Imagens coloridas indicando que ofensas "menores" ainda são cis/heterossexistas

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Este tópico contém respostas, possui 5 vozes e foi atualizado pela última vez por  Tath 1 semana, 5 dias atrás.

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    Tath
    • ed/eld/e
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    Admin

    Estas imagens foram feitas para ser divulgadas e repostadas, especialmente quando você não está a fim de escrever isso novamente. Prefiro que me deem crédito (Tath Sant’Anna, acompanhado ou não de orientando.org, ou link para o tópico), mas entendo que em certas situações isso pode ser difícil. Mesmo assim, em lugares como Facebook, Instagram e Tumblr, é perfeitamente possível copiar e colar um link pra cá na descrição, ou citar meu nome.

    Para quem não consegue ver, todas essas imagens possuem fundos de cores claras em degradê, cada um diferente do outro. Em todas as imagens, a fonte é sem serifa (Noto Sans) e cinza. A legenda do que está em cada imagem vai ser colocada após cada imagem.


    “duvidar da existência de pessoas cuja atração é fluida” / “ainda contribui com heteronormatividade”

    Por quê? Heteronormatividade prega que hétero é a orientação natural, padrão, normal, válida. Uma das características da orientação hétero é que ela não é fluida, ou seja, permanece sempre a mesma. Portanto, dizer que orientações não podem ser fluidas diz que esse aspecto da orientação hétero precisa ser universal.


    “duvidar da existência de pessoas cuja atração por certos gêneros é mais frequente do que por outros” / “ainda faz parte da heteronormatividade”

    Por quê? Heteronormatividade prega que hétero é a orientação natural, padrão, normal, válida. Uma das características da orientação hétero é que ela sempre tem a mesma intensidade, e outra característica é que o padrão é sempre ter atração por um gênero só. Portanto, dizer que alguém não pode realmente sentir atração por mais de um gênero, ou que pode sentir desde que seja com a mesma intensidade, é usar a orientação hétero como base de como uma orientação pode ou não pode funcionar.


    “duvidar da existência de pessoas capazes de sentir atração por pessoas não-binárias sem considerá-las “basicamente homens” ou “basicamente mulheres” para propósitos de atração” / “é apoiar cissexismo e heterossexismo”

    Por quê? Cissexismo diz que só existem dois gêneros válidos, homem e mulher, e que esses gêneros são decididos pelo corpo com o qual a pessoa nasceu, que presumidamente vai se desenvolver de certa forma. Heterossexismo diz que as únicas atrações válidas são por mulheres (se você é homem) ou por homens (se você é mulher).

    Dizer que identidades não-binárias não podem “participar” de dinâmicas de atração é dizer que essas identidades não são reais em todos os pontos, e que se uma identidade não está prevista dentro da orientação hétero, ela não pode ser inclusa em outras orientações.


    “só apoiar pessoas não-binárias que definem suas identidades com termos “comuns” ou “fáceis de entender”” / “é apoiar cissexismo e heterossexismo”

    Por quê? Novamente, pessoas não-binárias não são inclusas na dinâmica hétero. Porém, nem todas as pessoas não-binárias se sentem confortáveis com gay ou com lésbica, ou com serem inclusas na atração de quem se identifica como tal. É daí que vem orientações ~novas e estranhas~, como viramórique, feminamórique, urânique e netúnique. Ou até mesmo como polissexual e cetero. Dizer que essas experiências são inválidas porque não possuem base em ser uma pessoa binária atraída por pessoas binárias é dizer que deveriam estar num padrão mais próximo ao hétero, e até mesmo ao padrão cis de só existirem gêneros binários.

    Quanto a gêneros, queremos poder descrever nossas experiências em detalhes, tanto para outras pessoas aprenderem que experiências de gêneros são diversas, quanto para podermos nos comparar ou contrastar entre outras pessoas não-binárias. Querer que a gente cale a boca e só usemos rótulos quando forem simples é querer que nossos gêneros fiquem mais próximos à norma cis do que é gênero, ou só sejam descritos como tal.

    Definições das orientações às quais me referi mais cedo:

    Viramórique: Uma pessoa não-binária atraída somente por homens.

    Feminamórique: Uma pessoa não-binária atraída somente por mulheres.

    Urânique: Uma pessoa atraída por homens, pessoas sem gênero, e outras pessoas não-binárias desde que elas não tenham conexão com feminilidade ou com o gênero feminino.

    Netúnique: Uma pessoa atraída por mulheres, pessoas sem gênero, e outras pessoas não-binárias desde que elas não tenham conexão com masculinidade ou com o gênero masculino.

    Poli-: Uma pessoa atraída por vários gêneros, geralmente mais de dois, não necessariamente todos.

    Cetero-: Uma pessoa atraída somente por pessoas não-binárias. Geralmente, esta orientação é vista como exclusiva para pessoas não-binárias.


    “reclamar da liberdade de escolher entre vários pronomes e finais de palavra, além de ele/o e de ela/a” / “faz parte de apoiar cisnormatividade”

    Por quê? O/ele/o e a/ela/a são conjuntos geralmente associados ao gênero masculino e ao gênero feminino, respectivamente. Nem todas as pessoas que os usam são homens ou mulheres, mas ainda assim: esses conjuntos, os únicos vistos como válidos dentro da língua, são associados aos únicos gêneros vistos como válidos.

    Embora pessoas não-binárias geralmente não queiram associar linguagem a gênero, e defendem que pessoas podem usar qualquer linguagem independentemente de seus gêneros, muitas vezes tentam nos empurrar a ideia de que devíamos “simplesmente” concordar em um conjunto só, para ser tanto usado de forma neutra (quando há pessoas de mais de uma linguagem envolvidas, ou quando você não sabe a linguagem de alguém), quanto para todas as pessoas não-binárias que não querem usar o/ele/o ou a/ela/a.

    Ou seja, nós, que temos uma pluralidade imensa de identidades e de experiências de gêneros, temos que nos contentar com um conjunto de linguagem, que não seria nem exclusivo para se referir a pessoas como nós, enquanto pessoas binárias podem ter conjuntos diferenciados entre si. Tudo isso porque acham que modificar o uso da língua para que possa existir uma gama maior de pronomes, artigos e finais de palavra é trabalho demais, ainda que a diferenciação entre conjuntos original tenha sido obra de pessoas binárias.

    A ideia de restringir o que pessoas não-binárias podem ou devem ter de conjuntos é definitivamente cisnormativa. Afinal, não afeta pessoas cis.


    “reclamar de pessoas usando palavras mais específicas para descrever suas experiências, justificando que elas “dividem o grupo”” / “só mostra que você é incapaz de aceitar pessoas diferentes de você, e incapaz de aceitar que outres também sofrem sob o mesmo sistema”

    Por quê? Por exemplo, se uma pessoa prefere o termo pan ao termo bi, porque sente atração independentemente do gênero e quer colocar ênfase nisso, isso não significa que nega que alguém com a mesma experiência poderia se identificar como bi. Só significa que achou outro termo mais confortável para si.

    Agora, se o grupo bi local nega que há qualquer necessidade de termos para pessoas multi além de bi, diz que se identificar como poli ou como pan é frescura ou anti-bi, e insiste que é necessária uma unidade bi, a pessoa pan tem todo o direito de não se sentir confortável com essa retórica e deixar o grupo. E isso não é culpa da pessoa que escolheu um termo diferente, e sim do grupo que criou ideias sobre o que a rejeição do seu termo significa, e que criou a ideia de que pessoas de termos diferentes são inimigas.

    É isso o que acontece com várias identidades mais específicas. Elas não são um ataque ou uma negação ao termo mais geral, mas se a comunidade mais geral só se importa com quem se identifica exatamente da maneira que querem, ao invés de tentar incluir e deixar pessoas de identidades similares, mas diferentes, confortáveis, as pessoas de identidades que estão sendo atacadas ou ignoradas vão deixar o grupo, e possivelmente guardar rancor também.


    “agir como se “todas e todos” incluísse todas as pessoas” / “contribui com a cisnormatividade”

    Por quê? Nem todas as pessoas não-binárias usam a ou o como finais de palavra. “Todas e todos” dialoga com todas (ou pelo menos com quase todas) as pessoas cis, enquanto ignora muitas pessoas não-binárias; ou seja, uma parcela que só tem pessoas que não são cis.


    “agir como se existisse uma orientação “base” ou “padrão”, ainda que não seja hétero” / “ainda contribui com a heteronormatividade”

    Por quê? A heteronormatividade é que impõe que existe uma orientação que todas as pessoas são, até que “viram” algo diferente. Trocar a ideia de que todo mundo é hétero até que prove o contrário, ou até que a pessoa seja influenciada por outra coisa, pela ideia de que todo mundo é bi, pan, assexual, ou de outra identidade, até que aconteça algo, perpetua uma ideia similar, especialmente a quem não é da “orientação padrão” escolhida.


    “usar “sexo biológico” ao invés de gênero designado ou atribuído quando se trata do que foi colocado na certidão de nascimento” / “contribui com a cisnormatividade”

    Por quê? A ideia de que certos corpos precisam ser denominados como fêmeas/mulheres/meninas/femininos ou de que certos outros corpos precisam ser denominados como machos/homens/meninos/masculinos, quando utilizamos essas mesmas palavras para descrever gêneros (ou papéis de gênero, ou expressões de gênero, ou elementos de gênero, etc.), perpetua a ideia de que é o corpo que define gênero, até que seja provado o contrário. Esta é uma ideia cisnormativa.


    “negar que pessoas possam ter suas identidades afetadas por fatores como trauma, neurodivergência, cultura ou intersexualidade” / “é negação da natureza da construção da identidade, e contribui com hetero/cisnormatividade”

    Por quê? Novamente, a ideia que a hetero/cisnormatividade perpetua é que você nasce de certo corpo, tem um gênero baseado nesse corpo, e sente atração somente pelo gênero baseado no outro corpo. Isso ignora que fatores da vivência da pessoa podem afetar muito mais a construção do gênero, ou até da orientação, do que “nascer assim”.

    Não é como se a maioria das pessoas pudesse ter suas identidades facilmente moldadas, e não é como se todas as pessoas intersexo, neurodivergentes, etc. etc. não sejam de seu gênero designado e tenham seu gênero afetado por isso, mas é algo que pode acontecer. E dizer que essas pessoas precisam de “cura” para que suas identidades sejam “normais” e “puras” não apenas não é realista, como também contribui com o ideal cis/hétero de que você precisa nascer com sua identidade, e de que só certas experiências são válidas.

    Se você quer fazer ou faz tratamento para poder lidar melhor com neurodivergência, trauma, disforia ou até mesmo com opressão por si só, não há nenhum problema! E há a possibilidade de que sua identidade possa mudar quando você conseguir ter outra perspectiva de vida. Porém, também há a possibilidade de que sua identidade não mude. Essas coisas são complicadas, não se force a tentar ter alguma identidade que não parece encaixar porque ela seria “melhor” para você.

    ___________________________________________________________

    Por enquanto, é isso aí.

    Eu tentei utilizar uma linguagem menos específica, não só pelo espaço, mas também pelo impacto. Coisas que só afetam pessoas não-binárias poderiam ser colocadas como exorsexismo, mas eu sei que a maioria não sabe ou não liga para exorsexismo por si só, enquanto ignorar cissexismo/cisnormatividade já é uma ofensa mais grave em círculos ativistas.

    Mesma coisa para orientações: muita gente olha torto para a palavra monossexismo, mas também ignora que não são só pessoas gays e lésbicas que sofrem com heterossexismo/heteronormatividade. E que não ser hétero pode envolver muito mais do que ter atração pelo mesmo gênero.

    Provavelmente vou fazer mais depois, e aceito sugestões também.

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    4
    • Este tópico foi modificado 1 mês atrás por  Tath.
    #3976 Quote

    Cáh
    • a/ela/a

    Participante

    Tá, mas cadê as imagens que falam de alossexismo e amatonormatividade? Tô desapontada uwu

    █████ █████ █████ █████ █████
    we’re not cool; we are free

    (avatar)

    0
    #3996 Quote

    MEME LORD
    • o/ele/o
    • o/êlu/u

    Participante

    Que tal “reclamar de pessoas que não querem ou sabem definir sua orientação / ainda contribui com a heteronormatividade”? Porque faz parte de monossexismo a ideia de que todo mundo ~precisa decidir entre gay e hétero~.

    0
    #4009 Quote

    Tath
    • ed/eld/e
    • -/éli/e

    Admin

    @caah @memelord_


    “a ideia de que ter um interesse amoroso é a coisa mais importante na vida de alguém” / “é uma ideia heteronormativa”

    Por quê? O ideal de encontrar a pessoa perfeita para se apaixonar, casar e ter crianças é um ideal empurrado pela sociedade heteronormativa. Ainda que pessoas hétero possam desviar desse padrão, um dos motivos pelos quais pessoas não-hétero são alvos de discriminação é a ideia (falsa) de que não podem se reproduzir entre si, ou de que não podem ter relacionamentos amorosos ou estáveis.

    Portanto, julgar pessoas arromânticas por não poderem ou quererem participar nisso, ou julgar pessoas que, mesmo não sendo arromânticas, não querem ter ume parceire só, não buscam relacionamentos amorosos, ou não querem ter relacionamentos amorosos, contribui com o ideal heteronormativo de como pessoas devem viver.


    “a ideia de que não ter atração sexual condena alguém a uma vida de sofrimento” / “é uma ideia heteronormativa”

    Por quê? Novamente, ainda que ser heterossexual não signifique que a pessoa vai sempre ter ou querer sexo, nossa sociedade perpetua a ideia de que não há nada melhor do que fazer sexo, e que sexo deve ser buscado, ou por meio de diversão casual ou de casamento. Essa ideia prejudica pessoas que não buscam ou querem fazer sexo, que muitas vezes são pessoas sem atração sexual, ou com atração sexual infrequente.


    “a ideia de que não ter atração frequente é mentira, doença ou sentimentos reprimidos” / “é uma ideia heteronormativa”

    Por quê? Ser hétero inclui a ideia de sentir atração frequente, ainda que a expressão dela possa não ser aceitável em certas circunstâncias. Portanto, é comum agir como se só fosse possível sentir atração frequente por toda a vida, e que se alguém não sente, essa pessoa está mentindo ou precisa de cura. Ou seja, estão agindo como se ser alo fosse o único modo válido de sentir atração, por basear suas ideias de “atração saudável” na identidade hétero.


    “a ideia de que só a orientação sexual importa, de que orientações românticas (e outras) são supérfluas ou irrelevantes” / “é uma ideia heteronormativa”

    Por quê? A norma diz que pessoas devem ser heterossexuais e heterorromânticas, e que não precisam nem definir que são heterorromânticas por já serem heterossexuais (e esta categoria surgiu primeiro e é mais popular). A norma de que orientação sexual descreve toda a orientação, ou de que seja a orientação mais importante, é perpetuada dentro de espaços LGBTQIAPN+.

    Isso faz com que pessoas não incluam orientações românticas marginalizadas em vários tipos de listas e de eventos LGBTQIAPN+, como se pessoas birromânticas não tivessem experiências bi, como se pessoas arromânticas não fossem marginalizadas por sua orientação romântica, como se pessoas assexuais e arromânticas não pudessem ser LGBPQ+ por meios de orientações queerplatônicas, alternativas, etc.


    “a ideia de que qualquer orientação além de bi, gay, lésbica e hétero seja “informação demais” ou “irrelevante”” / “é uma ideia heteronormativa”

    Por quê? A ideia de de que orientações precisam ser fáceis de catalogar, ou de que só o comportamento importa na hora de rotular a orientação, é um ideal hétero de saber facilmente como dividir quem é de cada grupo. Ainda que pessoas bi não sejam muito bem vistas na hora dessas divisões, muitas orientações são mais invalidadas ainda, porque é perpetuada a ideia de que rotular a própria orientação é fácil, e de que os rótulos mais comuns são os únicos que deveriam existir, os únicos que “outras pessoas podem entender”.


    “assumir que pessoas cujas identidades são indefinidas ou complexas estão confusas, fazendo moda ou sendo chatas” / “contribui com a cis/heteronormatividade”

    Por quê? Mesmo motivo da imagem acima. Adicionalmente, lembrem-se de que ter uma orientação indeterminada ou complexa nem sempre é uma situação temporária.


    “assumir que pessoas LGBTQIAPN+ no armário não sofrem com opressão ou com discriminação” / “contribui com a di/cis/heteronormatividade”

    Por quê? Ainda que não nos vejam (ao menos diretamente) como fora da norma, somos bombardeades com as ideias de que certos corpos não deveriam usar certas roupas, de que o gênero designado ao nascer é nosso “sexo de verdade”, de que só existem dois gêneros, de que uma família ideal é formada por um homem, por uma mulher e por suas crianças, de que pessoas trans são indesejáveis, falsas e/ou sensíveis demais, de que pessoas multi não são confiáveis, de que pessoas que sentem atração pelo mesmo gênero do que o seu são nojentas, de que pessoas intersexo são mutações que não merecem ser levadas em consideração quando se fala de corpos, de que pessoas que não podem amar de forma romântica são monstros, de que pessoas que não fazem sexo são patéticas, etc.

    Ainda somos ensinades a nos odiar, e ainda somos ensinades que estamos sozinhes no mundo. Ainda sofremos com não saber se podemos revelar nossas identidades a pessoas próximas. Ainda sofremos com não poder tratar nossas identidades como algo normal. Ainda sofremos quando pessoas ao nosso redor assumem erroneamente nossas identidades, ou empurram a ideia de que não importa que assumiram errado porque era isso que deveríamos ser.


    “achar que pessoas devem se identificar somente com o que outras pessoas podem adivinhar” / “contribui com a di/cis/heteronormatividade”

    Por quê? Ver explicação da imagem acima: não é porque assumem algo diferente sobre nós que não sofremos por ser o que somos. Uma mulher pan que só namora homens ainda vai receber mensagens de que só deveria sentir atração por homens. Uma pessoa abro que não namora ninguém ainda vai receber mensagens de que sua atração não deveria ser fluida, ou ser qualquer coisa além de hétero. Uma mulher não-binária AFAB(C)AFAB: (Coercitively) Assigned Female At Birth [(Coercitivamente) Atribuíde Com Sexo Feminino Ao Nascer]. O C é mais para pessoas não-cis, mas não é obrigatório. ainda vai receber mensagens de que só deveria ser mulher e que sua não-binariedade é irrelevante.


    “assumir que pessoas só podem ser felizes caso se casem com uma pessoa de cada gênero pelo qual sentem atração” / “contribui com a heteronormatividade”

    Por quê? Pessoas hétero só sentem atração por um gênero, e geralmente buscam relacionamentos só com esse gênero. Portanto, espera-se que pessoas multi precisem estar com uma pessoa de cada gênero para se satisfazerem. Embora muitas pessoas multi sejam poliamorosas ou tenham relacionamentos abertos, pessoas multi não “precisam de um de cada”, e essa ideia vem de um padrão hétero.


    “assumir que só sexo pode levar ao amor, ou que só amor pode levar ao sexo” / “contribui com a heteronormatividade”

    Por quê? A norma é ser uma pessoa heterossexual e heterorromântica. Portanto, muitas ideias sobre relacionamentos se baseiam nas pessoas terem a mesma orientação sexual e romântica. Porém, existem pessoas variorientadas, isto é, com orientações sexuais e românticas diferentes. Isso significa que existem pessoas que querem relacionamentos sexuais sem querer relacionamentos românticos (com certos gêneros ou em geral), ou que querem relacionamentos românticos sem querer relacionamentos sexuais (com certos gêneros ou em geral).

    (É possível não sentir atração e ainda querer o relacionamento associado a ela, ou sentir atração e não querer o relacionamento associado a ela. Porém, geralmente pessoas querem ou não querem relacionamentos baseando-se em suas atrações.)

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    2
    #4016 Quote

    karyma Assemany
    • x/elx/x
    • i/ile/e

    Participante

    genial

    0
    #4031 Quote

    Loren
    • e/ily/-
    • a/ty/e

    Participante

    Amei, pode postar noutras plataformas? (dando créditos, logico)
    Postarei na RNB e na pluris

    0
    #4032 Quote

    Loren
    • e/ily/-
    • a/ty/e

    Participante

    Algumas imagens podia ter falado alonormatividade, binormatividade, amato-norma, sexo-norma, mono-norma, homo-norma, etc.

    0
    #4035 Quote

    Tath
    • ed/eld/e
    • -/éli/e

    Admin
    Loren escreveu:

    Amei, pode postar noutras plataformas? (dando créditos, logico)
    Postarei na RNB e na pluris

    Sim. Como está no primeiro parágrafo:

    Estas imagens foram feitas para ser divulgadas e repostadas, especialmente quando você não está a fim de escrever isso novamente. Prefiro que me deem crédito (Tath Sant’Anna, acompanhado ou não de orientando.org, ou link para o tópico), mas entendo que em certas situações isso pode ser difícil. Mesmo assim, em lugares como Facebook, Instagram e Tumblr, é perfeitamente possível copiar e colar um link pra cá na descrição, ou citar meu nome.

    Loren escreveu:

    Algumas imagens podia ter falado alonormatividade, binormatividade, amato-norma, sexo-norma, mono-norma, homo-norma, etc.

    Já expliquei o motivo da escolha de palavras na primeira postagem:

    Eu tentei utilizar uma linguagem menos específica, não só pelo espaço, mas também pelo impacto. Coisas que só afetam pessoas não-binárias poderiam ser colocadas como exorsexismo, mas eu sei que a maioria não sabe ou não liga para exorsexismo por si só, enquanto ignorar cissexismo/cisnormatividade já é uma ofensa mais grave em círculos ativistas.
    Mesma coisa para orientações: muita gente olha torto para a palavra monossexismo, mas também ignora que não são só pessoas gays e lésbicas que sofrem com heterossexismo/heteronormatividade. E que não ser hétero pode envolver muito mais do que ter atração pelo mesmo gênero.

    A intenção dessas imagens é fazer com que pessoas que se importam com hetero/cisnormatividade repensem suas atitudes. Esse tipo de pessoa não liga ou não se importa com alo/mono/exorsexismo ou com homonormatividade, acreditando que são conceitos que só servem para demonizar pessoas LG, ou simplesmente não consideram que um tipo de discriminação/norma do qual nunca ouviram falar possa ser importante.

    A intenção não é dizer o óbvio (“falar contra neopronomes prejudica pessoas que usam neopronomes”), porque é comum que não pensem nessas pessoas como um grupo relevante. Mas, se digo que isso prejudica apenas pessoas não-cis, e ajuda a manter a cisnormatividade, é possível que mais pessoas pensem “oh, talvez eu não devesse deixar esse grupo de lado, afinal de contas”.

    Esmiuçar di/cis/heteronormatividade em vários aspectos é muito útil para discussões, especialmente para descentralizar a ideia de que existe o grupo privilegiado hétero e o grupo oprimido gay (ou “LGBT”, ou “gay e trans”) e o resto está entre isso, mas tem muita gente que não entende que discriminar contra pessoas com atração por múltiplos gêneros ainda está elevando uma característica de ser hétero como padrão, que não entende que discriminar contra pessoas que usam múltiplas palavras para descrever seu gênero ainda está elevando uma característica de ser cis como padrão, etc.

    Usar os aspectos específicos não apenas prejudicaria a acessibilidade das imagens (quantas pessoas sabem o que é exorsexismo ou alonormatividade?), como também perderia o objetivo principal das mensagens.

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    1
    #4040 Quote

    Loren
    • e/ily/-
    • a/ty/e

    Participante

    faltou uma: superestimar identidades só reforça a cisheteronormatividade

    Tratar não-bináries como se fossem ultra-representades atualmente, só pelo pouco de visibilidade que temos.
    Quando falam de sexualidades como demi, recipro, grays e frays como se fossem a maioria da população e que todo mundo é assim, ou achar que demis são es unicamente ‘normais’ e a maioria da população.

    0
    #4047 Quote

    Loren
    • e/ily/-
    • a/ty/e

    Participante

    “usar “sexo biológico” ao invés de gênero designado ou atribuído quando se trata do que foi colocado na certidão de nascimento” / “contribui com a cisnormatividade”

    Corrija AFAB(C)AFAB: (Coercitively) Assigned Female At Birth [(Coercitivamente) Atribuíde Com Sexo Feminino Ao Nascer]. O C é mais para pessoas não-cis, mas não é obrigatório. e AMAB(C)AMAB: (Coercitively) Assigned Male At Birth [(Coercitivamente) Atribuíde Com Sexo Masculino Ao Nascer]. O C é mais para pessoas não-cis, mas não é obrigatório.

    0
    #4050 Quote

    Tath
    • ed/eld/e
    • -/éli/e

    Admin
    Loren escreveu:

    “usar “sexo biológico” ao invés de gênero designado ou atribuído quando se trata do que foi colocado na certidão de nascimento” / “contribui com a cisnormatividade”

    Corrija AFAB(C)AFAB: (Coercitively) Assigned Female At Birth [(Coercitivamente) Atribuíde Com Sexo Feminino Ao Nascer]. O C é mais para pessoas não-cis, mas não é obrigatório. e AMAB[/quote]

    1) As imagens possuem o objetivo de atingir um público maior, que talvez não conheça esse tipo de terminologia;

    2) Usar “AFAB ou AMAB” não contribuiria em muito para o sentido da imagem. Sim, eu sei que só esses dois gêneros são atribuídos na maior parte dos países, mas não vejo como o que está escrito esteja errado (que é a implicação dada quando você diz que isso precisa ser corrigido).
    _________________

    Aliás, as possibilidades desse tipo de coisa são infinitas, então não sei de onde você tirou que falta só uma. o_o

    Enfim, talvez eu faça a imagem que você sugeriu, mais pra frente.

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