gênero-cinza sentem possuir gênero, e inclinação ou desejo de expressá-lo, mas tal inclinação é fraca ou indefinível/indeterminada de certa forma, ou não é sentida pela maior parte do tempo, ou a pessoa gênero-cinza não se importa muito com sua inclinação.

Embora pareça ser algo meio específico ou complexo, o termo gênero-cinza foi feito para cobrir pessoas que não são totalmente agênero/sem gênero mas que ainda se encontram num espectro similar, da mesma forma que o termo gris/gray-a foi feito para abarcar pessoas a-espectrais que sentem alguma atração.

É relativamente comum ter pessoas com um gênero fraco, ou que se consideram basicamente sem gênero mas que possuem alguma conexão com gênero. A conexão parcial com ausência de gênero e não-binaridade está na definição para que não se confunda alguém gênero-cinza com alguém cis que não liga pra gênero (uma acusação que acredito que seja mais direcionada a pessoas casgênero hoje em dia), mas acredito que a definição possa ser resumida a ser alguém com um gênero fraco ou com uma experiência similar.

Desta forma, pessoas demigênero ou nanogênero que possuem um gênero parcial por ele ser fraco (e não por serem menores/parciais em relação a outros gêneros) ou pessoas gênero-Libra que sentem que sua conexão com algum gênero está mais para uma versão fraca de um gênero podem se dizer gênero-cinza, caso queiram.


Gênero-cor é algo que acaba sendo estigmatizado apenas por ser um xenogênero, mas é um termo bastante útil. Um gênero-cor é definido por remeter a uma cor ou a coisas que a pessoa relaciona com alguma cor.

Um fundo índigo com uma roda de cores em seu centro. A cor índigo cria um espaço na roda de cores.

Bandeira gênero-índigo

A questão é que isso pode ser usado para qualquer coisa. Pode ser usado como uma associação xenina, como algo sinestésico, como algo relacionado com outras identidades de gênero existentes, etc. Por exemplo, o termo gênero-índigo pode ser usado para descrever:

  • Um gênero definido por um tipo de masculinidade relativamente formal e adulta;
  • Um gênero similar a homem, mas que contém ao menos parcialmente algum elemento de androginia nele;
  • Um gênero que remete a frutas que são doces mas que não são necessariamente muito doces, como mirtilos, uvas, ameixas e amoras;
  • Um gênero definido por libertação e criatividade em relação às concepções tradicionais de gênero;
  • Um gênero não-binário fraco que remete a um céu vazio;
  • Um gênero que remete ao frio de uma noite de inverno pelo quanto é forte e difícil de ignorar.

Isso tudo vai depender de associações pessoais com a cor, mas também de como uma pessoa pode usar uma cor para descrever uma identidade de gênero. Ainda assim, acho que deu pra perceber como a identidade é versátil!


Gênero-dissidente ou gênero-inconformista é um gênero propositalmente similar a maverique, mas que também é definido por subversão intencional das expectativas de gênero da sociedade. Sua definição completa (ainda que resumida) é:

Uma experiência de gênero não tradicional (e não-binária) caracterizada pelo senso de desconexão e independência em relação a gêneros binários, e também pela intenção de subverter as expectativas de gênero da sociedade.

O motivo que vejo esta identidade como uma que poderia ser mais popular é que maverique é um gênero popular, e muitas pessoas não-binárias falam que querem intencionalmente confundir pessoas quanto ao seu gênero ou quebrar barreiras sobre o que é gênero ou coisas assim. Caso isso faça parte de sua experiência de gênero, gênero-dissidente expressa essas duas coisas em uma identidade só.


Gênero-estrela é outra identidade que pessoas rolam os olhos só de ver o nome, por conta do estigma contra xenogêneros, especialmente gêneros com adjetivos ou substantivos no nome. Enfim, gênero-estrela pode se referir a uma destas descrições:

  • O gênero de uma estrela;
  • Um gênero que não parece ser humano ou terrestre, por estar além da compreensão;
  • Uma identidade para quem acha que, não importa quantos rótulos para gênero inventarem, nenhum deles vai encaixar.
Um fundo azul escuro com uma estrela branca em seu canto inferior direito de onde saem três faixas curvas nas cores branca, azul clara e azul em direção à esquerda. No resto da bandeira, alguns brilhos brancos podem ser vistos.

Bandeira gênero-estrela

É comum ver essa primeira definição e pensar “ah não, que ridículo, a pessoa pensa que é ou quer ser literalmente uma bola de gás” sem ver qual a lógica ou o contexto desta definição. (Aliás, existem indivíduos que são kin com estrelas, mas isso não é o que gênero-estrela descreve. Ser de um gênero comparável a algo não significa ser kin com aquela coisa, embora pessoas possam ser os dois.)

A questão é que esta identidade foi cunhada quando havia pouquíssimo vocabulário para descrever gêneros fora da tríade homem/mulher/neutre, e mesmo vocabulário já existente como aporagênero e maverique era possivelmente pouco circulado. Assim, a pessoa que cunhou gênero-estrela estava tentando descrever um gênero distante dos binários a ponto de ser “alienígena”, e que era possivelmente grande e complexo.

Mesmo assim, as divagações de quem cunhou o termo e as definições que foram espalhadas por aí abrem portas para que gênero-estrela possa ser uma identidade que esteja descrevendo:

  • Alguém cujo gênero é difícil de entender por estar além de gêneros mais conhecidos;
  • Alguém cujo gênero é relacionado com o espaço;
  • Alguém cujo gênero parece ser extraterrestre;
  • Alguém que vê seu gênero como o gênero de uma estrela;
  • Alguém cujo gênero é potencialmente neutro, mas que também inclui ao menos feminilidade e masculinidade, ao mesmo tempo;
  • Alguém cujo gênero é grande de forma que parece um pequeno universo;
  • Alguém cujo gênero não se encaixa em nenhum termo mais específico.

Isso tudo geralmente é compactado como “um gênero relacionado a espaço que é distante de gêneros binários e que é possivelmente além da compreensão humana”, mas todas estas definições podem ser motivos válidos para se dizer gênero-estrela. Aliás, não é à toa que esta deve ser uma das identidades mais populares que pode ser considerada um xenogênero.


Paragênero é uma identidade de gênero para pessoas que se sentem próximas a certo gênero, sem serem exatamente de tal gênero. Gênero- (ou gênero-menos) é alguém cuja identidade pode ser descrita como algo próximo de certo termo, mas que não se encaixa completamente nele. Um termo ou outro pode ser escolhido por preferência pessoal ou pelas particularidades da identidade de gênero de alguém, mas estes são ambos termos para identidades próximas mas que divergem de certa identidade.

Acredito que tal proximidade possa ser interpretada de várias maneiras; alguém que é para-homem ou homem- poderia ter um gênero como proxvir, mas talvez esteja mais para magi-homem, quiver-homem, melle, hxmem, androx ou neuvir, por exemplo.

Desta forma, estes termos são úteis para quem acha algum termo que quase se aplica a si, sem se ver completamente como tal termo. Tem um gênero não-binário feminino, mas que não é exatamente só feminino? Dá pra dizer que é parafemigênero ou parafeminine (ou paraceterofeminine, parafingênero, etc). Tem um gênero meio ambíguo ou indefinido, mas que ao mesmo tempo não parece ser completamente bem descrito por isso? Dá pra dizer que é nímise-. Tem uma experiência de gênero que parece alienígena, grande e complexa, mas não quer usar o termo gênero-estrela por parecer descrever bem mais do que isso? Dá pra se dizer estrela-menos.

Muitas pessoas usam o termo demigênero para isso, por ser mais conhecido, mas quem quer evitar a conotação de seu gênero ser parcialmente algo ao invés de ser completamente algo, só que algo diferente/adjacente pode usar paragênero e/ou gênero-.


4 faixas horizontais na proporção 22:13:11:10. Suas cores são amarela clara, laranja, vermelha e marrom avermelhada.

Bandeira vanabrela; fogo/calor

O sistema vanabrela (ou vanabrella, vanarela ou vanarella) foi cunhado como uma forma de falar sobre algum xenogênero que é de alguma forma relacionado a algo, de forma abrangente ou específica.

Isso significa que, se uma pessoa só quer descrever que seu gênero é relacionado ou comparável a algo como, por exemplo, fogo, chuva, arrepios, pétalas caindo ou o que for, sem especificar além disso, a pessoa só precisa dizer que seu gênero é vanarela (fogo), vanabrella; chuva, vanarella – arrepios, vanabrela [pétalas caindo], etc.

Embora ainda termos mais específicos ainda sejam úteis em vários casos, o sistema vanabrela ajuda quem só quer descrever seu gênero como alguma palavra ou expressão curta. Assim, qualquer pessoa que saiba o que é vanabrela vai entender do que o gênero se trata, quando teria que pesquisar ou perguntar caso um termo mais específico fosse usado.

Uma pessoa que usa esse sistema pode ser chamada de vanabrélica.


Espero que esta lista tenha ajudado mais pessoas a considerarem usar ou espalhar informações sobre estas identidades de gênero. Todos estes termos estão em nossa lista de identidades não-binárias, embora vários destes não tenham páginas específicas.

Fontes:

As diferenças (ou não diferenças) entre orientações multi  0

Uma bandeira composta por cinco faixas horizontais: uma rosa, uma roxa, uma amarela, uma verde e uma azul. As faixas centrais são um terço do tamanho da primeira e da última faixa.

É extremamente comum haverem discussões sobre o que significam as orientações dentro do guarda-chuva multi – ou seja, as que são definidas por atração por mais de um gênero – especialmente hoje em dia, quando existem pessoas usando várias orientações diferentes.

Existem, assim, duas visões principais contrárias sobre o assunto:

  • Todas estas orientações são idênticas, e dentro deste campo existem tanto as pessoas que acham que por isso todo mundo deveria usar um rótulo só (geralmente bi) quanto as pessoas que veem rótulos como uma preferência pessoal que, ainda que inútil, deva ser respeitada;
  • Todas estas orientações são completamente diferentes, e duas pessoas que sentem atração da mesma forma usando rótulos diferentes ou estão desinformadas, ou ao menos uma das pessoas está ativamente cometendo apagamento contra o rótulo que ela deveria estar usando.

Como dá para perceber lendo a lista de orientações disponíveis neste site ou a matéria na Revista Elx que escrevi há anos atrás sobre isso (página 15), acredito que ambas as visões estão (parcialmente) erradas.

Isso não porque simplesmente quero ter uma opinião diferente, mas sim porque ambas as ideias vão contra a identificação de muitas pessoas, e muitas vezes até mesmo contra as definições que boa parte das comunidades dessas identidades específicas usam para elas.


Vou começar a explicar isso pelas orientações mais comumente discutidas nesse tipo de briga: bi, poli, pan e o(m)ni. Dentro de suas próprias comunidades, elas são comumente definidas como:

Bi: atração por mais de um gênero (x), atração por múltiplos gêneros (x), atração por dois ou mais gêneros (x) (x) (x).

Enquanto o texto não define o que é ser bi, o Manifesto Bissexual diz explicitamente para as pessoas não verem bi como uma identidade com “dois lados”, ou como algo que se resume a sentir atração pelos dois gêneros binários.

Ainda que estas sejam definições colocadas de formas diferentes, é importante destacar que estas comunidades não restringem bi a sentir atração por dois gêneros, por poucos gêneros ou por todos os gêneros; qualquer quantidade de gêneros maior do que um é inclusa nessas definições.

Poli: atração por múltiplos gêneros (x) (x), atração por múltiplos gêneros mas não necessariamente todos (x) atração por múltiplos gêneros mas não todos (x) (x), atração por mais de um gênero (x).

Uma das definições exclui pessoas que sentem atração por todos os gêneros, mas as outras não; por isso, acredito que faça mais sentido definir poli simplesmente como atração por múltiplos gêneros (a parte “não necessariamente todos” está implícita na definição, e pode ou não ser adicionada sem excluir ninguém).

Pan: atração por todos os gêneros ou que não é determinada por gênero (x) (x) (x), atração por todos os sexos e gêneros ou, para algumas pessoas, independentemente de gênero (x), atração por todos os sexos e gêneros (x), atração não limitada por gênero (x).

Observação: A questão de atração por sexo é excludente. Enquanto pessoas pan vão sentir atração por pessoas de qualquer sexo se gênero não é um fator em sua atração, ou se sentem atração por pessoas de qualquer identidade de gênero, colocar isso na definição infere que outras pessoas estão certas em excluir pessoas intersexo ou trans de sua atração, ou incluí-las injustamente, porque “sentem atração por certo(s) sexo(s)”.

Qualquer pessoa pode recusar a se relacionar com outras por qualquer motivo. Qualquer pessoa pode ter certos fetiches ou preferências do que gostaria ou não gostaria de fazer durante relações sexuais. Mas essas coisas não são determinadas pela capacidade da pessoa de sentir atração por certo(s) gênero(s), que é o que uma orientação definida por atração por certo(s) gênero(s) descreve. Nem é como se fosse possível saber quais hormônios, cromossomos e genitálias que todas as pessoas possuem antes de sentir atração (enquanto identidade de gênero em geral é algo que a pessoa vai dizer antes de tirar a roupa ou mostrar exames médicos).

Por isso, nenhuma orientação deve ser definida como “atração por tal sexo”, e a capacidade de sentir atração independentemente do sexo não é exclusiva de qualquer orientação.

Deixando isso de lado, as definições comumente usam dois possíveis critérios: atração por todos os gêneros e atração que não é limitada por gênero. Uma pessoa pan pode achar que um desses dois a representa mais do que o outro, ou pode não ter preferência entre eles. Mais sobre isso na página sobre a identidade pan.

Mas acho bom destacar que pessoas pan podem, sim, sentir atração mais por uns gêneros do que por outros. A questão de sentir atração sem o gênero ser o fator é uma possibilidade, não uma obrigação.

Em relação a omni, a coisa é mais complicada, porque poucas pessoas se identificam como tal, não existindo grupos maiores definindo esta orientação. Portanto, as perspectivas acabam sendo mais pessoais, e não necessariamente são resultados de interagir com mais pessoas da comunidade para achar pontos em comum.

Mas aqui estão algumas definições: atração por todos os gêneros, vendo eles de forma diferente (ou seja, atração por todos os gêneros mas que é determinada por gênero) (x) (x), atração por muitos gêneros (x), atração por todos os gêneros igualmente ou diferentemente, e talvez atração por otherkin/therians (x), atração por muitos gêneros mas não todos, sendo que a atração pode não ser por todos os gêneros por conta de escolha (x), atração por todos os gêneros que pode não ser limitada a humanes (e que pode teoricamente incluir outras espécies que podem consentir, como aliens) (x), atração por todos os gêneros igualmente (x), atração por todos os gêneros e expressões de gênero (x), atração por todos os gêneros de múltiplas espécies que podem consentir (x), atração por tudo (x).

Tentando organizar isso:

  • A grande maioria das definições inclui atração por todos os gêneros;
  • Muitas definições restringem ou enfatizam que pessoas omni em geral sentem atração por gêneros diferentes de formas diferentes;
  • Algumas definições dizem que pessoas omni sentem atração igual por todos os gêneros;
  • Algumas definições incluem não-humanes na atração;
  • Uma ou outra definição considera que pessoas omni não precisam sentir atração por todos os gêneros, ou não sentem atração por todos os gêneros.

Como estas definições são contraditórias, é difícil definir omni como uma coisa só, mas eu prefiro dizer que é atração por todos os gêneros, e que esta orientação geralmente é usada por pessoas que não querem se associar à identidade pan, ou pela conotação de “gênero não ser fator na atração” ser algo que queiram evitar (mesmo que ela seja opcional), ou por serem basicamente pan mas não sentirem atração por todos os gêneros, ou por quererem expressar de alguma forma que sua atração é “maior do que só por humanes” (ainda que eu não veja porque pessoas de outras orientações não poderiam ter atração por seres como alienígenas ou anjos ou vampires caso tivessem contato com tais seres).


Em relação a estas quatro orientações, consigo ver que se dividem em dois tipos: atração que não precisa incluir todos os gêneros (bi, poli) e atração que geralmente inclui todos os gêneros (pan, omni).

Embora pessoas que sejam bi e poli possam ter atração por todos os gêneros, é importante incluir as que não possuem. Dizer que são a mesma coisa que pan (que inclui atração em potencial por pessoas de qualquer identidade de gênero em todas as suas definições) é excluir pessoas que sentem atração por mais de uma identidade não-binária sem sentir atração por gêneros binários, pessoas que sentem atração por homens e mulheres sem sentirem atração por nenhuma identidade não-binária ou só por algumas identidades não-binárias e pessoas que sentem atração por um gênero binário e por uma ou mais identidades não-binárias sem sentir atração pelo outro gênero binário.

Essa é uma questão séria porque isso deixa essas pessoas sem nenhuma opção de rótulo popular que não as apague. E efetivamente as exclui de espaços multi, como se fossem “basicamente mono” só por não terem atração por todas as identidades de gênero.

Observação: E, sim, pessoas binárias, atração por pessoas não-binárias é relevante. Alguém que é bi por sentir atração por mulheres e por pessoas gênero neutro é tão bi quanto alguém que sente atração por homens e mulheres. Se você imediatamente pensa que alguém que sente atração só por mulheres e por pessoas gênero neutro é alguém que “sente atração por pessoas que parecem mulheres e quer disfarçar”, é você quem está reduzindo pessoas à sua aparência e possível genitália de forma cissexista.

Uma pessoa que sente atração só por mulheres, de diferentes expressões de gênero e gêneros designados, sente atração por um gênero. Uma pessoa que sente atração por diversas identidades de gênero sente atração por múltiplas identidades de gênero independentemente de passabilidade, expressão de gênero, gênero designado ou corporalidade.

Voltando ao assunto: Você pode, sim, se definir como bi ou poli por sentir atração por todos os gêneros. Porém, definir estas orientações como restritas a quem tem atração por todos os gêneros é excluir pessoas dela.

Da mesma forma, você pode se definir como bi por sentir atração por dois gêneros, mas dizer que todas as pessoas bi sentem atração por dois gêneros é apagar a experiência de outras pessoas bi. E você pode se definir como poli por sentir atração por “muitos gêneros mas não todos”, “três ou mais gêneros” ou “algum número de gêneros entre dois e todos, sem incluir esses extremos”, mas há outras pessoas que usam esta identidade que não possuem tais experiências, e elas não estão “deturpando o rótulo” quando a maioria das definições já as inclui.

Também quero destacar que em nenhuma definição existe algum critério como “ter que sentir atração por mais de um gênero igualmente” ou “ter que sentir atração por gêneros diferentes de formas diferentes”. Algumas pessoas bi/poli vão ter preferência por certos gêneros, outras não. Isso não é algo que diferencia bi de poli, ou bi/poli de pan e/ou omni.

Eu espero que já tenha ficado óbvia a distinção entre bi/poli e pan, mas e a distinção entre pan e omni?

Sinceramente, é o que já foi escrito lá em cima. Muitas pessoas veem os rótulos como a mesma coisa, outras gostam do aspecto sobrenatural de omni, outras querem se afastar da conotação de “atração não influenciada por gênero” que muitas pessoas pan se identificam como tendo.

Isso não significa que pessoas pan estejam apagando a identidade omni caso sua atração seja influenciada por gênero. Também não significa que pessoas omni só querem se achar melhores do que pessoas pan. Os motivos pessoais para pessoas se identificarem com um rótulo ao invés do outro podem vir de “a bandeira é mais legal” até “tenho trauma do termo porque sofri abuso de alguém que o usa”, além de virem de alguma das ênfases citadas.

Múltiplas palavras possuem sinônimos, muitas vezes que possam ser mais adequados em situações diferentes. Não é ruim que pessoas possam escolher que rótulo achem melhor.

Quanto a pessoas “se excluindo e fragmentando a comunidade”: quem está mesmo fazendo isso é quem insiste em só incluir rótulos mais antigos/populares. Se você insiste que seu espaço é só bissexual e que todo mundo que quer participar precisa lidar com pessoas presumindo que são bissexuais, ainda que você queira atingir toda a população multi, sim, seu espaço é excludente e está contribuindo com a fragmentação da comunidade, mais do que pessoas que preferem usar alguma palavra mais específica por representá-las melhor.

Existem termos guarda-chuva inclusivos: multi, pluraliane, monodissidente, não-monoatraíde (estes últimos dois também incluem ou deveriam incluir pessoas a-espectrais, de orientações fluidas, de orientações indefinidas e outras que sofrem com monossexismo). Existem espaços que usam BiPanPoli+, BPQ+ ou outras siglas, e embora não sejam tão inclusivas, podem ser um começo para quem tem medo de que só os termos citados não sejam suficientes para atrair gente.

A ideia de que existe um número limitado de termos aceitáveis para orientações é, também, monossexista. Assim como a ideia de que qualquer orientação precise ser completamente exclusiva de outras, sem ter nenhuma sobreposição entre elas. Afinal, é o tipo de normatividade pregada por quem diz que só existe “gay(/lésbica) ou hétero”, que o resto é desnecessário, complicado demais, irrelevante, tentativa de conseguir atenção, falta de caráter, contraprodutivo, inexistente. Que essas acusações não sejam feitas por outras pessoas multi também.

Finalmente, gostaria de pedir que pessoas usem definições como guias gerais, não como regras que precisam ser seguidas ao pé da letra. Pessoas podem se identificar como pan com exceções, e não ter atração por todos os gêneros. Pessoas podem se identificar como omni e sentir atração sem que gênero seja um fator. Talvez sejam casos menos comuns, mas ainda existem e devem ser respeitados.


O texto está bem mais longo do que eu planejava, então a conclusão em si está aí em cima. Mas aqui tem outras orientações multi, e suas similaridades e diferenças de outras orientações:

Toren/Trixen: Excluem atração por um gênero binário, mas incluem atração por um gênero binário e uma ou mais identidades não-binárias. São alternativas úteis a bi ou poli quando se quer especificar a falta de atração por um gênero binário (assim como pan é uma alternativa útil quando se quer especificar a atração por todos os gêneros).

Orientações flexíveis (heteroflexível, feminaflexível, torenflexível, etc.): Ao contrário do que muita gente prega, ser “de alguma orientação com exceções” não é exclusividade de quem não tem atração por pessoas não-binárias, ou de “pessoas inseguras que só não querem se dizer bi”. Uma pessoa pode se dizer bi, multi, poli, etc. e ainda usar um desses rótulos. Uma pessoa não-binária pode sentir atração frequente por mulheres e atração infrequente por qualquer outra identidade de gênero, e preferir feminaflexível a pan/omni, ou usar dois destes rótulos, ou os três. Estes rótulos não invalidam qualquer outro, só especificam atração. Também não são uma tentativa de não se dizerem multi, quando tais rótulos estão inclusos no critério de sentir atração por mais de um gênero.

Equ: É uma orientação definida como “atração por pessoas em geral, sem especificação; atração por todes igualmente”. Ou seja, é basicamente uma orientação que exclui gênero da definição (similar a uma das definições de pan), e que especifica que a atração é igual por todas as pessoas (similar a uma das definições de omni). Uma provável tentativa de fazer algo com uma definição mais específica.

Paro: Uma orientação para pessoas que explicitamente sentem atração por gêneros diferentes de formas diferentes. Mais específica do que bi ou poli, mais abrangente do que as orientações flexíveis. Este rótulo foi feito para pessoas que, por exemplo, sentem atração com frequência por pessoas não-binárias, mas só sentem atração por homens quando não são pessoas próximas, e só sentem atração por mulheres raramente. É bem importante como uma forma de especificar que a pessoa sente atração por mais de um gênero, mas não da mesma forma.

Orientações fluidas (abro, duo, crono, etc.): Enquanto muitas pessoas simplesmente colocam elas como parte do guarda-chuva multi, especialmente quando elas não são exclusivas de pessoas a-espectrais, pessoas com essas identidades já demonstraram vontade de só serem consideradas multi em momentos que sentem atração por mais de um gênero.

Pessoalmente, acho que qualquer pessoa que já tenha sentido atração por mais de um gênero, ainda que não no presente e/ou não ao mesmo tempo possa se considerar multi, mas é possível também que a orientação de alguém mude entre diversas orientações sem que a pessoa seja capaz de sentir atração por mais de um gênero (por exemplo, a pessoa pode fluir entre omniassexual, cupiossexual, demissexual, caligossexual e virsexual e sempre sentir atração somente por homens quando consegue senti-la), então acho que é bom deixar a critério de cada pessoa fluida se querem se dizer multi ou não.

Orientações indefinidas (pomo, com, novi, etc.): Novamente, muitas pessoas simplesmente dizem que essas pessoas são multi e ponto, já que esse é o caso de muitas pessoas que “não se encaixam em nenhuma orientação”, mas acho que é uma presunção muito grande dizer que todas essas pessoas sentem atração por mais de um gênero, quando as definições desses termos incluem outras possibilidades.

Acho importante incluir que há a possibilidade de pessoas fluidas/indefinidas serem multi, mas também acho importante incluir que elas nem sempre vão ser, e deixar a decisão de se identificar como multi pra cada pessoa.


Caso você não saiba e queira saber o que significa algum dos termos mencionados, procure-o na lista de orientações daqui.

Postagens de outros lugares que explicam conceitos básicos  0

Um monte de bandeiras de orgulho. É possível reconhecer as bandeiras multi, NCL, não-binária, NHINCQ+, altersexo, trans, variorientada e intersexo.

Infelizmente, eu acabo sentindo que não tem muita coisa que eu queira escrever que acho mais relevante postar aqui do que em outros lugares. Também tem conteúdo de outras pessoas que nem seria postado diretamente no Orientando, de qualquer forma. Então aqui está um compilado de textos e outros materiais dos últimos anos que podem te ajudar – ou ajudar pessoas próximas – a entender alguns conceitos básicos relacionados à comunidade LGBTQIAPN+.

Caso alguém esteja procurando por conteúdo ainda mais básico e mastigado, como “o que é intersexo” ou “o que é orientação romântica”, utilize o menu do site. Estes textos complementam os do site (incluindo os do blog), ao invés de resumi-los.

Conteúdos básicos / gerais

Conteúdos intersexo

Conteúdos cisdissidentes

Conteúdos sobre orientações e termos juvélicos

Conteúdos sobre linguagem pessoal e neolinguagem

Outros conteúdos

Alguns destes textos podem já estar ou serem adicionados futuramente ao tópico Recursos básicos, mas quis fazer uma postagem focando nestes textos mais novos que talvez nem todo mundo que acompanhe o site tenha visto.

Tentativa de conscientização sobre algumas identidades do espectro arromântico  2

Bandeira arromântica: 5 faixas horizontais de mesmo tamanho nas cores verde, verde clara, branca, cinza e preta.

Conceitos que recomendo saber sobre antes de ler o texto:

Hoje é o terceiro dia da Semana da Conscientização sobre o Espectro Arromântico de 2020 (dias 16 até 22 de fevereiro). Caso você queira postar o que fez/vai fazer para comemorar esta data, não deixe de passar neste tópico!

Como eu já escrevi em uma postagem hoje, ainda há uma ausência muito grande de conteúdo arromântico, então fica chato falar de algum assunto dentro da comunidade arromântica como se fosse mais obscuro do que outros quando não há conteúdo arromântico em geral.

E quando eu falo de conteúdo, eu falo em relação a tudo. Faltam personagens arromântiques em mídias populares; falta conteúdo informativo sobre o que é ser arromântique que não seja só sobre a definição de arromântique; faltam matérias bem feitas em revistas sobre o que é ser arromântique; faltam postagens, vídeos, podcasts e afins de pessoas arromânticas falando de suas histórias que alcançam pessoas fora da comunidade arromântica.

Esta postagem é sobre pessoas arromânticas que sentem alguma atração romântica. Porém, quero explicitar que minha intenção não é dizer que este grupo é mais apagado do que todos os outros em contextos arromânticos, e nem jogar pessoas arromânticas que não sentem atração romântica debaixo do ônibus. Este é apenas um assunto que escolhi, mas existem vários outros que merecem atenção também.

A possibilidade de pessoas serem arromânticas é extremamente apagada, em geral.

Quando é considerada, porém, é comum que esta consideração só se estenda à ideia de que a pessoa não sente atração romântica nenhuma.

E mesmo pessoas que aceitam a possibilidade de alguém não sentir atração romântica podem não aceitar que alguém se identifique como grisromântique, arofluxo, akoirromântique, demirromântique ou afins. Afinal, não sentir atração romântica comumente ou deixar de sentir atração depois de um tempo “é normal”, e portanto dentro dos padrões alorromânticos.

A questão é, ao lidar com algo “novo” que alguém está dizendo que é, algo fora do padrão que não tem boa representação na mídia, a tendência é duvidar. Isso é um problema para toda a comunidade, especialmente quando não existe forma de “provar” que alguém não tem gênero ou não sente atração por pessoas de certo gênero ou afins.

E atração romântica é algo que muita gente que é ou que se diz alorromântica vê como nebuloso, então, de fora, uma “escala cinza” entre alguém sem atração romântica nenhuma e com atração romântica forte/frequente/consistente pode não parecer “real” ou “útil”.

Eu vou citar aqui umas possibilidades que podem ser meio extremas, mas que podem dar uma ideia melhor dos motivos pelos quais pessoas podem se dizer de certas orientações no espectro arromântico.

Akoirromântique/lithromântique/etc.: Uma pessoa tem várias quedas durante sua vida, mas elas raramente são recíprocas, e, quando são, a pessoa perde interesse rapidamente. Mesmo que tente namorar e ache alguém de quem gosta muito, a atração romântica sempre parece sumir no início do relacionamento. A pessoa pode realmente querer que uma relação dê certo e pode realmente gostar de outras pessoas, mas não consegue se manter apaixonada por ninguém.

Amicusromântique: Uma pessoa nunca se apaixona por personagens, celebridades, ou por pessoas que conhece mais ou menos que se declaram para ela. Porém, frequentemente se apaixona por pessoas em seu grupo de amizades, por mais que seja pequeno e/ou que as pessoas nele estejam indisponíveis.

Arofluxo: Uma pessoa por anos não se apaixona por ninguém. Depois passa algum tempo se apaixonando por várias pessoas, mas tal paixão vai embora bem rápido após relacionamentos começarem. Depois a pessoa passa um ano sem se apaixonar por ninguém. Daí a pessoa se apaixona por uma única pessoa e a paixão permanece por alguns anos. Depois ela vai embora totalmente. Depois ela volta, e a pessoa se apaixona por várias pessoas bem rápido por algum tempo. Depois a pessoa para de se apaixonar e questiona se realmente é capaz disso.

Caligorromântique: Uma pessoa começa a se apaixonar anos depois de suas amizades, mas tal paixão parece ser extremamente fraca e a pessoa questiona várias vezes se tal atração é real ou apenas pressão social. Em todos os relacionamentos que entra, ainda que ame romanticamente as outras pessoas, parece que sempre as outras pessoas a amam muito mais.

Claperromântique: Uma pessoa sentia atração romântica com frequência, mas após um relacionamento abusivo, nunca mais sentiu atração romântica. Ainda que tivesse sido alorromântica antes, ela não vê sentido em se identificar como tal quando é atualmente incapaz de se apaixonar e desinteressada em ter outros relacionamentos românticos.

Cupiorromântique: Uma pessoa não sente atração romântica nenhuma, mas pensa que namorar pode ser divertido e quer ter relacionamentos românticos mesmo sem ser capaz de se apaixonar por outras pessoas.

Demirromântique: Uma pessoa nunca se apaixona por ninguém, e detesta o quanto outras pessoas ficam puxando o assunto de possíveis relacionamentos românticos como se pessoas tivessem que estar apaixonadas o tempo todo. Depois de anos, a pessoa se apaixona por uma pessoa ou outra, mas apenas por pessoas que admira muito e com quem conviveu por bastante tempo.

Grisromântique: Uma pessoa só se apaixonou uma vez na vida há anos atrás, e não considera que isso define mais sua orientação do que todos os outros anos nos quais não sentiu atração nenhuma.

Proculromântique: Uma pessoa tem paixões assim como suas amizades, mas ao contrário delas, suas paixões são sempre por celebridades, personagens fictícies, ou outras pessoas completamente inacessíveis. E não só como adolescente; isso continua por vários anos e a pessoa nunca se apaixona por pessoas de qualquer gênero que estão à sua volta.

Recipromântique: Uma pessoa nunca se apaixona ou tem interesse em relacionamentos. Porém, algumas das vezes nas quais outras pessoas se declararam apaixonadas por ela, a pessoa começou a se apaixonar por estas pessoas, sem nunca ter tido nenhuma paixão fora disso.

Independentemente das experiências de cada pessoa e da sua opinião sobre que rótulos deveriam estar usando, por favor, respeite a identificação alheia. Cada pessoa tem seus motivos para usar os termos que usa.

Como expressar linguagem em eventos físicos LGBTQIAPN+  0

Buttons contendo diversos conjuntos de linguagem por cima de uma série de folhas de adesivos que também contém diversos conjuntos de linguagem.

(Nota: Caso você esteja procurando por um texto mais básico que explique o que são conjuntos de linguagem pessoal, sugiro este texto se você quiser algo mais resumido, e este texto se você quiser algo mais completo.)

Eventos físicos são boas oportunidades de oferecer espaços de expressão que muitas vezes não existem na escola, no trabalho, na família ou em outros ambientes. Esses espaços podem ser úteis para trocar experiências, ajudar no processo de questionamento das próprias identidades, normalizar a existência de pessoas LGBTQIAPN+, trocar contatos, fazer amizades, etc.

Uma questão importante quando se tem interação direta entre pessoas é a da linguagem. Na maior parte dos ambientes, ao menos no período no qual este texto está sendo publicado, nenhum tipo de neutralização da linguagem sequer é considerada, e pessoas se referem entre si presumindo que alguém é “feminine” e portanto “deveria aceitar” a/ela/a, ou que alguém é “masculine” e portanto “deveria aceitar” o/ele/o.

Isso acaba por maldenominar (errar a linguagem e/ou o gênero de) muitas pessoas. Às vezes é só a pessoa corrigir que as outras respeitam, mas muitas vezes nem isso é respeitado. Por isso, em alguns lugares se tornou prática se apresentar já falando a própria linguagem, ou usar algum adesivo ou crachá com a própria linguagem. E isso vale para todes, não só pra quem não usa a linguagem que seria presumida no dia-a-dia, justamente para normalizar a ideia de que linguagem não deve ser presumida.

Mas então, como isso funciona? Como podemos incluir a linguagem como uma informação importante, excluíndo o menor número de pessoas possível?

 

1) Métodos visuais constantes (crachás, adesivos, camisetas, buttons, etc.)

Essas ideias funcionam de forma similar, afinal são rótulos de identificação que a pessoa pode usar no evento e depois guardar, devolver ou jogar fora.

Questões que precisam ser pensadas ao usar esses métodos são:

  • Os materiais necessários (papel, adesivo, caneta, etc.) precisam ser distribuídos na entrada, já que as pessoas podem não lembrar ou ficar com preguiça de trazer os próprios; especialmente quem acha que “é bobagem”.
  • A linguagem precisa estar disposta de forma que todes possam utilizá-la. Por exemplo, colocar opções pré-prontas como “masculina”/”feminina”/”neutra”/”outras” prioriza pessoas masculinas que usam o/ele/o e pessoas femininas que usam a/ela/a, enquanto pessoas neutras que usam o/ele/o, pessoas femininas que usam a/ila/e e pessoas que querem especificar sua linguagem além de “neutra” ou “outras”, entre outros casos, não são corretamente contempladas dentro dessas opções. Colocar um campo para gênero ao invés de linguagem também não ajuda a identificar a linguagem de pessoas não-binárias e/ou que não usam os conjuntos normalmente associados a suas identidades de gênero.
  • Pessoas precisam ser ensinadas a ler e usar sistemas de conjuntos que não sejam excludentes de pessoas que não usam “conjuntos óbvios”. Alguém que pensa que é só colocar sua linguagem como “ele/dele” ou como “feminina” pode não saber o que fazer quando ver alguém com “ze/elz/e” ou “o/ele/e”, e isso é um problema. Um panfleto informativo ou um exemplo junto ao preenchimento podem ajudar.
  • Como as pessoas no evento serão lembradas de que devem sempre checar a linguagem escrita, ao invés de presumirem? É um problema grande e comum existirem eventos aonde alguém pode preencher “-/elu/e” ou “ELD” em algum campo de conjunto ou pronome, sem ninguém perceber que esses termos são os que devem ser utilizados. Lembretes e repreensões podem ser bem-vindes.
  • Como serão tratadas as pessoas que não sinalizarem nada? Algumas pessoas podem não ter entendido o sistema, estarem se questionando e/ou estarem no armário. Se a pessoa colocou -/-/-, ok, nada deve ser utilizado, mas se a pessoa realmente não preencheu ou não está usando nada? O ideal seria evitar usar qualquer tipo de linguagem diferenciada, mas acho sempre bom preparar um conjunto neutro e avisar sobre ele. Por exemplo, um cartaz no local dizendo: Pessoas que não sinalizarem nenhum conjunto de linguagem serão tratadas por ê/elu/e.
  • Como será o apoio a quem usa mais de um conjunto? Pessoas que mudam de linguagem de tempos em tempos poderão ter mais de um crachá/adesivo? Se o registro for eletrônico, há como alguém mudar facilmente o conjunto que usa? Há espaço para colocar mais de um conjunto?
  • É necessário pensar nas pessoas que não vão conseguir ler ou enxergar as linguagens das outras pessoas; é recomendável que métodos orais também sejam utilizados em conjuntos com os visuais.

 

Prós de usar adesivos, pulseiras ou crachás:

  • Geralmente são feitos de forma barata e descartável, permitindo que pessoas mudem facilmente seus conjuntos e não precisem perder muito tempo escondendo o sinal de que não usam a linguagem esperada ao mudar de ambiente;
  • Geralmente possibilitam que as pessoas possam usar os conjuntos que quiserem, pois todo mundo tem que escrever os seus;
  • Ao serem preenchidos na hora do evento ou da inscrição, há como ensinar pessoas a usar conjuntos de linguagem mais completos e inclusivos;
  • Adesivos e crachás podem ser relativamente fáceis de ler em um evento de tamanho pequeno ou médio.

 

Contras de usar adesivos, crachás ou pulseiras:

  • Alguma forma de ensinar a escrever e interpretar conjuntos precisa ser providenciada;
  • O tamanho pode acabar sendo limitado e dificultando que pessoas leiam os conjuntos umas das outras, ou que alguém possa usar quantos conjuntos quiser;
  • Pode ficar muito óbvio que pessoas que podem querer esconder que não sabem que conjunto usar não estão usando o item;
  • Pulseiras podem ser difíceis de ler, por conta de sua posição.

 

Prós de usar buttons ou broches:

  • As pessoas podem utilizá-los em múltiplos eventos, por serem resistentes;
  • Caso a ideia seja fazer antes um item personalizado por pessoa, é possível incluir qualquer conjunto, desde que seja combinado com antecedência;
  • Ainda que não seja o método mais barato, pode ser uma opção viável para eventos menores;
  • Por ser algo que possa ser “bonitinho” ou “legal”, pode ser mais fácil convencer algumas pessoas a usar estes do que a usar crachás ou adesivos.

 

Contras de usar buttons ou broches:

  • Estes itens tendem a ser menores, e portanto mais difíceis de ler, do que crachás, adesivos ou camisetas; Como precisam ser feitos com antecedência, existe a possibilidade de algumas pessoas mudarem de ideia sobre seus conjuntos, caso os itens sejam personalizados;
  • Caso os buttons ou broches não sejam personalizados para cada pessoa, há a possibilidade de sobrarem ou faltarem buttons de certos conjuntos;
  • Pessoas que precisam de mais de um conjunto com certeza vão precisar de buttons/broches extras;
  • Algumas pessoas não usariam estes itens em lugares facilmente visíveis, por não quererem furar suas roupas ou seus acessórios.

 

Prós de usar camisetas:

  • É possível ter bastante espaço para deixar os conjuntos bem visíveis;
  • Caso sejam feitas com antecedência, é possível incluir quaisquer conjuntos;
  • Não há como alguém ter a desculpa de não querer estragar a roupa;
  • Dependendo da situação, pode ser possível usar as mesmas camisetas para múltiplos eventos.

 

Contras de usar camisetas:

  • É o método mais caro entre os citados, e eu só recomendaria para grupos pequenos com encontros frequentes;
  • Assim como buttons e broches, como camisetas precisam ser feitas com antecedência, ou há o risco de pessoas mudarem de ideia entre a confecção das camisetas e o evento, ou há o risco de faltarem e/ou sobrarem camisetas por não checarem quantas pessoas querem quais conjuntos;
  • Algum vestiário precisará ser providenciado, e muitas pessoas cisdissidentes não se sentem seguras em vestiários ou banheiros divididos entre gêneros binários;
  • É difícil de não notar alguém sem a camiseta, o que pode causar problemas para quem não quer declarar seu(s) conjunto(s).

 

2) Métodos ditos (apresentações, correções, perguntas na hora, etc.)

São métodos que não precisam de materiais prévios, e que só dependem de uma pessoa dizer para outras qual é a sua linguagem (ou qual é a linguagem de outra pessoa).

Apresentação seria quando alguém diz seu nome e outras informações relevantes para o evento, que neste caso incluiria um ou mais conjuntos de linguagem. Dependendo do evento, uma outra pessoa pode anunciar o nome e o conjunto de linguagem de cada pessoa. Correção seria esperar alguém maldenominar para corrigir com o conjunto certo. Perguntar na hora seria esperar até o momento de se referir a alguém para perguntar a palavra certa a ser utilizada.

Questões a serem pensadas em relação a isso:

  • É necessário incentivar pessoas a não presumirem linguagens alheias mesmo sem lembretes visuais de que nem todo mundo tem uma linguagem “óbvia”;
  • Ainda é bom ter uma explicação sobre artigo/pronome/final de palavra ou algum sistema inclusivo, para que pessoas não tenham que passar por invalidação ou vergonha;
  • Caso algum dos métodos específicos seja recomendado, isso precisa ficar bem explícito para todes es participantes do evento;
  • Para que pessoas com conjuntos de linguagem fora da norma se sintam confortáveis em dizer/afirmar seus conjuntos, é preciso haver pistas de que o ambiente é seguro para isso. Isso pode ser feito de várias formas, mas explicações sobre conjuntos de linguagem e presença forte de pessoas com conjuntos fora do padrão pode ajudar;
  • A pronúncia de palavras dentro da neolinguagem pode confundir algumas pessoas. Existe alguma forma de garantir que os conjuntos sejam entendidos por todo mundo, sem constranger pessoas para que soletrem seus conjuntos ou expliquem funções gramaticais?
  • Como não deixar pessoas “de linguagem óbvia” em sua zona de conforto, tirando sarro da ideia de que linguagem não é sempre óbvia, se recusando a dizer a própria linguagem e maldenominando outras pessoas, sem forçar pessoas a falar seus conjuntos caso realmente não queiram escolher ou culpar pessoas por não conseguirem lembrar dos conjuntos de todo mundo na sala?

 

Prós de uma apresentação que inclui conjunto(s) de linguagem:

  • Cada pessoa pode incluir que elementos quiser de seu conjunto de linguagem, e quantos conjuntos quiser, geralmente sem limites de espaço;
  • Pode ser mais fácil alguém que não quer revelar seu(s) conjunto(s) deixar de revelá-lo(s);
  • Ao pronunciar palavras, pessoas podem entender melhor como falar de quem usa neolinguagem sem terem que chutar se baseando em materiais que são somente visuais.

 

Contras de uma apresentação que inclui conjunto(s) de linguagem:

  • Não há como esperar que todas as pessoas lembrem dos conjuntos de todo mundo, especialmente se houverem várias pessoas que se apresentaram;
  • A inclusão do conjunto na apresentação pode pressionar alguém a escolher entre falar seu conjunto corretamente (e talvez explicá-lo) naquela hora ou arriscar ser maldenominade;
  • Por ser um formato mais livre, pessoas podem descrever seus conjuntos de formas pouco inclusivas ou complexas demais;
  • Pessoas podem esquecer ou omitir seus conjuntos com mais facilidade, o que pode desencorajar algumas pessoas de falarem de seus conjuntos, e/ou prejudicar pessoas que queriam ser chamadas por seus conjuntos.

 

Prós de corrigir pessoas quando ocorre maldenominação:

  • É mais fácil de alguém lembrar da linguagem certa para se referir a alguém quando há um lembrete na mesma hora sobre ela;
  • A maioria das pessoas não vai precisar falar seus conjuntos, já que eles só vão ser relevantes se alguma pessoa falar sobre outra, o que ajuda pessoas que não querem dizer seus conjuntos.

 

Contras de corrigir pessoas quando ocorre maldenominação:

  • Esperar ocorrer maldenominação para corrigir coloca esta responsabilidade somente na pessoa que está sendo maldenominada, o que vai afetar desproporcionalmente pessoas cuja linguagem não é presumida corretamente no dia-a-dia;
  • Enquanto é possível não usar linguagem específica para ninguém para não ocorrerem maldenominações, a maioria das pessoas não pensa em fazer isso, o que pode causar constrangimento para certas pessoas, que vão ter que ser corrigidas o tempo todo;
  • Algumas pessoas podem não se sentir à vontade de interromper a fala de alguém para corrigir, e algumas falas podem ser inadequadas de parar para corrigir, o que faz com que algumas maldenominações possam ficar sem ser corrigidas.

 

Prós de perguntar conjuntos para pessoas na hora de falar com elas/sobre elas:

  • A maioria das pessoas não é pressionada a falar de seus conjuntos;
  • Não há a necessidade de lembrar das apresentações de várias pessoas, apenas de lembrar de perguntar conjuntos na hora de falar sobre elas;
  • Não há nem a necessidade de presumir conjuntos, nem a necessidade de se forçar a não usar nenhuma linguagem específica.

 

Contras de perguntar conjuntos para pessoas na hora de falar com elas/sobre elas:

  • Caso a pessoa em questão vá embora, não vai mais ter como saber a linguagem da pessoa;
  • Pessoas que não querem revelar seus conjuntos podem ser mais intimidadas por esse jeito de lidar com a situação do que pelos outros;
  • Alguém pode ter que parar no meio de uma frase para perguntar a linguagem alheia, quebrando o ritmo de uma fala.

 

Mas e então, o que seria melhor?

O motivo desta postagem oferecer várias opções e seus prós e contras é que não existe uma solução perfeita, ao menos não enquanto existe a prática de presumir conjuntos de linguagem de outras pessoas.

Ao escolher que métodos serão utilizados, o tipo de evento deverá ser considerado: é um piquenique entre um grupo fechado aonde a maioria se conhece? É uma roda de conversa pública aonde poderão haver dezenas de pessoas que desconhecem o assunto? É um evento de premiação aonde não haverá muita interação entre quem está falando e a plateia? É um evento dividido entre várias atividades diferentes acontecendo ao mesmo tempo, sendo que haverá um mesmo período de confraternização para todes? É um evento aonde quase as mesmas pessoas se encontram toda semana ou todo mês, ou é provável que a maioria não se conheça?

Além do formato do evento, também pode ser importante considerar outros fatores: o quanto é esperado que quem vá para o evento saiba sobre o quanto é errado maldenominar pessoas? O quanto é esperado que vão saber lidar com o modelo de conjunto de linguagem escolhido? Ao levar em consideração com que roupas as pessoas vão para o evento, o quanto é provável que rejeitem adesivos, camisetas ou broches?

Eu diria que o fator mais importante nisso é que as organizações de eventos levem essa questão de conjuntos de linguagem a sério, a ponto de oferecer para todes es participantes explicações efetivas sobre conjuntos e sobre não presumi-los. Para que maldenominações, piadas com neolinguagem e descaso com explicações acerca de linguagem pessoal parem de ser norma, as organizações dos eventos precisam pensar em como vão lidar com estes problemas, e não só esperar que o oferecimento de crachás, adesivos ou possibilidade de falar dos próprios conjuntos enquanto cada pessoa se apresenta vá magicamente fazer com que pessoas com conjuntos de linguagem “inesperados” sejam respeitadas e contempladas.

Algumas cunhagens de 2017!  0

2017 recém acabou. Poucas identidades novas foram adicionadas às nossas listas, mas, como sempre, temos muitos termos novos.

Esta postagem não possui o objetivo de ditar quais são as identidades mais importantes do ano, nem de ditar que você deveria estar se identificando com essas ao invés de usar o que você usa atualmente. Também não são identidades que você precisa decorar. Estas são apenas algumas identidades que podem ser interessantes para quem se interessa em conhecer ou em recomendar rótulos.

Orientações

Descrição da imagem: um retângulo composto por cinco faixas horizontais do mesmo tamanho. As faixas são, respectivamente, vinho, branca, rosa, branca e verde escura.

Bandeira feminamórica

Viramórique e Feminamórique: São orientações para pessoas não-binárias que sentem atração apenas por um gênero: homens no caso de viramórique, e mulheres no caso de feminamórique.

Enquanto os prefixos vir e femina já haviam sido sugeridos como alternativas a home e mulhe, foi apenas neste ano que sugeriram utilizar estes com o sufixo amórique. A intenção é não ter que depender de sufixos como sexual ou romântique. Ainda assim, é possível se chamar de feminassexual ou de virromântique, caso queiram.

Não consegui achar provas concretas de que os termos foram cunhados em 2017, mas todas as postagens que consegui achar com os termos foram feitos a partir de junho. Aqui está uma delas.

Netúnique (ou neptúnique) e Urânique: Ao contrário das orientações acima, estas são baseadas em exclusão. Uma pessoa netúnica sente atração por todas as pessoas que não são homens ou pessoas não-binárias que sentem conexão com o gênero masculino ou com masculinidade. Uma pessoa urânica sente atração por todas as pessoas que não são mulheres ou pessoas não-binárias que sentem conexão com o gênero feminino ou com feminilidade.

Descrição da imagem: um retângulo composto de seis faixas horizontais de mesmo tamanho. As quatro primeiras formam um degradê de azul até ciano claro, a quinta é um tom claro de creme, e a última é um tom não tão claro de creme.

Bandeira urânica

Estes termos não são exclusivos a pessoas não-binárias, e foram feitos como alternativas ao que seriam mais ou menos orientações como nomin (atração por qualquer pessoa sem conexão com masculinidade), nofin (atração por qualquer pessoa sem conexão com feminilidade), nãomem (atração por qualquer pessoa não-homem) e nãolher (atração por qualquer pessoa não-mulher).

Quem cunhou estes termos foi Ichi, socialjusticeichigo no Tumblr, em 31 de agosto.

Paro-: Esta é uma orientação para pessoas que sentem atração por diferentes gêneros de forma diferente. Por exemplo, a pessoa sente atração por mulheres frequentemente, mas para sentir atração por homens, precisa de um laço especial primeiro. Ou a pessoa tem atração por pessoas agênero frequentemente e por outras pessoas não-binárias às vezes sim e às vezes não, enquanto sua atração por homens e mulheres é presente mas fraca.

É uma orientação multi, por requerer atração por múltiplos gêneros. Pessoas com esta orientação geralmente não se sentem confortáveis em se sentir parte do espectro assexual/arromântico/etc., pois geralmente consideram que ao menos parte da sua atração é completamente alo (frequente/forte/etc.; fora do espectro assexual/arromântico/etc).

Esta orientação foi cunhada por Beau, beau-is-gai (previamente hello-im-cielo) no Tumblr. Aqui está uma postagem com a discussão da bandeira.

Nomaflux (e, consequentemente, nowomaflux): Uma orientação para quem geralmente não sente atração por homens, mas que pode sentir ao menos um pouco de vez em quando. Nowomaflux seria alguém que geralmente não sente atração por mulheres, mas que pode sentir ao menos um pouco de vez em quando. É similar ao conceito de orientações flexíveis, mas é definida de forma mais específica.

Esta orientação também foi cunhada por Beau. Aqui está a sugestão dada.

Path- (é possível traduzir como pat-): Um rótulo para quem não consegue entender sua orientação devido a uma natureza empática.

Além da informação de que o rótulo pode ser usado junto a bi-, a- ou a outros prefixos, não há informação sobre qual a intenção do rótulo. Talvez a pessoa sinta empatia de forma que sinta ter a orientação de outras pessoas, talvez a pessoa não saiba diferenciar a empatia por outras pessoas de atração sexual, romântica, ou outra. Talvez se aplique a ambas as situações.

A cunhagem desta orientação é creditada a caijda no Tumblr, mas a única postagem sobre essa orientação foi postada pelo blog Uncommon Genders.

Gêneros

Descrição da imagem: Um retângulo composto por cinco faixas horizontais de mesmo tamanho. A primeira faixa é turquesa clara. A segunda é amarela clara. A terceira é rosa. A quarta é roxa clara. A quinta é roxa. No centro da terceira faixa, há o símbolo estelariano, uma grande estrela de cinco pontas rodeada de três outras estrelas, uma menor do que a outra. As estrelas são pretas.

Bandeira lunetiana

Jupariane, lunetiane, saturniane e mercuriane: São gêneros não-binários ligados a leves energias celestiais, as quais possuem certas características de gêneros, embora não necessariamente indiquem proximidade destes gêneros. Esta energia pode mudar e variar em intensidade.

A energia celestial de juparianes é masculina, a de lunetianes é feminina, a de saturnianes masculina e feminina, e a de mercurianes é alguma energia que pode ou não ter gênero, mas que de qualquer forma não é masculina, feminina ou de alguma combinação entre as duas.

Estes termos foram criados a partir de outubro de 2017. Evian, juparian no Tumblr, cunhou jupariane, e a partir daí, outros termos foram surgindo.

Gênero-Netuno: Um gênero que de início parece grande e fluido, mas que com o tempo é possível perceber que é relativamente sólido e estável.

Nomeado desta forma porque Netuno é um planeta gasoso com um núcleo sólido.

Este gênero foi cunhado com outros gêneros planetários, lá pelo meio do ano. Confira o resto da lista aqui!

Descrição da imagem: Um retângulo composto por diversas faixas vermelho-rosadas em tons e tamanhos diferentes. A bandeira é simétrica e imita um degradê, de forma que a faixa no centro da bandeira é mais clara e as das pontas são mais escuras.

Bandeira gênero-rubi

Gênero-rubi, gênero-safira e gênero-esmeralda: São gêneros não-binários vagamente fluidos associados esteticamente com suas respectivas pedras. Gênero-rubi é associado com masculinidade, gênero-safira com feminilidade e gênero-esmeralda com neutralidade.

Estes foram cunhados no primeiro semestre. A cunhagem de gênero-rubi e de gênero-safira foi num chat, mas é possível ver a cunhagem de gênero-esmeralda aqui.

Pirogênero: Um gênero associado com fogo. Não apenas com o movimento do fogo, que é o caso de gênero-fogo, mas também com o consumo do fogo, e/ou com a alta temperatura do fogo (que também pode ser relacionada com alguma emoção em relação ao gênero).

Descrição da imagem: Uma bandeira retangular formada por diversos triângulos. O triângulo menor, central na parte inferior, é de uma cor creme. Atrás dele, há um triângulo maior laranja claro. Atrás deste, um triângulo maior laranja avermelhado. Atras deste, podem ser vistas faixas marrons. Atrás delas, é possível ver um fundo preto, ou talvez marrom escuro.

Bandeira pirogênero

Este gênero foi cunhado próximo ao início do ano. A primeira postagem sobre ele está aqui, e alguns outros comentários sobre o gênero estão aqui.

Possigênero: Um gênero para quem não sabe se seu gênero é fluido ou não. Possi vem da palavra possível.

Este gênero foi cunhado anonimamente lá pelo meio do ano.

Feliz 2018, e lembre-se de que sempre há novos termos sendo cunhados para aprender e pesquisar!

Mais mitos e verdades sobre pessoas não-binárias  2

Mitos e verdades é uma série de postagens que vão direto ao ponto sobre opiniões preconceituosas ou errôneas de alguma outra forma.

A presente postagem não cobre assuntos cobertos por esta outra postagem.

Mito: Qualquer conjunto que não é o/ele/o ou a/ela/a é neutro.
Verdade: Linguagem dita neutra é a utilizada para se referir a grupos de pessoas que usam diferentes linguagens, ou a pessoas às quais você não sabe como se referir. Existem conjuntos que raramente são utilizados como neutros (como i/íli/i ou u/ilu/u), e, em nossa sociedade, é possível assumir que o/ele/o é geralmente utilizado como conjunto neutro.
Caso alguma pessoa disser que “usa linguagem neutra”, recomendo perguntar qual a linguagem que utiliza como neutra, afinal neolinguagem oferece opções infinitas que alguém poderia teoricamente considerar neutra.

Mito: Todas as possibilidades de gêneros envolvem masculinidade, neutralidade, feminilidade ou relação a estes conceitos de alguma forma.
Verdade: Limitar as possibilidades de gêneros é sempre prejudicial a alguma categoria de pessoas. Existem diversas experiências de gêneros diferentes que utilizam outros conceitos para serem descritos, existem diferentes gêneros que rejeitam estes conceitos de diferentes formas. Alguns exemplos são maverique, egogênero e caelgênero.
Além disso, é possível ser mulher, ser homem, ou ter algum gênero relacionado a estes sem ter alguma ligação particular com masculinidade, neutralidade ou feminilidade.

Mito: Não existem orientações para pessoas não-binárias atraídas apenas por algum gênero binário.
Verdade: Existem diversas orientações feitas com esse propósito em mente, como home- e mulhe- e diversos prefixos que foram feitos para substituir tanto estes quanto andro- e gine- (prefixos que algumas vezes são utilizados como “atração por pênis” e “atração por vagina” e que por isso são evitados por muita gente). Viramórique ou vir- para atração por homens e feminamórique ou femina- para atração por mulheres são os termos mais populares atualmente, mas isso pode mudar, afinal criam termos novos para isso frequentemente.
Pessoas não-binárias que se sentem confortáveis com isso e que acreditam que estes termos se aplicam à sua experiência também podem utilizar gay, lésbica ou similares.

Mito: Pessoas não são atraídas por pessoas não-binárias, e sim por qual gênero cada pessoa parece ser.
Verdade: Atração por gêneros é por gênero. É possível mentir para si mesme para ver uma pessoa como outro gênero ainda que a pessoa não seja de tal gênero, ou mentir para outras pessoas para que vejam certa pessoa como outro gênero, mas pela consciência e conhecimento sobre o gênero alheio, a atração vai naturalmente começar a ocorrer, deixar de ocorrer, mudar de intensidade, etc., dependendo das orientações e dos gêneros envolvidos.

Mito: Pessoas que se identificam como bi/poli/multi que não sentem atração pelo próprio gênero estão fetichizando gêneros não-binários e tentando esconder que só aceitam sentir atração por um tipo de corpo.
Verdade: Pessoas que deixam de se identificar como hétero por reconhecerem que alguém por quem possuem atração possui um gênero diferente do qual imaginaram estão respeitando mais a existência de gêneros não-binários do que quem quer manter a “pureza” da comunidade LGBTQIAPN+ com a ideia de que só atração pelo mesmo gênero pode ser considerada não-hétero.
Pessoas multi sem atração pelo próprio gênero possivelmente aceitam mais a ideia de que corpo não determina gênero do que pessoas que suspeitam que alguém que (aparentemente) só sente atração por pessoas com certo tipo de corpo seja secretamente hétero.

Mito: Pessoas não-binárias não possuem demandas próprias, diferentes das de pessoas trans binárias.
Verdade: Exorsexismo existe. Pessoas não-binárias precisam de ao menos uma opção de neolinguagem sendo reconhecida oficialmente, precisam da aceitação da sociedade em relação à diversidade de identidades de gênero existentes, precisam de banheiros e espaços que não obriguem a escolher uma opção binária de gênero, precisam de acesso a procedimentos de transição que não assuma ou force pessoas a se identificarem com algum gênero binário. Precisam de que haja acesso à informação sobre pessoas não-binárias para a população geral, precisam poder ter suas identidades respeitadas em consultas, aulas e profissões. Precisam que a sociedade respeite que linguagem, nomes e maneiras de se vestir não devem ser sempre consideradas masculinas ou femininas, e nem prova de que alguém está mentindo sobre seu gênero. Um mundo ideal para pessoas não-binárias precisa de muito mais reestruturação social do que um mundo ideal apenas para pessoas trans binárias.

Mito: Neurogêneros (identidades exclusivas para pessoas neurodivergentes) dificultam o processo de recuperação de pessoas neurodivergentes.
Verdade: Nem toda neurodivergência é “curável”. De qualquer forma, pessoas neurodivergentes merecem palavras para descrever suas experiências, ainda que elas mudem no futuro por conta de certos sintomas amenizarem ou desaparecerem. Ninguém precisa ficar prese a rótulos que não são mais úteis.

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