Analterose (não-alterous) e aqp

Início Fóruns Comunidade Identidades Analterose (não-alterous) e aqp

Este tópico contém respostas, possui 2 vozes e foi atualizado pela última vez por  Aster 11 meses, 1 semana atrás.

Visualizando 5 postagens - 1 até 5 (de 5 do total)
  • Autore
    Postagens
  • #3814 Quote

    kau
    • e/ily/-
    • a/elu/e

    Participante

    Percebi todas as bandeiras fora a principal (de allo-alterous) têm a cor azul, até que me perguntei porquê e pesquisei.

    Achei conversas na AVEN, e procurei pela bandeira analterosa, pensei: seria uma cor ‘basic’?! Ou cor oposta ao vermelho na bandeira alterosa?!

    A bandeira nem está no pride flag-for-us, então pelo que concluí, a maioria da população é não-alterose, então analterous seria ‘normie’.

    Aí me perguntei, aloplatoniques também são a maioria, mas aqueerplatoniques também?! Também não achei a bandeira aqueerplatonica, só a gray-aqp, a mesma coisa no começo quando busquei a não-alternative.
    Aspec supostamente eram pra ser minorias, mas nesses tipos de atração eu fiquei em dúvida.

    0
    #3833 Quote

    Aster
    • ed/eld/e
    • -/éli/e

    Admin

    Yeaaaah, a maioria coloca analternative (a tradução que uso pra alterous é alternative) como uma orientação privilegiada, mas eu acho que a coisa é mais complicada do que isso.

    Tipo, em termos de outras atrações:

    Sexual: Espera-se que as pessoas sintam atração sexual, tanto por pessoas qualquer na rua, quanto por celebridades, quanto dentro de um relacionamento compromissado. Pessoas também muitas vezes se baseiam apenas em sua atração sexual para dizer qual é sua orientação. Portanto, ser assexual é fora da norma.

    Romântica: Espera-se que as pessoas sintam atração romântica; com menos frequência do que a sexual, mas ainda espera-se que pessoas busquem relacionamentos com seu amor verdadeiro, e que tenham quedinhas por amizades e talvez por personagens desde cedo. É esperado que, dentro de um relacionamento compromissado, as pessoas se amem. Portanto, ser arromântique é fora da norma.

    Sensual: Espera-se que as pessoas desejem toque, especialmente dentro de relacionamentos sérios, ou com relação a pessoas de quem gostam romanticamente ou sexualmente. Portanto, ser assensual é fora da norma, ainda que poucas pessoas deem nome a suas orientações sensuais. Isso pode variar de acordo com que tipos de toques são associados com atração sensual, mas acredito que, na maioria dos casos, a norma seria ser heterossensual.

    Platônica: Aqui temos o problema de atração platônica ser definida como duas coisas diferentes. Para propósitos de simplificação, vou assumir que estamos falando de atração platônica no sentido de desejar fazer ou manter amizades com pessoas específicas. Ainda que hajam incentivos para que pessoas só façam amizades dentro de seus próprios gêneros, alguém que diz que não sente vontade alguma de ter amizade com certo(s) gênero(s) provavelmente seria viste como preconceituose. Pessoas que não querem fazer amizade alguma também podem ser vistas como frias, estranhas ou esnobes: portanto, a norma provavelmente é ser panplatônique.

    Queerplatônica: Relacionamentos queerplatônicos por si só são estigmatizados. Afinal, aos olhos da sociedade, ou a relação deveria ser recategorizada como amizade, ou a relação é secretamente romântica/sexual/insegurança com compromissos/etc. Porém, ainda que não ter relacionamentos queerplatônicos seja uma norma, não querer ter nenhum tipo de relacionamento também está fora da norma. Assim como existem pessoas que dizem que “ao menos pessoas assexuais podem ter relacionamentos românticos”, existem pessoas que dizem “ao menos pessoas arromânticas podem ter relacionamentos queerplatônicos”. Portanto, eu não diria que existe orientação queerplatônica privilegiada.

    Alternativa/alterosa/alterous: Atração alternativa pode ser definida de diferentes formas, e acho que a questão principal é que ela não é nenhuma das outras. Alguém que utiliza uma orientação alternativa vai atrair comentários de que ela é inútil ou inexistente. Não acho que alguém vai tentar extrair informações de uma orientação alternativa porque não é um conceito conhecido, e porque ela toma formas diferentes de acordo com cada pessoa. Portanto, acho que é um caso similar à queerplatônica: a sociedade não quer que pessoas tenham esse tipo de atração, mas também prefeririam que houvesse esse tipo de atração a nenhum.

    Resumindo: Orientações queerplatônicas e alternativas/alterosas geralmente são irrelevantes para pessoas alorromânticas e alossexuais, então não vejo como uma pessoa aqueerplatônica/analternativa heterorromântica e heterossexual teria uma experiência de vida diferente de alguém com a mesma orientação romântica e sexual que simplesmente não categoriza suas orientações queerplatônicas e alternativas. Porém, no caso de pessoas arromânticas (principalmente), vejo como pode ser motivo de discriminação tanto não sentir outros tipos de atração, quanto sentir atração de forma vista como inválida pela sociedade.

    Acho que esse pensamento de “não precisamos de bandeira analternativa” vem de pensar nesses casos de pessoas alo que dizem não ver sentido ou propósito nesse tipo de atração, e que portanto seriam tecnicamente analternativas ou quoialternativas. E aí não pensam nas pessoas que se identificam como tal por quererem mostrar que não sentem a atração alternativa “no lugar” de outra.

    Mas fora isso, achou o significado da cor azul? Fiquei curiose lol

    0
    #3862 Quote

    kau
    • e/ily/-
    • a/elu/e

    Participante

    @tathsantanna

    a tradução que uso pra alterous é alternative

    Ah sim. Antes pra mim era apenas emocional (já vi termos como biemotional), então vi LG usar no post da pagina Assexualidade da Depressão como atração alterosa, incluindo outros conceitos como atração erótica, atração amorosa, atração amical, atração estática, atração social, atração intelectual/mental, atração estética, atração protetora e atração submissa. Com as explicações:
    A atração emocional/extática descreve o sentimento de que ficar próximo de alguém te desperta a atenção, mexe com seus sentimentos e/ou faz você se sentir bem, sem que você necessariamente sinta algum tipo de compatibilidade mais profunda com tal pessoa, mesmo que essa interação deixe seu coração batendo forte ou te cause borboletas no estômago;

    A atração social descreve o sentimento de que determinada pessoa é o tipo de companhia que faz você se sentir menos solitário ou isolado, e de que interagir com essa pessoa lhe traz maior paz-de-espírito no sentido de não se sentir ilhado, nem se sentindo sozinho, nem se sentindo mal pela falta de compatibilidade com determinada pessoa quando você tenta se socializar;

    A atração intelectual descreve o sentimento de que sua compatibilidade de ideias, pontos-de-vista, forma de se comunicar e interesses gerais com outra pessoa torna suas interações muito estimulantes e confortáveis, e que você se sente bem ao partilhar sua forma particular de pensar com ela, e também de receber a contribuição que ela traz para você;

    A atração protetora é aquela que descreve, de forma mais estereotipada, o sentimento que temos com respeito a uma criança pequena, a uma pessoa vulnerável, ou a um animal de estimação – ela se baseia na necessidade de nos sentirmos necessários e importantes para que se possa garantir o bem-estar alheio. Uma pessoa que passa de uma situação normal para uma de tristeza ou estado indefeso desperta em muitos de nós não apenas simpatia, mas também um tipo especial de atração que nos leva a querer estar ao seu lado;

    A atração submissa é a forma como eu me refiro ao inverso da interior, ou a sua atração com respeito ao seu protetor. É a atração que sentimos quando buscamos o colo de nossas mães quando queremos chorar. Nas circunstâncias onde me sinto frágil e vulnerável, a possibilidade de que alguém possa me proteger e compreender me faz sentir um tipo especial de atração com respeito a tal pessoa. Como pessoa oprimida por várias opressões estruturais diferentes (ser pessoa trans – com os acréscimos de ser não-binária, não-disfórica e designada menino ao nascer -, ser bi-pan, ser autista, ser gordo, etc.), cuja ideologia responsável por essas diferenças sociais move muito ódio por aí, creio que me causa atração submissa as pessoas que podem compreender-me e apoiar-me no sentido de que tenho a garantia de que essas pessoas serão empáticas comigo, por exemplo.

    Apesar que se for traduzir, ficaria alterada/alterade/alteridade, e soaria estranhx. Alternative parece esclarecedor no sentido referencial a aplatonicidades/arromanticidades.

    Vi ontem bandeiras de orientações estéticas, e também a bandeira aqueerplatonica que solicitei.

    Vi o FAQ do pride-flags-schemes e só agora fui ler seu texto, que teoriza que straights seriam panplatôniques, assim como já vi no Bi-sides gente falando que todes somos bissociais. Ainda não sei a diferença de atração amical pra social, mas a platônica pra mim é busca por um companheirismo e não apenas amigar, logo a maioria das pessoas seriam heteroplatonicas (alo-mono), sendo apenas a pansocial maioria. Nesse sentido, eu sendo associal/anamical, me tornaria adfectuqueerplatonique/apl, mesmo sendo a minha atração mais constante.

    Só o incoerente desse FAQ, é que a mesma pagina (ou similares) posta coisas como morosexual/noetisexual (coisas tipo sapio), comsexual (muito allo-pride com alusão pomo-spec), e até mesmo reutilizam bandeiras como monogamic pride, criadas por flags-for-cishets. Mas nesse ultimo caso, como já criaram pra heteroromantic, heteroflexivel e aliades, deram brechas e hoje sou indiferente a existência delas.

    Enfim. Falar que não-alternatives e panplatonics são norma, me faz pensar que hetero-alternatives pareçam marginalizades. A do (a)queerplatonic consegui entender.

    E por um lado, o conceito de panamicais/pansociais serem normas, ignora a misoginia e a amato-normatividade (ciume), em que mulheres têm que ser nãomem/homoplatonicas (sem amizades com homens), mesma coisa com homens (nãolher), ou de que homens com muitas amizades femininas (heteroamical/heteroplatonico) são todos gays, e vice-versa, entre outras coisas.

    0
    • Esta resposta foi modificada 9 meses atrás por  kau. Motivo: adição de uma postagem completa em ingles relatando
    #3863 Quote

    kau
    • e/ily/-
    • a/elu/e

    Participante

    Mas fora isso, achou o significado da cor azul? Fiquei curiose lol

    Não, ainda procuro e acabei de perguntar pra pagina MOGAI, incluindo as cores anestéticas e assensoriais, que Ariel Franz me questionou quando postamos Orientações Assensuais.

    Mas o roxo da assexual também não tem significado, a não ser representação comunitária por votação. Então…

    0
    #3871 Quote

    Aster
    • ed/eld/e
    • -/éli/e

    Admin

    Vi o FAQ do pride-flags-schemes e só agora fui ler seu texto, que teoriza que straights seriam panplatôniques, assim como já vi no Bi-sides gente falando que todes somos bissociais. Ainda não sei a diferença de atração amical pra social, mas a platônica pra mim é busca por um companheirismo e não apenas amigar, logo a maioria das pessoas seriam heteroplatonicas (alo-mono), sendo apenas a pansocial maioria. Nesse sentido, eu sendo associal/anamical, me tornaria adfectuqueerplatonique/apl, mesmo sendo a minha atração mais constante.

    Então, a diferença é somente em como as orientações em si são definidas. Se a pessoa usa platônica = amizade, a norma seria panplatônica (ou é esse meu argumento naquela postagem). Se a pessoa usa platônica como companheirismo dentro de um relacionamento com compromisso, ou como queerplatônica, ser panplatônique com certeza não é a norma.

    Eu até coloquei link de alguma postagem daquele blog assexual na página dos outros tipos de orientação, porque são conceitos que podem ser úteis, mas… muitas vezes se tratam de tipos que outras pessoas colocam dentro de outros tipos, ou de tipos que não deveriam ser relacionados com relacionamentos da mesma forma que atração sexual/romântica/sensual/etc. (porque se aplicam igualmente ou até mais a pessoas da família ou a amizades).

    Tipo, são conceitos interessantes, mas são pouco discutidos e pouco definidos. O conceito de orientação platônica já é relativamente conhecido e tem várias interpretações diferentes, e o conceito de orientação estética como algo que precisa de bandeira é recente.


    Noeti não foi cunhada como uma alternativa a sapio? Tipo, atração pelos interesses da pessoa e tal, ao invés de ser simplesmente por “inteligência”?


    Com não é “allo pride” mais do que outras identidades seriam, é uma identidade específica para pessoas que não querem definir por quantos ou quais gêneros sentem atração. Eu diria que é uma versão mais específica de pomo ou de queer, que pode ser muito útil para pessoas que estão questionando se são atraídas por múltiplos gêneros ou não, ou para quem sente atração só por algumas pessoas não-binárias e não quer ser alvo de chacota ou de… problematizações indevidas.

    A única pessoa que conheci que se identificava como consexual era alguém que se identificava como bissexual por conta de ter uma comunidade maior, mas que sentia que seus fetiches deveriam definir mais sua orientação do que a quantidade de gêneros pelos quais essa pessoa sentia atração por.


    E por um lado, o conceito de panamicais/pansociais serem normas, ignora a misoginia e a amato-normatividade (ciume), em que mulheres têm que ser nãomem/homoplatonicas (sem amizades com homens), mesma coisa com homens (nãolher), ou de que homens com muitas amizades femininas (heteroamical/heteroplatonico) são todos gays, e vice-versa, entre outras coisas.

    Então, eu até pensei nisso, mas me pergunto se 1) isso não é problema exclusivo de misoginia e etc., assim como certos relacionamentos hétero serem vistos como ruins/nojentos (envolvendo pessoas trans, de raças diferentes, de religiões diferentes, uma pessoa “bonita” e uma “feia”, etc.) não significa que pessoas hétero são oprimidas por serem hétero e se 2) o rechaço da sociedade seria pior para alguém que diz que não faz amizade com pessoas de certo gênero ou para pessoas que fazem amizades com todos os gêneros igualmente.

    Mas yeah, eu admito que não tenho informações suficientes para tirar boas conclusões em relação a isso, só estou supondo.


    Mas o roxo da assexual também não tem significado, a não ser representação comunitária por votação. Então…

    Enquanto isso, a cor verde simboliza a comunidade arromântica porque é a oposta a rosa, “cor do amor”, e a bandeira aplatônica é composta por cores que supostamente são opostas a cores associadas com amizade.

    É possível que não tenha motivo nenhum, mas também é possível que tenha. @[email protected]

    0
Visualizando 5 postagens - 1 até 5 (de 5 do total)

Você deve fazer login para responder a este tópico.