O separatismo do T da sigla e a relação com TERFs e conservadores cristãos

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Este tópico contém respostas, possui 3 vozes e foi atualizado pela última vez por  Mimi 2 semanas, 5 dias atrás.

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    QueerNeko
    • a/ela/a
    • e/elu/e

    Mestre

    Estava lendo um artigo que falava sobre uma instituição conservadora cristã e também um grupo de ódio anti-LGBTQIAPN+, a Family Research Council, e como a estratégia atual desses grupos é enfraquecer o ativismo trans tentando posar como grupos pró-LGB “progressistas”, usando argumentos pseudo-científicos, baseado em argumentos de feministas radicais e de estatísticas falsas e enganosas.

    https://www.splcenter.org/hatewatch/2017/10/23/christian-right-tips-fight-transgender-rights-separate-t-lgb

    Também lembrei de outro artigo que falava de uma organização feminista radical que fazia amicus curiae em julgamentos relacionados com alguma pessoa trans. Essa organização recebe dinheiro de grupos cristãos conservadores anti-aborto e anti-LGBTQIAPN+.

    http://transadvocate.com/fake-radical-feminist-group-actually-paid-political-front-for-anti-lgbt-james-dobson-organization_n_20207.htm

    Isso me faz pensar que o direito de pessoas trans é o principal campo de batalha que esses grupos cristãos querem atacar, além de que é uma tentativa de enfraquecer o ativismo LGBTQIAPN+ tentando separar em grupos menores. Além disso existe a união de grupos de TERFsTrans (Woman) Exclusionary/Exterminatory (Radical) Feminist [Feminista (Radical) Excludente/Exterminadora de (Mulheres) Trans: Quem utiliza a bandeira do feminismo para pregar que opressão e gênero são baseades em "sexo biológico", que gênero é uma invenção do patriarcado, que mulheres tr... com esses grupos cristãos, o que demonstra cada vez mais o conservadorismo disfarçado de progressivismo de TERFs. Por isso que é importante que a comunidade LGBTQIAPN+ seja mais inclusiva, porque exclusionismo é exatamente o que essas pessoas querem.

    • Este tópico foi modificado 2 semanas, 6 dias atrás por  QueerNeko.
    #3615 Quote

    Tath
    • ed/eld/e
    • -/éli/e

    Mestre

    Este artigo me fez pensar na similaridade entre argumentos exclusionistas (REGsReactionary Exclusionary Gatekeepers (Guardiães do Portão Excludentes e Reacionáries): Em relação à comunidade LGBTQIAP+, são pessoas de dentro da comunidade que querem excluir parte dela, normalmente por motivos de assimilação e/ou preconceito. Existem vários tipos de REGs, mas geralme...) e argumentos anti-trans:

    • “Mídias sociais fizeram com que se identificar dessa forma se tornasse popular”
    • “Essas crianças ficam se auto-identificando sem saber o que estão fazendo e vão se arrepender depois, ao invés de escutar o que pessoas mais velhas dizem”
    • “Essas pobres crianças muitas vezes são neurodivergentes, e é isso que faz com que pensem que não são cis”
    • “Outras pessoas estão acreditando no que essas pessoas dizem ser ainda que essas pessoas não teriam a necessidade de se identificar dessa maneira se não soubessem desse rótulo”
    • “Existe uma conspiração que imediatamente está sugerindo a identificação com rótulos que eu não gosto ao invés de arranjar desculpas para que essas pessoas permaneçam se identificando com rótulos que acho normais”

    Esses argumentos servem tanto para REGs reclamando de como se identificar como assexual/polissexual/akoirromântique/gênero-estrela/neurogênero/demifluide/etc. é DO MAL, quanto para conservadories reclamando de como se identificar como trans/bi/gay/lésbica/não-binárie/etc. é DO MAL.

    Conteúdo oculto por conter cissexismo, assassinatos transmisóginos, violência dentro da comunidade
    .

    E tenho preocupações com o fato de, no Brasil, cissexismo ser frequentemente colocado de canto (ou tratado como “LGBTfobia”, ignorando que já vi homens gays comentando que “beijariam mulher desde que fosse trans” ou que “deviam matar todas as travestis mesmo”, e isso só contando quem é ~tradicionalmente~ incluse no T por aqui).

    A própria inclusão no Brasil de pessoas trans é… limitada. A maior parte dos eventos de confraternização é “gay” ou “LGBT”, com umas pitadas de “gay feminino” e de “GLBT”. Existem algumas palestras e rodas de conversa que focam em pessoas trans, mas elas quase sempre são em contexto acadêmico ou de semana/mês/dia de orgulho. Não existem protestos por causas trans, existem por causas “LGBT”, que frequentemente possuem mais palavras de ordem em relação ao respeito e à validade de relacionamentos sáficos e aquileanos do que em relação a qualquer outra coisa.

    Falam muito de ser o “país que mais mata trans”, sendo que esse “trans” é facilmente substituído por “transexuais” ou “LGBTs”, quando estamos falando de algo que afeta muito mais uma população transfeminina vulnerável do que uma população trans “universal”.

    Até parece que, se a população trans(feminina) não fosse tão violentamente tratada, não teria motivo para mantê-la na sigla, uma ideia que é reforçada pela exclusão e desdém que identidades não-hétero que não são lésbica/gay recebem em espaços “LGBT”, e pelo I de intersexo (outra população vulnerável) ser a única adição que muitas organizações fizeram em anos, enquanto ignoram completamente o Q, o A, o N e o P que vêm crescendo nos últimos anos, e mal fazem qualquer coisa especificamente para a população bi.

    .

    if you are afraid ⁕ come out
    if you are awake ⁕ come out
    COME OUT AND LEVEL UP

    #3624 Quote

    Mimi
    • -/ély/y
    • i/éli/i

    Participante

    com todo o foco na ‘ideologia de gênero’, com as legislações e decisões do governo dos EUA, com os discursos falando muito mais sobre ‘pessoas que mudam de gênero’ ou ‘pessoas que acham que são de outro gênero’ do que sobre ‘homem com homem’ e ‘mulher com mulher’… yeah, sem novidades aí

    Tath escreveu:

    Conteúdo oculto por conter cissexismo, assassinatos transmisóginos, violência dentro da comunidade
    .

    E tenho preocupações com o fato de, no Brasil, cissexismo ser frequentemente colocado de canto (ou tratado como “LGBTfobia”, ignorando que já vi homens gays comentando que “beijariam mulher desde que fosse trans” ou que “deviam matar todas as travestis mesmo”, e isso só contando quem é ~tradicionalmente~ incluse no T por aqui).

    A própria inclusão no Brasil de pessoas trans é… limitada. A maior parte dos eventos de confraternização é “gay” ou “LGBT”, com umas pitadas de “gay feminino” e de “GLBT”. Existem algumas palestras e rodas de conversa que focam em pessoas trans, mas elas quase sempre são em contexto acadêmico ou de semana/mês/dia de orgulho. Não existem protestos por causas trans, existem por causas “LGBT”, que frequentemente possuem mais palavras de ordem em relação ao respeito e à validade de relacionamentos sáficos e aquileanos do que em relação a qualquer outra coisa.

    Falam muito de ser o “país que mais mata trans”, sendo que esse “trans” é facilmente substituído por “transexuais” ou “LGBTs”, quando estamos falando de algo que afeta muito mais uma população transfeminina vulnerável do que uma população trans “universal”.

    Até parece que, se a população trans(feminina) não fosse tão violentamente tratada, não teria motivo para mantê-la na sigla, uma ideia que é reforçada pela exclusão e desdém que identidades não-hétero que não são lésbica/gay recebem em espaços “LGBT”, e pelo I de intersexo (outra população vulnerável) ser a única adição que muitas organizações fizeram em anos, enquanto ignoram completamente o Q, o A, o N e o P que vêm crescendo nos últimos anos, e mal fazem qualquer coisa especificamente para a população bi.

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    !!! THIS THIS THIS

    eu ainda acho que no Brasil existe uma tendência mais heterossexista, que ainda possui algum foco em barrar direitos de pessoas não-hétero, mas basicamente isso, existe um foco enorme de discriminação anti-trans e anti-gnc e a maioria dos veículos continua tratando isso como ‘homofobia’ ou como ‘lgbtfobia’, e continua falando de ‘liberdade de orientação, gênero e expressão’ como se fosse tudo a mesma coisa com os mesmos impactos. até um ponto tem impactos similares, mas não é só uma ‘educação lgbt’ cheia de arco-íris que só diz que pessoas podem ser gays/lésbicas cis que vai resolver nossos problemas

    m i m i
    (não há aprendizado sem dor.)

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