Desordem Ambígua, "queerbaiting neurodivergente"

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Este tópico contém respostas, possui 2 vozes e foi atualizado pela última vez por  Tath 5 meses, 3 semanas atrás.

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    Tath
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    Mestre

    Tradução desta postagem:

    comtessedebussy:

    Sinto que descobri a versão neurodivergente de queerbaiting

    e é a trope Desordem Ambígua. Quanto ume personagem vai agir diferente (êlu é boe com computadores! Êlu tem conhecimento/habilidades que uma pessoa ‘normal’ não teria!) e vai ser ruim em situações sociais (não entende porque você daria elogios sem estar falando a verdade então êlu é brutalmente honeste, como é queride! Êlu é ruim em normas sociais então comete gafes, haha, que piada recorrente engraçada para nossa série!)

    Em algum ponto, algume personagem vai comentar vagamente sobre êlu ter algum tipo de neurodivergência (ver: Shaw sendo “sociopata”, Lestrade aleatoriamente dizendo “Aspberger” sendo que isso não é nunca mencionado novamente).

    Se perguntam para produtories/criadories, é claro que nunca vão dizer que era isso o que pretendiam, ou vão falar alguma porcaria sobre “interprete como quiser” e nunca, mas nunca vão confirmar. Mas vão continuar fazendo piadas sobre ume personagem sendo ruim com socialização e não é engraçado que essies dues personagens foram confundides com um casal? haha quão ENGRAÇADO porque isso nunca poderia acontecer!

    Vão continuar tendo personagens que casualmente mencionam alguma diagnose (provavelmente imprecisa e mal pesquisada) do mesmo jeito que vão fazer uma piada sobre a “coisa gay” do Dean Winchester. Mas nunca, nunca que vão sentar para fazer uma pesquisa para realmente representar precisamente qualquer tipo de neurodivergência de todas as maneiras que ela pode se manifestar (incluindo maneiras que não são fofas/queridas/engraçadas/material para piadas) e nunca vão admitir que é o que estão fazendo.

    Vão se apoiar em tropes e arquétipos (porque como @sad-eyed-lady-of-the-low-lands e eu estivemos discutindo, váries personagens que geralmente são lides por fãs como neuroatípiques/autistas os são baseando-se numa trope, não nume personagem em si) e essas tropes e arquétipos vão, claro, dar crédito para a leitura… mas, novamente, tudo vai se manter como interpretação.

    E é novamente como queerbaiting: com casais queer, você quer atrair a audiência que vai pegar o subtexto queer sem alienar a audiência que não quer ver o subtexto queer, e assim atrair mais gente. E com essa trope da desordem ambígua, querem atrair essas pessoas que vão interpretar personagens como neurodivergentes baseando-se em sinais e tropes, sem alienar as pessoas que não querem que personagens sejam neurodivergentes. Elas podem ter seu bolo e comê-lo também.

    Há uma palavra para isso? Isso é uma coisa a ser discutida? Devemos fazer uma palavra para isso?

    sad-eyed-lady-of-the-low-lands:

    !!!!!!!!!!!

    Omg sim! Você explicou perfeitamente!

    Isso é 100% uma coisa que é discutida, embora geralmente em círculos ND, não vi muitas discussões mainstream sobre isso.

    Mas geralmente se referem a isso como codificação, então, tipo, você poderia dizer que Finch é “codificado autista”. Pessoalmente uso codificade ND/codificação ND porque isso deixa mais inclusivo mas a expressão mais comum é codificade/codificação autista

    Eu acho essa uma discussão interessante.

    Ao contrário de questões raciais e de orientação, capacitismo/ativismo neurodivergente é algo relativamente niche, ao ponto da maioria das coisas que você for procurar sobre comunidades relacionadas dá em pessoas neurotípicas falando sobre autismo ou transtornos de personalidade, geralmente de forma ignorante e pejorativa. Então acho pouco provável que criadories saibam que existe um público neurodivergente que quer representação, enquanto outros movimentos sociais são mais visíveis, e considerados mais relevantes.

    Mas, como pessoas neurodivergentes existem – eu já vi estatísticas dizendo que uma em seis pessoas é neurodivergente – é claro que pessoas neurotípicas vão internalizar o quanto algumas pessoas possuem neurotipo diferente, mesmo sem reconhecer a neurodivergência por ser algo que as pessoas acreditam ser raro e extremo, e querer colocar tais características em sues personagens.

    Sei lá, eu acho que está menos para “queerbaiting neurodivergente” e mais para capacitismo velado. Tipo quando vilães ou personagens estereotípiques possuem características queer sem serem realmente queer, sendo que es autories ainda possuem o objetivo implícito ou explícito de demonizar pessoas queer.

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    #2577 Quote

    MEME LORD
    • o/ele/o
    • o/êlu/u

    Participante

    Só não sei sobre não ter público, porque estamos falando de séries feitas nos EUA, onde tem Mad Pride e coisas do gênero.

    THIS IS THE FUTURE LIBERALS WANT

    #2581 Quote

    Tath
    • ed/eld/e
    • -/éli/e

    Mestre

    Só não sei sobre não ter público, porque estamos falando de séries feitas nos EUA, onde tem Mad Pride e coisas do gênero.

    Bom, sabe isso aqui?

    Ao contrário de questões raciais e de orientação, capacitismo/ativismo neurodivergente é algo relativamente niche, ao ponto da maioria das coisas que você for procurar sobre comunidades relacionadas dá em pessoas neurotípicas falando sobre autismo ou transtornos de personalidade, geralmente de forma ignorante e pejorativa.

    Vale para conteúdo em inglês. :I

    Se eu procuro sobre palavras-chave relacionadas à neurodiversidade, ao invés de ir procurar diretamente por autismo/dislexia/transtornos de personalidade/etc., daí sim eu vejo gente falando sobre a importância de defender pessoas neurodivergentes, mas os artigos são relativamente recentes (a partir de 2012) e sempre de blogs/sites que já são voltados para ativismo e/ou neurodivergência (Everyday Feminism, Autistic Advocacy).

    Mesmo procurando sobre o Mad Pride, facilmente encontrei um artigo criticando o movimento, dizendo que “doença mental não é identidade” e como é ~perigoso~ que pessoas neurodivergentes não estejam se sentindo mal por suas condições. O que não é algo que aconteceria tão facilmente nos dias de hoje se eu estivesse procurando pela história do movimento de orgulho gay, por exemplo.

    Não me entenda mal: eu adoraria saber que existem criadories que pensam em pessoas neurodivergentes como um público, mas as evidências que encontro apontam para ativistas sociais recém estarem descobrindo que pessoas neurodivergentes são pessoas e não hipóteses ou seres monstruosos pseudo-humanos que não merecem autonomia ou respeito. Imagina o quanto essa mensagem vai demorar para chegar para um setor da sociedade que não quer colocar casais de pessoas do mesmo gênero em seus trabalhos porque ainda consideram que isso seria polêmico demais.

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