Chamada para grupos não-binários e inclusivos da população não-binária

Links
Link resumido para publicações sem acesso a links: orientando.org/social26
Introdução
Com o exorsexismo da sociedade em geral e o crescimento da retórica transmedicalista e conformista de gênero em espaços cisdissidentes brasileiros, pode ser difícil pessoas não-binárias acharem espaços onde possam socializar sem terem que se adequar a expectativas cissexistas: há grupos trans onde pessoas não-binárias não são vistas como “suficientemente trans” por não desejarem realizar terapia hormonal, grupos heterodissidentes onde apenas atração por mulheres ou por homens são consideradas reais, grupos assexuais alienados a questões de linguagem e assim por diante.
Porém, também existem pessoas não-binárias se identificando com praticamente qualquer outra identidade queer: há pessoas não-binárias veldianas ou lésbicas (ou que se encaixam em ambos os termos), há pessoas não-binárias bi, pan, pôli ou pertencentes a outras orientações múlti, há pessoas não-binárias trans (e o termo trans como é geralmente definido já deveria incluir quase todos os casos de não-binaridade por si só), há pessoas não-binárias intersexo e há pessoas não-binárias nos espectros assexual e/ou arromântico. Também existem espaços focados especificamente na não-binaridade. Além disso, pessoas não-binárias possuem vidas além da heterodissidência e da cisdissidência: podem estar em fandoms de jogos ou livros, podem fazer parte de coletivos anarquistas, podem estar em faculdades ou ter empregos. Espaços para estas pessoas podem ou não ser amigáveis para pessoas não-binárias.
É uma questão complicada de se medir mesmo quando o grupo se coloca como a favor de pessoas cisdissidentes, já que a experiência não-binária é muito diversa. É relativamente fácil aceitar uma pessoa não-binária que aceita qualquer linguagem pessoal, tem aparência convencional e usa algum termo comum para a própria orientação; é mais difícil um grupo aceitar alguém que exige ser tratade com neolinguagem, que fez várias modificações corporais e que especifica ser grisfeminassexual e trixenromântique. É uma questão mais complicada ainda quando se trata de aceitar alguém que também sofre exclusão por conta de outras intersecções, como pessoas com deficiência, racializadas ou gordas.
O artigo resultando desta coleta de dados não tem como resolver tudo isso, mas ela parte dos seguintes pontos de partida:
- O registro de eventos síncronos regulares (isto é, que não são grupos de bate-papo ou encontros que aconteceram algumas vezes na década passada);
- Que tenham como objetivo principal ou secundário a socialização (isto é, que não sejam aulas/painéis/shows onde não há muita abertura para conhecer pessoas);
- Onde pessoas não-binárias não se sentiriam desconfortáveis em falar de como a não-binaridade afeta suas vidas (isto é, onde o desconforto de outras pessoas com aspectos da não-binaridade não seja comum/centralizado);
- Que já seja frequentado por pessoas não-binárias (isto é, a existência de pessoas não-binárias no espaço não deve ser hipotética).
Os eventos podem ser em quaisquer localidades, ter quaisquer temas e exigir quaisquer restrições identitárias (desde que estas sejam abertas pelo menos a parte da população não-binária). Isto é, pode ser um clube do livro para pessoas gênero-fluido autistas via Discord, pode ser um encontro de pessoas que gostam de certo estilo de música na garagem de alguém ou pode ser um encontro físico para quaisquer pessoas cisdissidentes sem assunto específico em um determinado parque.
Aqui está o formulário! Qualquer divulgação é bem vinda.
O formulário ficará aberto até 30 de setembro de 2026. Caso menos de 5 respostas sejam válidas, não haverá nenhuma postagem sobre o tema.
No Comments Yet