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Lésbica

Bandeira lésbica

Uma lésbica é uma mulher ou pessoa não-binária que se alinha com mulheres que sente atração por outras mulheres ou pessoas não-binárias que se alinham com mulheres.

Não é necessário ser parcialmente mulher para se considerar lésbica: existem pessoas agênero ou juxeras (por exemplo) que se classificam como “alinhadas com o gênero feminino” ou como “alinhadas à feminilidade”, e que são lésbicas.

Há controvérsias em relação a pessoas alinhadas com homens, ou não alinhadas nem com mulheres nem homens: algumas pessoas dizem que uma pessoa bigênero mulher/homem deveria poder se considerar lésbica por ser parcialmente mulher, outras dizem que isso está desconsiderando a parte homem do gênero. Similarmente, algumas pessoas dizem que pessoas de gêneros como neutrois ou maverique deveriam poder se considerar lésbicas por não serem homens, enquanto outras pessoas apontam que isso só parte do princípio de que pessoas não-binárias podem ser reduzidas a um gênero binário quando for conveniente.

É válido notar que lésbicas com atração por homens (cis, ipso ou trans), ou por pessoas não-binárias que não se consideram alinhadas com o gênero feminino de forma nenhuma, estão expressando exceções à sua orientação. Independentemente dessas lésbicas quererem futuramente mudar seu rótulo para bi ou para outra orientação multi ou não, pessoas que não se consideram mulheres ou alinhadas com mulheres não o são só porque alguém que se identifica como lésbica sentiu atração por elas.

Lésbique, até o fim do século XIX, era geralmente um rótulo para o que vinha da ilha de Lesbos, na Grécia. Porém, na segunda metade de tal século, estudiosos começaram a utilizar “lesbianismo” para descrever relações sexuais entre mulheres, pois a poetiza Safo, que viveu na ilha de Lesbos entre os séculos VI e VII a.C., escrevia diversos poemas de amor para outras mulheres. Esta é também a origem de palavras como sáfica.

Assim como o que aconteceu com a classificação bissexual, lésbicas eram ocasionalmente referidas como membras de “outro sexo”, porque qualquer desejo sexual era visto como uma característica masculina.

Algumas lésbicas utilizam a bandeira gay de cabeça para baixo para representá-las

Por conta disso, era comum (e ainda é, até certo ponto) acreditar que lésbicas não existem de verdade, porque mulheres supostamente não possuem desejos sexuais. É isso o que levou diversos grupos a categorizarem lésbicas como um grupo separado de homossexuais. Isso pode ter influenciado a futura separação entre homens serem gays e mulheres serem lésbicas (mesmo que atualmente seja comum mulheres se chamarem de gays também).

Ainda assim, historicamente, era comum que lésbicas e homens gays compartilhassem os mesmos espaços, para que, ao fim dos eventos, pudessem sair em casais que parecessem hétero, e evitar suspeitas ou perseguições.

Relatos de uma rica cultura LGBT+ do início do século XX podem ser encontrados, mas a Grande Depressão e a ascensão do nazismo na Europa no fim dos anos 20 e início dos anos 30 forçou grande parte da comunidade a se misturar na sociedade heteropericissexista. As pessoas que sobraram ficaram isoladas de suas comunidades, ou ficaram em comunidades pequenas e fechadas em grandes cidades.

Durante a Segunda Guerra Mundial, porém, as normas sociais ficaram um pouco mais frouxas em países que enviaram seus exércitos para a guerra, pela necessidade de haverem mulheres trabalhando ou servindo no exército, na ausência de homens. Isso fez com que mulheres que não se conformavam com as normas de gênero em geral – muitas vezes, lésbicas – estivessem mais livres para viver suas vidas.

Bandeira lésbica

A Alemanha nazista considerava mulheres sáficas e outras pessoas designadas como mulheres ao nascimento que pareciam lésbicas aos olhos da polícia como “associais”, por não se encaixarem no modelo ideal que o nazismo pregava contra mulheres. Como pessoas brancas com úteros ainda poderiam reproduzir e assim contribuir para “a raça ariana”, era difícil alguém ir para campos de concentração apenas por ser “associal”.

Ainda assim, lésbicas suficientes foram consideradas “associais” a ponto de adotarem o triângulo negro como símbolo, assim como homens gays (e pessoas transfemininas ou até mesmo a comunidade queer em geral, até certo ponto) adotaram o triângulo rosa.

Os símbolos dos triângulos negro e rosa equiláteros com uma ponta para baixo já foram criticados por serem antissemitas e antiziganistas, afinal, são imagens que remetem ao Holocausto. Porém, são imagens que foram espalhadas e reapropriadas com a ajuda de comunidades LGQ judaicas (pelo menos), e o consenso geral é que não há problema em utilizá-las, ao contrário de outros símbolos que são exclusivamente para outras comunidades afetadas pelo Holocausto.

Após a Segunda Guerra Mundial, a pressão social para que os países voltassem a ser os mesmos de antes da guerra, junto com a pressão anticomunista, fizeram com que a cultura LGBTQIAP+ voltasse a ser mais escondida. Isso influenciou, por volta dos anos 50 e 60, uma cultura butch/femme, onde algumas lésbicas se vestiam de roupas associadas com homens e imitavam comportamento associado à masculinidade (butches), enquanto outras se vestiam de forma associada à feminilidade e agiam de forma mais submissa (femmes). Em alguns lugares, dizia-se ser impossível uma lésbica ficar com alguém se não assumisse um dos dois papeis.

Bandeira específica para lésbicas butch

A cultura butch/femme era mais popular entre pessoas da classe trabalhadora, enquanto lésbicas estadunidenses de padrão de vida mais alto achavam tal comportamento “grosseiro”. Muitas dessas acabaram casando com homens ou indo para a Europa.

Nos anos 70, houve o advento do feminismo radical, que pregava (entre outras coisas) que o único jeito de combater o sexismo era recusar qualquer relacionamento sexual com homens. Esse movimento foi forte o suficiente para que lésbica deixasse de ser “mulher que transa com mulheres” para ser uma identidade política que significa “mulher que não transa com homens”, ou “mulher que transa com mulheres”.

Embora essa segunda descrição possa se aplicar a mulheres assexuais, é válido notar que o feminismo radical também pregava que o comprometimento político com o feminismo levaria a mulher a desejar sexualmente outras mulheres.

Foi nessa época que surgiu a definição de lésbica política: uma mulher que escolhe ser lésbica, por via de recusar relacionamentos com homens, independentemente de ter relações com mulheres ou não. Lésbicas políticas podem ter atração que pode ser descrita como heterossexual, assexual ou bissexual, entre outros rótulos, mas se caracterizam como lésbicas porque concordam com a teoria feminista radical.

Nem todas as lésbicas concordavam com feministas radicais, tanto por não gostarem da ideia de pessoas escolhendo ser lésbicas, quanto por priorizarem direitos de terem relações com pessoas do mesmo gênero e não movimentos de mulheres. Vale notar que muitas lésbicas radicais se recusavam a trabalhar com homens gays, e que feministas radicais detestavam a dinâmica butch/femme que era comum na época.

Mesmo assim, foi a partir dessa época que houve uma separação entre mulheres lésbicas e mulheres bi, e mais tarde houveram outras separações onde parte das novas comunidades vieram das comunidades bi e lésbica, como a ideia de homens trans hétero, de mulheres assexuais, de mulheres pan, de lésbicas não-binárias, etc.

Bandeira para lésbicas de batom

Nos anos 90, surgiram as subculturas lésbica de batom e lésbica chic, que consideravam feminilidade uma ferramenta de empoderamento, e iam contra o estereótipo de lésbicas feministas radicais que se popularizou nos anos 70 e 80. Algumas pessoas usam lésbica de batom e femme como sinônimos, e outras dizem que a diferença é que femmes sempre procuram relacionamentos com butches, enquanto lésbicas de batom sempre procuram relacionamentos com outras lésbicas de batom.

A bandeira das lésbicas de batom sem o beijo foi considerada uma substituição adequada da bandeira lésbica com o machado e o triângulo negro, ocasionalmente tomada por antisemita/antiziganista. Já outras lésbicas acreditam que tal bandeira só representa femmes/lésbicas de batom, e utilizam outras bandeiras ou símbolos se são butches ou futches (entre butches e femmes).

Lésbica em inglês é lesbian. Um termo geral adequado para mulheres/pessoas não-binárias que se alinham com mulheres que sentem atração por ou que estão em relacionamentos com outras mulheres/pessoas não-binárias que se alinham com mulheres é sáfique (sapphic, em inglês); ao contrário do que certos dicionários dizem, sáficas não são necessariamente lésbicas.


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