Esclarecimento: Transgênero

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Este tópico contém respostas, possui 2 vozes e foi atualizado pela última vez por  Tath 9 meses, 4 semanas atrás.

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    Tath
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    Mestre

    Assim como falei em outro tópico similar, existem opiniões divergentes na comunidade, e eu não tenho como atender aos caprichos de todo mundo.

    Transgênero foi um termo feito para encaixar todo tipo de pessoa que “desafia as normas de gênero”, afinal, o termo em uso na época (transexual) não era representativo de toda as pessoas que seriam consideradas não-cis. Neste glossário, datado de 2000, a palavra transgênero inclui transexuais, travestis, pessoas não-binárias, pessoas que não agem de acordo com as normas de gênero, pessoas intersexo, entre outras.

    Principalmente porque existia um vácuo entre pessoas que “se vestiam de outro gênero” (drag queens, drag kings, travestis) e as que “queriam viver como outro gênero” (transexuais). Enfim, transgênero foi uma palavra importante para a comunidade, que agora tinha uma opção que não foi criada em um contexto médico ou ofensivo para usar para sua identidade. Uma opção que também era extremamente abrangente, sendo assim mais confortável para pessoas que não tinham tanta ideia da essência de sua identidade.

    Com o tempo, transgênero virou uma palavra para pessoas cujo gênero não corresponde ao designado. É claro, essa definição ainda abrange tanto pessoas trans que desejam realizar transição corporal, quanto as que já fizeram, quanto as que não possuem a menor vontade de fazer isso. Ainda abrange tanto pessoas binárias quanto não-binárias. A diferença é que pessoas intersexo, homens (cis) femininos e mulheres (cis) masculinas geralmente não são mais inclusas.

    Porém, tenho noção de que nem todas as pessoas que poderiam se encaixar no rótulo transgênero vão utilizá-lo.

    No Brasil, temos uma tradição de rejeitar o termo. Francamente, a maioria dos motivos parecem desculpas esfarrapadas: “o termo é estrangeiro, não vem daqui”, “travestis e pessoas transgênero são totalmente diferentes de transsexuais, porque transsexuais sempre querem fazer transição”, “não parece que transgênero cobre pessoas binárias”, “não parece que transgênero cobre travestis”, “a palavra é muito parecida com transgênico”, etc.

    Enquanto isso, temos outras pessoas não-cis que não se identificam com transgênero, mesmo fora do Brasil, por motivos como “não me sinto trans o suficiente porque minha identidade é parcialmente meu gênero designado ao nascimento”, “não quero usar transgênero porque transmedicalistasTransmedicalistas, truscum ou transmeds são, na teoria, pessoas trans que acreditam que só é possível ser trans caso a pessoa sinta disforia de gênero. Na prática, são um grupo assimilacionista que odeia qualquer tipo de pessoa trans ou não-binária "ruim": não apenas pessoas sem disfori... me fizeram desistir de usar o termo”, “transgênero é geralmente um termo só usado para pessoas binárias”, “eu prefiro só trans porque transgênero parece algo clínico”, “não tenho um gênero então transgênero me soa errado” e “transgênero não é um conceito que as pessoas à minha volta conhecem”.

    De qualquer forma, eu não vou cobrir todas as identidades possíveis na sigla LGBTQIAP+.

    Respeito que existam pessoas que queiram outros termos, assim como acontece com outras identidades. Não vou chamar alguém de trans(gênero) se não quiser. Mas qualquer uma destas identidades estará inclusa aí, nem que seja no + (se você não quer se considerar trans mesmo sendo gênero-fluido, ou bi/pan/poli mesmo sendo omni, por exemplo).

    Quando eu falo sobre “pessoas trans”, ou sobre “pessoas transgênero”, eu estou incluindo pessoas que se encaixam em definições como demigênero, gênero-fluido, agênero, travesti, genderqueer, não-binárie, transexual, mulher trans, homem trans, apogênero, gênero-vácuo, neutrois, sem gênero, magigênero, neurogênero, xumgênero, gênero-vago, gênero-fluxo, aporagênero, homem nb e mulher nb. Se você não quer pessoalmente se encaixar, você tem essa opção, mas você está incluse caso você quiser.

    Pessoas intersexo ipso, GNCGender Non-Conforming: Alguém que não "se conforma" com seu gênero, utilizando uma expressão diferente da esperada para seu gênero (como um homem que gosta de usar vestidos e maquiagem). Normalmente a expressão é aplicada para pessoas binárias, especialmente cis, mas pessoas trans binárias ... cis e de gêneros de culturas afetadas por binarismo não estão inclusas porque eu sinto que eu estaria desfavorecendo estas identidades ao inclui-las em trans(gênero), ao invés de estar simplesmente juntando identidades similares. Porém, além do I de intersexo, estas identidades podem se encaixar no Q (queer) ou no +, caso sintam que façam parte da comunidade por estas identidades.

    Observação: Da mesma forma, quando eu me refiro a pessoas não-binárias (como uma “classe”, digamos), eu me refiro a qualquer pessoa que não seja 100% homem ou 100% mulher. Você pode se identificar como genderqueer, agênero, andrógine, sem gênero, quivergênero, neurogênero, gênero-fluido, magigênero, bigênero, intergênero, etc. sem querer ser chamade de não-binárie, e se isso acontecer eu não vou me referir a você especificamente como não-binárie, mas não vou reescrever tudo para que você especificamente se sinta incluíde em algo que já era feito para incluir sua identidade.

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    • Este tópico foi modificado 10 meses atrás por  Tath.
    #1795 Quote

    QueerNeko
    • a/ela/a
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    Mestre

    Eu gostaria de acrescentar mais nesse assunto, mas como não tenho muito tempo pra escrever agora, vou apenas falar sobre o uso do termo no Brasil pelos grupos de ativistas brasileiros.

    Como a gente tinha discutido após ler um pouco sobre a história do ativismo de trans no Brasil, pelos relatos existentes, dá pra notar a resistência que existiu e ainda existe em cima do termo “transgênero”.

    Por definição, “transgênero” englobaria qualquer pessoa que possui uma identidade de gênero não condizente com o gênero designado ao nascimento. Entendo que algumas pessoas podem não ficar satisfeitas com o termo e acharem que o termo “invisibiliza a identidade travesti”, mas acho que as pessoas também precisam entender que os termos “travesti” e “transsexual” não contemplam muitas pessoas, muitas delas sendo pessoas não-binárias.

    Mas é difícil mudar a cabeça das pessoas e muitas organizações ainda denominam o T como “homens trans e mulheres transsexuais e travestis”, que invisibiliza mulheres e pessoas não-binárias. E dá pra ver como muitas organizações utilizam “travestis e transsexuais” como o T, inclusive, a EBGLT mudou o seu nome de “Encontro Brasileiro de Gays, Lésbicas e Transgêneros” pra “Encontro Brasileiro de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais”, ou a ABGLT que também usa “travestis e transexuais”.

    Porém, eu acho que a gente está caminhando pra uma aceitação maior do termo “transgênero”, como evidenciado pela sigla da APOLGBT. Vai ser necessário uma certa pressão para pessoas trans/não-binárias serem reconhecidas na sigla, assim como foi necessário pressão pra colocarem o T no movimento, mas com a visibilidade extra que pessoas não-binárias estão começando a receber e o crescente uso do termo pela mídia, eu acho que estamos caminhando pra uma direção mais unificadora. Talvez as pessoas acabem se decidindo pelo “trans” ao invés de “transgênero”, mas acho que “trans” é um termo universal igualmente válido também.

    #1797 Quote

    Tath
    • ed/eld/e
    • -/éli/e

    Mestre

    Mas é difícil mudar a cabeça das pessoas e muitas organizações ainda denominam o T como “homens trans e mulheres transsexuais e travestis”, que invisibiliza mulheres e pessoas não-binárias.

    Por falar nisso, acho importante notar que, até onde sei, a divisão entre “mulheres transsexuais” e “homens trans(gênero)” é justamente porque mulheres trans(sexuais) possuem uma história maior de visibilidade, por bem ou por mal. Então é normal que uma mulher trans(sexual) tenha se descoberto em um contexto brasileiro, enquanto um homem trans(gênero) ou uma pessoa não-binária tenha se descoberto por causa da internet, e não teria um apego tão grande a uma palavra já considerada defasada em muitos lugares.

    Os recursos em português sobre identidades de gênero são frequentemente superficiais/incompletos, quando existem. E os que não são geralmente vêm de pessoas que estão acostumadas com o contexto internacional, que tendem a usar terminologia considerada mais atual (e menos ofensiva), como transgênero e não-binárie.

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