Hugo Nasck

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Este tópico contém resposta, possui 1 voz e foi atualizado pela última vez por  Tath 1 ano atrás.

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    Tath
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    Mestre

    EDIT: Como o conteúdo postado aqui é, pela maior parte, sobre questões de discriminação, estou movendo para a área de Opressões, ainda que o canal não seja completamente voltado para isso.

    Há um tempo, procurei contas do Instagram de pessoas não-binárias, e achei essa pessoa. Hugo possui um canal no YT, mas só hoje parei para assistir alguns vídeos.

    Seguem vídeos/reviews:

    “MEU NOME DE MULHER”

    Conteúdo oculto:

    + Gostei da separação entre como você quer se apresentar e entre como outras pessoas te veem. Particularmente, tem várias apresentações diferentes que uso, mas nenhuma delas me faz passar como algo além de uma mulher

    + É muito legal ter a explicação de que não é necessário uma pessoa mudar o seu nome para ser trans/não-binária;

    – Eu não gosto do quanto foi enfatizada a ideia de “nome social”, sem ser criticada. Assim como a ideia de que um homem cis é um homem enquanto um homem trans ~se identifica~ como homem, é uma expressão que eu acharia melhor usar com mais cuidado.

    – Como uma pessoa não-binária branca, me dá vergonha alheia ver gente apropriando o conceito de binarismo, quando é um conceito relacionado a colonizadores apagando a existência de gêneros alheios aos que conhecemos como binários, ou classificando-os como “terceiro-gênero” (o que também é apagamento), só porque a palavra é ~fácil~ e ~tá na boca do povo~.
    É que nem eu espalhar pro mundo que homofobia significa medo de homens, porque eu queria uma palavra pra isso e não me importei em ver se a palavra que estou usando já tem outro significado, sendo que tal significado faz parte de uma opressão que não sofro. Daí a palavra faz sucesso em círculos feministas, e daí fica difícil para pessoas que realmente sofrem de homofobia (a causada pela heteronormatividade) acharem algo relevante relacionado a isso em buscas.
    A ideia de que “qualquer coisa tá valendo” por ser ~mais prática~ não importa o quanto seja capacitista, racista, transmisógina, etc. seja aquela coisa, que está muito presente em círculos ativistas em português, é algo que quero combater com o Orientando, tbh.

    QUAL BANHEIRO EU USO ?

    Conteúdo oculto:

    + Reforçar/mostrar que pessoas não-binárias possuem experiências/apresentações diferentes umas das outras é ótimo, yay!

    + “Ficou bugado? Paga terapeuta, não é minha culpa. T H A N K

    + “Eu vivo num gênero clandestino. Eu sou uma pessoa clandestina.” Nunca pensei nisso, omg. Mas é algo bem forte.

    + Dá muita pena dessa situação de não conseguir ir em nenhum dos dois banheiros, mas eu acho muito legal a divulgação (por falta de palavra melhor) dessa experiência que muitas vezes é ignorada, uma intersecção de transmisoginia com exorsexismo.
    Pessoas não-binárias designadas mulheres ao nascimento normalmente conseguem se passar por mulheres lésbicas e utilizarem o banheiro feminino, ou ao menos passaram por testosterona e conseguem utilizar o banheiro masculino. Já pessoas não-binárias designadas homens ao nascimento muitas vezes não conseguem se passar por mulheres o suficiente para se sentirem seguras no banheiro feminino, enquanto também são “afeminadas” demais para o banheiro masculino.

    +/- “Minha identidade não é baseada naquilo que outros pensam de mim, ou falam de mim” uhh, por um lado isso é legal e tal, porque realmente, gênero é algo interno e válido não importa o que outres pensam, mas… eu realmente não gosto dessa ideia que vejo algumas pessoas vendendo (não literalmente) de que pessoas não-binárias são ~tudo o que você quiser~, que pessoas não-binárias ideais não se importam com pronomes ou outros tipos de linguagem.
    Tudo bem ter pessoas que não se importam, ou que aceitam serem tratadas como de algum gênero binário por ser mais fácil, mas, sendo uma pessoa não-binária com forte disforia social, não gosto de normalizar pessoas não-binárias sendo tratadas pelo que outras pessoas preferem.

    NÃO QUERO UMA SOLUÇÃO

    Conteúdo oculto:

    + I know that feel. (Btw, as soluções mais óbvias provavelmente estão em progresso.) Oh, e mesmo se suas soluções são úteis, acho mais legal esperar pra dar elas depois do momento de raiva. Só minha opinião.

    +/- Ainda existe o meme de mamilos serem polêmicos? Wow.

    (Esse não é um vídeo sobre questões de preconceito/discriminação.)

    ORIENTAÇÃO SEXUAL VS. IDENTIDADE NÃO-BINÁRIA

    Conteúdo oculto:

    + PIADA ACE P I A D A A C E holy shit eu não esperava por essa

    + Separar identidade de gênero de orientações é sempre bom.

    + Diz que pessoas não-binárias não são heterossexuais. Bom. (Ainda que eu entenda se, por exemplo, magihomens atraídos por mulheres ainda se considerem hétero, ou casos similares.)

    +/- Pan/poli yes! Mas, por favor, uma pessoa poli pode ser atraída por vários gêneros, e é kinda implícito que pessoas poli precisam ser atraída por pelo menos 3 gêneros, embora eu não ache que muita gente vá incomodar sobre isso.

    – “Os termos hétero, homo, ou bi só funcionam para o mundo binário.” Ahn, não??????? A definição de bi é “mais de um gênero” ou “nem gay nem hétero” desde os anos 90?????? A opinião de pessoas ignorantes sobre o assunto não devem valer mais do que a definição de organizações bissexuais, por favor.

    – Andro/Gine? Ugghhhh, ok, pelo menos deu algumas identidades, mas 70% das vezes eu vejo essas identidades relacionadas a “gostar de pênis” e “gostar de vagina” respectivamente, então… :I

    – É um grande debate a questão de “atração por aparência” x “atração por gênero”, mas, por via das dúvidas, o segundo caminho é melhor. Dizer que você é uma pessoa atraída por homens e por pessoas que possuem barba/voz grave está muito perto de categorizar estas características como características de homens, deixando implícito que pessoas com estas características são basicamente homens, e que pessoas sem essas características não vão ser consideradas como homens.

    – Uh, favor não caracterizar atração por objetos/crianças “sexualidade”? Mesmo que isso envolva a sexualidade de alguém, atualmente, a palavra sexualidade normalmente é utilizada como sinônimo de orientação, ou de orientação sexual.

    Esse vídeo não é de todo mal, mas, sinceramente, acho que era necessária uma pesquisa maior aí.

    Enfim, é legal ter uma pessoa relativamente conhecida falando destes assuntos. Só acho uma pena não ser uma pessoa tão informada a respeito de questões LGBTQIAP+ mais obscuras/controversas. Acho que tem pouco cissexismo nos vídeos comparando com que eu achei que teria, até por ser uma pessoa não-binária fazendo-os, mas essa YouTuber ainda pode trabalhar certas questões de forma melhor.

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    • Este tópico foi modificado 6 meses atrás por  Tath.
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    Tath
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    Mestre

    NEM HOMEM NEM MULHER! ELA É NÃO BINÁRIO feat HUGO NASCK (este vídeo está no perfil da Mandy Candy)

    Conteúdo oculto:

    + Clarificação sobre apresentação ser diferente de gênero;

    + Não chamou identidades de outras culturas de não-binárias/trans, o que é bem raro!

    + Deixou claro que não ter preferência por pronome é algo dela, que varia de pessoa para pessoa.

    + A questão do banheiro é interessante, muitas pessoas não pensam nisso.

    +/- Apesar de todos os pontos negativos abaixo, eu gostaria que o vídeo continuasse. Achar curto é um ponto positivo porque eu queria mais, mas é um ponto negativo porque não pareceu longo o suficiente. D:

    – Não deixou claro que apresentação =/= gênero que você passa. Você pode querer se apresentar de forma andrógina e ser viste como homem, ou querer se apresentar como homem e ser viste como mulher, por exemplo. Fora que pessoas diferentes podem ter conceitos diferentes sobre o que é ter uma apresentação masculina, feminina, andrógina, neutra, etc.

    – Pessoas não-binárias podem se identificar como trans, mas não é muito legal encorajar o binário cis/trans quando certas pessoas não-binárias não querem se identificar como trans.

    -? Não tenho certeza se é ok chamar indígenas brasileires de índios, e não quero ignorar isso só por não ter certeza…

    – …Mas indígenas da América do Norte realmente não gostam de serem chamados de índios, afaik.

    – Também não é legal falar de diversos povos, com sistemas de gêneros diferentes, como ~indígenas americanes~? Eu lembro de ver povos com três gêneros ao invés de cinco, por exemplo. E dois espíritos é um termo que está sendo adotado por muitas tribos, mas não é algo tão uniforme.

    – Não estamos vivendo há milhares de anos em uma mesma sociedade, muito menos temos como saber se sociedades onde só existem gêneros binários eram comuns. Existem indícios de gêneros que não eram o masculino ou o feminino na Mesopotâmia e no Egito Antigo, e, na Grécia Antiga, haviam deuses que não eram homens ou mulheres, então é possível que aceitassem pessoas que fossem assim também.

    É importante deixar claro que tanto arqueólogues quanto pessoas na academia repetidamente apagam a existência de pessoas LGBTQIAP+ em geral, não importa o quanto fosse normal ter relacionamentos com o mesmo gênero ou o quanto variância de sexo e gênero sempre tenha aparecido na história humana.

    – Não é muito legal associar pronomes com gêneros, porque você está encorajando pessoas a darem gêneros para pronomes, dessa forma. Eu sei que às vezes é bem complicado listar tudo, especialmente em relação a títulos ou palavras mais flexíveis, mas dizer “pronome ela” e “pronome ele” não é tão complicado.

    – É necessário colocar tanta ênfase no quanto isso é ~novo~ e ~confuso~?

    – Estereótipo do homem usando maquiagem e saia que vai invadir espaços femininos, yikes. Protip: duvido que alguém que não esteja fazendo uma piada transmisógina realmente faça isso. De qualquer forma, por que vão direto para a suposição de que a pessoa está fingindo ser de outro gênero, e não para a suposição de que a pessoa é mulher/não-binária e não sabe se expressar direito em relação a isso?

    – Dados os altos índices de violência transmisógina que temos, eu realmente não tenho certeza de que encorajar uma pessoa trans que não passa como mulher a ir no banheiro masculino é uma boa ideia? O____O

    – Sem menção (explícita) de:

    • gêneros não-binários específicos;
    • neopronomes;
    • como descobrir o pronome de uma pessoa não-binária (dá pra tentar ver o perfil, se não for perguntar diretamente);
    • que linguagem no português não é só pronome, ao contrário da língua inglesa.

    Eu acho que, apesar das falhas – que são bastante até, mas que não são tão gritantes no geral – esse é um vídeo importante, porque tem pouca gente falando sobre o que é ser não-binárie. Ainda assim, acho que o vídeo poderia ter um pouco mais de conteúdo.

    Também não sei se conto tokenismo como uma falha. Tipo, ao menos não me pareceu que a ideia é validar gêneros não-binários baseando-se em outras culturas também tendo mais de dois gêneros, mas é suspeito que isso tome tanto tempo do vídeo, quando poderiam falar de como existem gêneros não-binários na cultura ocidental faz décadas, ou explicar mais coisas sobre gêneros não-binários, linguagem, etc.

    Análise Apimentada – A Garota Dinamarquesa feat. Hugo Nasck | Co-op Geeks

    Conteúdo oculto:

    Eu não assisti o filme, e o review não vai muito a fundo (é bem curto), mas é importante terem também vozes brasileiras dizendo que esse filme não é pra ser tão venerado como progressivo quanto é.

    VICIADA EM DESCONTRUÇÃO [sic]

    Conteúdo oculto:

    O propósito do vídeo é interessante, mas… ele parece estar trabalhando em cima de suposições errôneas, ou ao menos em cima de um contexto diferente do meu.

    1) “Fazer textão” não é algo pra pessoa com quem você está discutindo. É para mostrar para uma audiência em dúvida que seus argumentos são bons, além de desabafar.

    2) Pessoas trans geralmente não reclamam de pessoas cis transfóbicas porque querem ficar com elas, e sim porque é foda ver pessoas essencialmente invalidando seu gênero e chamando de preferência pessoal/o jeito que as coisas são. Pessoas gays especificamente adoram dizer que sua atração é por genitália e que quem diz o contrário está sendo heterosexista, sendo que isso deixa implícito que, por exemplo, lésbicas possuem atração por homens trans, o que essencialmente diz que homens trans são basicamente mulheres.

    É importante apontar que você não está vendo a genitália de alguém quando sente atração, que dizer que não namora pessoas trans no geral é cissexismo (quem disse que a pessoa trans tem a genitália ~do sexo oposto~?), e que repulsa pode muitas vezes ser causada pela associação dicissexista de pênis com homem e vagina com mulher, que é algo que deve ser trabalhado na sociedade.

    Agora, fora esses pontos? Yeah, está certo, você não precisa de validação cis, você tem que cuidar da sua saúde mental antes de qualquer coisa, e pessoas não vão mudar suas opiniões se não quiserem.

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    • Esta resposta foi modificada 1 ano atrás por  Tath.
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