TODXS Embaixadorxs – Follow-up do programa

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Este tópico contém respostas, possui 4 vozes e foi atualizado pela última vez por  Mimi 2 dias, 19 horas atrás.

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    Tath
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    • -/éli/e

    Mestre

    Eu vou falar sobre tudo o que aconteceu no programa, então já aviso que esse texto será meio longo. Vou colocar um resumo no fim, para quem não se importar com detalhes.

    Para quem não sabe, TODXS Embaixadorxs é um programa da TODXS com o objetivo de capacitar pessoas jovens para que façam projetos que ajudem a comunidade LGBTQIAPN+ do Brasil. Na prática, isso significa que tivemos aulas e trabalhos para fazer, e depois orientações para elaborarmos um projeto que tenha algum tipo de aplicação prática.

    Por exemplo, uma das pessoas do programa planejou uma casa de acolhimento para pessoas LGBTQIAPN+ (o projeto já está em andamento btw), outra planejou um curso de formação sobre identidades LGBTQIAPN+ focado em crianças e professories do ensino fundamental e outra planejou um curso de formação para profissionais da área da saúde focado em saúde intersex. Foram ao todo 18 projetos, se eu não me engano de 21 pessoas diferentes; a turma era de 26 pessoas, mas algumas pessoas não ficaram até o fim do programa.

    Como esse ano foi a primeira turma, eu não duvido que o programa mude bastante mais pra frente. Estou contando minhas experiências, não garanto que vão acontecer as mesmas coisas em turmas futuras.

    Enfim, vamos por partes.

    1. A seleção

    Inicialmente, preenchi um formulário com meus dados, e tive que enviar um vídeo de até 1:30 para explicar quem sou e porque quero entrar no programa.

    Não me lembro muito bem de como foi, mas lembro que tinha um monte sobre experiências passadas com liderança. Todo esse negócio de liderança e de questionários com perguntas vagas já me deixou meio mal, porque minhas experiências de liderança foram principalmente pela internet, e o questionário pareceu bastante esquema de entrevista de emprego, sendo que estes são geralmente feitos para eliminar pessoas sem certo perfil psicológico. Ugh.

    Lembro que demoraram um tempão para dar qualquer resposta sobre o questionário. Mas eventualmente me convidaram para a próxima fase da seleção, que se não me engano foi por Skype. Foi uma entrevista, que tinha perguntas específicas a serem respondidas, especialmente para elaborar sobre minhas experiências. Uma das perguntas falou sobre experiências com algum dos valores (acho que) da TODXS, e essa pergunta me ferrou, porque eu não sabia o que falar. Demorei um tempão e falei algo que acho que nem tinha tanto a ver com o valor que escolhi falar sobre, e aí tive certeza que já era pra mim; entrevistas de emprego são a maneira mais efetiva de manter pessoas como eu fora de empresas.

    Mas talvez minhas experiências e sonhos fossem suficientes para me aceitarem, ou talvez não liguem tanto para o padrão empresarial quanto parecem ligar, ou talvez as outras pessoas que se candidataram tivessem ido bem pior. De qualquer forma, menos de uma semana depois (até onde me lembro) já recebi um e-mail dizendo que eu fui aceite no programa, com instruções posteriores sobre os workshops. No mesmo dia foi criado um grupo no WhatsApp com as outras pessoas do programa.

    2. Primeira fase

    Acredito que a primeira fase do programa tivesse o objetivo de dar uma formação básica sobre ativismo e identidades LGBTQIAPN+.

    A cada duas semanas, nos domingos à noite, tínhamos que estar em uma conferência em vídeo com ume palestrante que falaria sobre interseccionalidade, movimento LGBT+, movimento gay, movimento lésbico e bi, movimento trans, e talvez mais alguma coisa que eu tenha esquecido. Todos os workshops tinham leituras obrigatórias e opcionais, sendo que as leituras não chegavam a ser mais do que, digamos, 10 páginas cada.

    A cada duas semanas, nos domingos que não tínhamos workshops, tínhamos que entregar algum trabalho (chamado de desafio), que geralmente tinha a ver com nossas experiências, e às vezes com alguma imagem/vídeo que tínhamos que comentar sobre. Os desafios eram feitos em grupos de algumas pessoas, que eram escolhidos pelo time da TODXS.

    2.1. Os workshops

    Os workshops geralmente eram de pessoas bem preparadas em relação ao assunto, mas houveram diversos problemas com o som, provavelmente porque não testaram antes se as pessoas tinham experiência com videoconferência, e equipamento adequado para isso. Muitas pessoas também não sabiam como ver o chat e dar suas aulas ao mesmo tempo, e aí eu não sei o quanto tem a ver com não poder ou com não conseguir.

    O Zoom é uma ótima plataforma em certos aspectos. É possível escolher rapidamente qual o microfone e áudio que você quer usar dentro da conferência, e conseguimos fazer algumas dinâmicas de grupo interessantes porque é possível dividir a conferência em várias salas temporariamente. Mas colocar o chat junto à transmissão é bem chato e difícil, o sistema de mensagens privadas não é intuitivo e, mesmo com mais de um monitor, não dá pra ver todo mundo ao mesmo tempo, porque o menu com os vídeos de todas as outras pessoas não expande muito. Nada que prejudique demais a experiência, mas incomoda um pouco.

    Os assuntos dos workshops também incomodaram. O primeiro workshop era de interseccionalidade, e embora eu entenda que esse seja um conceito do feminismo negro, acho que poderia ter uma negra LGBTQIAPN+ também falando sobre intersecções com suas identidades LGBTQIAPN+. Ume colega do programa deu a sugestão de ter uns 2 ou 3 workshops sobre interseccionalidade, com pessoas de intersecções diferentes, para que intersecções com tamanhismo, capacitismo, cissexismo, diadismo, heterossexismo, alossexismo, exorsexismo, etc. pudessem ser cobertas também.

    Houve um workshop exclusivo sobre movimento gay obrigatório sendo que tivemos workshop sobre movimento LGBT+ no workshop anterior. Por ser a mesma pessoa cobrindo os dois assuntos, que não tinha tempo de fazer dois workshops, os workshops sobre movimento lésbico e bi tiveram que ser condensados no mesmo. O workshop trans foi legal, mas parou por aí: o workshop intersexo foi opcional, o queer também seria mas não chegou a acontecer, diversas pessoas pediram sobre não-binariedade e também não teve nada.

    Com a quantidade de comentários ignorantes sobre ser assexual, sobre o espectro assexual, e sobre identidades não-binárias que houveram no grupo do WhatsApp, a falta de preocupação da equipe em cobrir esses assuntos foi preocupante.

    Também acho que não preciso falar o quanto não teve nenhum incentivo para aprender sobre algumas identidades básicas, ou para compartilhar experiências sobre as próprias identidades de cada pessoa. Aliás, eu até vou falar sobre isso nos desafios, mas antes quero fazer mais uns apontamentos:

    – Para o workshop de identidade lésbica e bi, os três textos obrigatórios eram sobre a comunidade lésbica, e o opcional era sobre a comunidade “LGBT” em geral;
    – Os textos lésbicos tinham muita retórica radfem embutida, que não foi refutada em nenhum texto e nem no workshop;
    – Eu perguntei sobre aceitação de mulheres trans na comunidade lésbica, e a pessoa dando o workshop disse que qualquer pessoa que se diz mulher é aceita nesses espaços;
    – Ninguém falou em exclusionismo, atual (QIAPN) ou histórico (LBT) em nenhum momento, até onde me lembro;
    – Pessoal da TODXS me pediu uma lista de leituras para que pudessem ser mais inclusives no futuro. Eu fiz a lista, não obtive nenhum retorno. Ok que a lista é longa, mas não tive nem um “eu quero ler mais sobre isso, onde acho?” ou “eu queria aprender mais sobre isso, pode explicar?” ou “não tem nada sobre (insira identidade aqui)?”, então… yeah.

    2.2. Os desafios

    Geralmente tínhamos uma semana para fazer os desafios, mas às vezes tivemos mais tempo.

    O grande problema dos desafios é lidar com pessoas com agendas totalmente diferentes que precisam conversar para entrar em algum consenso. Para es futures embaixadories, recomendo fazerem os grupos o mais cedo possível e trocarem ideias o mais cedo possível, sem se importar tanto com o quanto não é tão legal fazer algo sem videoconferência ou chat direto. Se precisarem de uma mídia mais estática, usem e-mail; se precisarem escrever no computador, deixem de preguiça e usem o WhatsApp Web ou façam um grupo no Skype/Discord/etc.

    Embora os assuntos dos desafios fizessem com que as pessoas tivessem que pesquisar sobre alguma identidade e trocar experiências com pessoas de identidades diferentes, eu não sei se os desafios foram muito efetivos. Não havia nenhum compromisso para ver os trabalhos des colegas, e algumas vezes estes trabalhos estavam relativamente incompletos, ou não eram feitos.

    Os desafios também muitas vezes vinham de um ponto de vista mais para o lado de certas identidades/experiências. Uma apresentação de 2 páginas ou de 10 minutos parece razoável se estamos falando de “quais as leis que protegem contra discriminação anti-LGBT+”, mas não tanto se estamos falando de “o que é gênero, quais gêneros existem, como gênero funciona, como não ser cissexista, quais são os preconceitos que pessoas trans/não-binárias sofrem?”. Uma pergunta do tipo “quando você saiu do armário” parece indicar que é só você decidir que vai se abrir sobre sua identidade que todo mundo automaticamente vai saber dela e te reconhecer como ela.

    O que ficou pra mim é que os desafios só funcionam se os grupos escolhidos tiverem alguma sinergia entre si, ou:

    – Uma pessoa vai se esforçar para fazer um bom trabalho, sendo que não vai ter comentários nem des colegas de grupo que querem acabar com isso logo nem dos outros grupos que não vão ver o trabalho;

    – O grupo criado vai ser um porre, o trabalho final vai ficar ruim, e o que vai acontecer vai ser só uma insatisfação geral por não ter feito um bom trabalho, ainda que não tenha nenhuma consequência real por conta disso.

    Tipo… as pessoas do grupo vão ser as únicas preocupadas com a qualidade do trabalho, então são as únicas que vão ter que pesquisar, aprender e ensinar. Então… sei lá. Se possível, conversem com aquela(s) pessoa(s) que não sabem nada do assunto e não sabem o que dizer. Para ao menos o grupo inteiro ter um bom conhecimento sobre o assunto, já que o resto não vai dar bola.

    3. Segunda fase

    A segunda fase foi parecida com a primeira fase, em relação a workshops e desafios. A diferença é que os workshops foram lições básicas sobre fazer projetos e empreendedorismo, enquanto os desafios eram para dar forma aos nossos projetos.

    Eu acho que teve um baque bem forte quando a segunda fase começou, porque desde a inscrição não houve quase nenhum lembrete de que teríamos que elaborar projetos para ganhar o certificado. E aí os desafios começaram a ficar estranhos, porque o primeiro é vago demais para quem já tem um projeto, mas os outros são específicos demais para quem não tem um projeto. De qualquer forma, acho melhor já ter um projeto antes do que não ter nenhum.

    Também tem a possibilidade de fazer um projeto com outra pessoa, ou de fazer seu projeto e ajudar outra pessoa.

    Os workshops também não ajudaram muito algumas pessoas. Acho que funcionam mais como revisão (se você teve aulas de empreendedorismo/administração em algum lugar) do que como aulas por si só. Mas os desafios não são difíceis e a equipe da TODXS fica disponível pra consulta, então não acho que tenha tanto problema.

    4. A conferência

    Fora algumas pessoas que conseguiram bolsa, todo mundo teve que pagar a própria passagem para São Paulo. Há um baita incentivo para que todo mundo durma no hostel, o que é legal pela convivência e pela disponibilidade (a programação foi quase inteiramente no hostel), mas não é legal porque lol é um hostel.

    O que significa estar num quarto com outras pessoas, que não necessariamente vão dormir/acordar nos mesmos horários, ou que vão querer a mesma temperatura no quarto. O que significa ter que acordar cedo se quiser garantir banheiro disponível. O que significa ter que levar tudo para o banheiro e depois levar tudo de volta pro quarto. O hostel ficou basicamente pra gente, então não houveram problemas com segurança ou com divisão dos quartos por gênero. O hostel também só possui banheiros neutros.

    Disponibilizaram comida vegana/vegetariana para quem pediu, mas acho que não precisava agir como se só as pessoas que não fossem comer carne iriam preferir as opções sem carne, lol.

    Quanto à programação, não sei o quanto mudou por conta do ENEM, mas… sei lá, acho que tem coisas ali que podiam ter dado em workshops, e que as pessoas estariam bem mais dispostas a ouvir e a aplicar em seus projetos se fossem aprendidas antes. Houveram algumas dinâmicas de grupo que eu entendo serem ao vivo, mas que também deveriam ter sido feitas antes de todo mundo já ter preparado seu projeto. Idk.

    As saídas com o pessoal foram legais, as dinâmicas e os workshops também, mas acho que daria para tirar algumas das coisas da programação, ou colocar elas antes, e dar mais liberdade pro pessoal passear pela cidade.

    A conferência em geral foi bem tranquila, não teve nenhuma grande pressão para ter que acompanhar o grupo nas saídas, para treinar pitches, para participar do show de talentos, ou para participar da oficina opcional de drag. É ruim dormir pouco, mas dá pra aguentar bem com toda a adrenalina.

    A apresentação em si foi complicada pela falta de tempo/recursos (4 minutos/10 slides), mas teve bastante gente que conseguiu ir bem.

    Para a próxima fase, que ainda não começou, três dos projetos vão ser selecionados para ter um suporte mais específico para cada projeto, além de cada um deles receber um investimento de R$ 1500. Não é praticamente nada para um projeto social, mas ao menos é alguma coisa.

    (Tipo, sério. A mentoria e o programa em si são ótimas preparações, e eu entendo que o dinheiro depende de patrocinadories enquanto o trabalho é voluntário, mas a não ser que você queira construir um site usando layouts de graça e pagando mal/não pagando quem for escrever, é pouca grana. Se seu projeto precisa de viagens, de lugar físico, de publicação, etc., não é o suficiente. Não estou reforçando isso porque alguém está dizendo que esse dinheiro é suficiente, mas sim porque se você quiser aplicar um projeto por meio desse programa, não é “só” ganhar o edital.)

    5. Conclusão/Resumo

    Eu NÃO recomendo esse programa se você espera:

    • Workshops profundos que podem substituir leituras de bons textos sobre a comunidade LGBTQIAPN+;
    • Poder aprender, ensinar ou ter discussões profundas sobre identidades e opressão anti-LGBTQIAPN+;
    • Pouco trabalho. Você vai ter que fazer os desafios e preparar o projeto;
    • Uma comunidade completamente diversa e inclusiva em relação a identidades LGBTQIAPN+, onde é possível achar pessoas de vários gêneros e orientações diferentes.

    Eu recomendo esse programa se você espera:

    • Uma base básica para aprender a fazer um projeto;
    • Uma comunidade que vai ter ao menos alguma diversidade de experiências, onde é possível conhecer e conversar com pessoas com outras vivências;
    • Achar alguém para contribuir com seu projeto, desde que seja possível contribuir à distância;
    • Fazer contatos LGBTQIAPN+ em outros estados.

    Caso você tenha conseguido acesso a este tópico de outro lugar: estou falando de uma perspectiva em relação ao Orientando, um espaço onde é possível discutir sobre identidades, discriminações, representações, etc. Obviamente um espaço com uma seleção como a do programa Embaixadorxs vai ter certa variedade de experiências e certo conhecimento sobre discriminação em comparação a espaços “LGBT” quaisquer, mas o Orientando atrai muito mais pessoas de orientações/gêneros “rejeitades”, é um espaço muito mais aberto a discussões profundas e é mais intolerante em relação a hetero/di/cissexismo do que um grupo que não recebe nenhuma preparação para lidar com identidades que não são as suas.

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    • Este tópico foi modificado 1 semana, 5 dias atrás por  Tath.
    #3655 Quote

    l00ki
    • O/Ele/O

    Participante

    Eu andei dando uma lida no site delxs, e juntamente com as informações que você passou, vejo que elxs possuem uma boa intenção, porém falta experiência e pessoas na equipe que entendam melhor estas questões, me interessei bastante pelo programa, porém acho que seria melhor aguardar elxs evoluírem um pouco mais.

    Acho que pessoas como você Tath, seriam essenciais para que eles evoluam e vejam onde estão errando, pois pelo que vejo
    se oferecem para tirar dúvidas e para ensinar muitas coisas que nem eles sabem por completo ainda, acho que eles precisam ter alguém que os instrua e ensine antes deles começarem a ensinar outrxs (deviam frequentar o Orientando para aprender um pouco antes de ensinarem :p)

    Lets get one thing straight:
    I AM NOT

    #3656 Quote

    Tath
    • ed/eld/e
    • -/éli/e

    Mestre

    Eu andei dando uma lida no site delxs, e juntamente com as informações que você passou, vejo que elxs possuem uma boa intenção, porém falta experiência e pessoas na equipe que entendam melhor estas questões, me interessei bastante pelo programa, porém acho que seria melhor aguardar elxs evoluírem um pouco mais.

    Parte do que acontece é certamente o que você está falando, mas parte disso não tem como ser evitada. Não quando vão valorizar boas intenções e diversidade de experiências e de ambições mais do que vão valorizar pessoas que saibam respeitar e entender diferentes identidades. (O que faz sentido, tanto pelo esquema do programa quanto pela falta de inclusividade em comunidades brasileiras.)

    Tentei falar sobre a equipe ter que detalhar mais o que significa respeito de acordo com as normas do programa, mas disseram que isso não seria ideal. Não lembro se tentei sugerir alguma coisa que barrasse REGsReactionary Exclusionary Gatekeepers (Guardiães do Portão Excludentes e Reacionáries): Em relação à comunidade LGBTQIAP+, são pessoas de dentro da comunidade que querem excluir parte dela, normalmente por motivos de assimilação e/ou preconceito. Existem vários tipos de REGs, mas geralme... no processo de seleção, ou se cheguei a sugerir algum mini curso antes de começarem o programa para evitar gente completamente ignorante sobre identidades alheias incomodando no grupo.

    Acho que pessoas como você Tath, seriam essenciais para que eles evoluam e vejam onde estão errando, pois pelo que vejo se oferecem para tirar dúvidas e para ensinar muitas coisas que nem eles sabem por completo ainda, acho que eles precisam ter alguém que os instrua e ensine antes deles começarem a ensinar outrxs (deviam frequentar o Orientando para aprender um pouco antes de ensinarem :p)

    Então, temos alguns probleminhas aqui:

    1 – Não é a equipe que dá os workshops sobre identidades. Pelo jeito, arranjam nomes conhecidos, ou nomes que se oferecem, mas de qualquer forma não possuem muitas opções. Até dá pra sugerir palestrantes, mas eu sinceramente não saberia em quem confiar para dar uma palestra sobre identidade lésbica ou sobre identidade bi, por exemplo.

    Eu totalmente pretendo me oferecer para dar workshops, mas tenho noção de que não tenho conhecimento histórico em relação a certos assuntos (tipo maior parte de história LGBTQIAPN+ no Brasil, especialmente de comunidades específicas). Também tenho noção de que existem pessoas que fizeram longas pesquisas sobre certas identidades, e então fica difícil ter a minha palavra contra a delas, por mais que eu tenha mais conhecimentos sobre modelos mais atualizados de identidades.

    2 – O motivo pelo qual eu consigo ensinar para tanta gente é porque… essas pessoas querem aprender.

    Eu falo para as pessoas para virem fazer perguntas no Orientando, mando links… mas se as pessoas não querem reservar tempo para isso, ou se não se interessam no assunto, não há muito o que fazer.

    3 – A TODXS tem inscrições abertas para quem quiser ajudar na equipe, mas eu /não/ sou alguém comunicative, muito menos sob estresse e lidando com ignorância (ou até discriminação) de todos os lados.

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    #3670 Quote

    MEME LORD
    • o/ele/o
    • o/êlu/u

    Participante

    Hmmm.

    A questão é: valeu a pena pra você? Você recomenda o programa?

    THIS IS THE FUTURE LIBERALS WANT

    #3672 Quote

    Tath
    • ed/eld/e
    • -/éli/e

    Mestre

    Para mim valeu a pena, porque tenho o Orientando e é importante fazer contatos. Ter mais contato com o pessoal da TODXS também me deu uma noção melhor do nível da empresa do que se eu estivesse só olhando de fora.

    Quanto a recomendar, depende da pessoa. Se você:

    1. Pode fazer parte dos programas LGBTQIAPN+ que você quiser, livremente;
    2. Tem grande interesse em criar um projeto para ajudar sua comunidade LGBTQIAPN+ local, ou a comunidade do país inteiro;
    3. Não se importa muito em estar em um ambiente onde boa parte das pessoas é ignorante quando se trata de questões LGBTQIAPN+ mais profundas, e onde não há grandes incentivos para que as pessoas pesquisem o que não sabem ao invés de exigirem informações diretamente ou de simplesmente falarem merda sem pensar, além de não haverem grandes punições por discriminação;

    Então sim! Participe do programa!!!

    Se você não preenche apenas um dos requisitos acima, ainda acho que você deveria participar, desde que tenha cuidado!

    Se você não preenche dois dos requisitos, recomendo refletir para ver se vale a pena ou não participar.

    Se você não preenche nenhum requisito, realmente não vejo porque você iria querer participar.

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    #3700 Quote

    Mimi
    • -/ély/y
    • i/éli/i

    Participante

    TODXS é uma empresa que me faz fazer hmm e minha opinião não mudou com esse tópico

    m i m i
    (não há aprendizado sem dor.)

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